A comissão de peritos, cuja investigação foi agora publicada na revista Lancet, juntou especialistas em saúde e assistência social, ciências sociais, economia, filosofia, ciência política, teologia e trabalho comunitário, bem como doentes.

“Cuidar dos moribundos envolve incutir significado ao tempo que resta. É um momento para alcançar o conforto físico, para chegar à aceitação e fazer as pazes consigo mesmo, para muitos abraços, para reparar pontes quebradas de relacionamentos e para construir novas. É tempo de dar amor e receber amor, com dignidade. Cuidados paliativos respeitosos facilitam isso. Mas isso só pode ser alcançado com uma ampla conscientização e ação da comunidade para mudar o status quo”, defende o coautor do trabalho M.R. Rajagopal, da Índia.

O grupo de peritos analisou a forma como as sociedades de todo o mundo gerem a morte e os cuidados às pessoas que estão em fim de vida, elaborando recomendações aos formuladores de políticas, governos, sociedade civil e sistemas de saúde e assistência social.

Entre as diversas recomendações, os peritos incluem a educação sobre a morte, o ato de morrer e os cuidados no final da vida para pessoas em fim de vida, as suas famílias e profissionais de saúde e assistência social.

Defendem também que o acesso ao alívio da dor no final da vida deve ser uma prioridade global, que a gestão do sofrimento deve estar ao lado do prolongamento da vida como uma prioridade na assistência à saúde e que se deve falar mais sobre a morte e o luto.

Recomendam maior apoio das redes de cuidado às pessoas que estão a sofrer e a morrer e para quem cuida e defendem que os pacientes e as suas famílias devem receber informações claras sobre as incertezas, bem como os potenciais benefícios, riscos e danos das intervenções em doenças potencialmente limitantes da vida para permitir decisões mais informadas.

Outra das recomendações dos peritos é que os governos criem e promovam políticas de apoio aos cuidadores informais e licenças remuneradas por luto em todos os países.

A comissão reconhece, contudo, que estão a acontecer “pequenas mudanças”, com o aparecimento de modelos de ação comunitária para discutir a morte, alterações nas políticas nacionais para apoiar o luto ou o facto de alguns hospitais estarem a trabalhar mais em parceria com as famílias.

Embora a mudança em grande escala leve tempo, os peritos apontam para o exemplo de Kerala, na Índia, onde, nas últimas três décadas, a morte e o ato de morrer foram reivindicados como uma preocupação e responsabilidade social por um amplo movimento social composto por dezenas de milhares de voluntários, complementado por mudanças nos sistemas políticos, legais e de saúde.

“Todos nós vamos morrer. A morte não é apenas ou, até mesmo, sempre um evento médico. A morte é sempre um evento social, físico, psicológico e espiritual e, quando a entendemos como tal, valorizamos mais corretamente cada participante deste drama”, acrescenta o coautor do trabalho, Mpho Tutu van Furth, padre em Amstelveen, na Holanda.

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