"Tem a ver com a conjuntura que todos temos estado a viver", de confronto com uma pandemia e com uma consciencialização sobre alterações climáticas, sublinhou à agência Lusa a diretora do Festival Mental, a terapeuta Ana Pinto Coelho.

O quinto Festival Mental, que junta informação e Cultura para "combater o estigma" das doenças mentais, decorrerá entre quinta-feira e o dia 28 no cinema São Jorge, na Fábrica Braço de Prata e no espaço atmosfera m.

Uma das programações centrais do festival é a realização de debates, com especialistas em saúde mental e jornalistas, seguidos de exibição de um filme.

Ana Pinto Coelho lembra que este festival "não é para nichos, é para toda a gente", com o desejo de que o público participe e intervenha nos debates.

"Este ano vamos explorar mais profundamente a ecoansiedade. É um tema que ainda não se fala em Portugal como deve ser, há pouco ou quase nada de informação sobre isto. A ecoansiedade tem a ver com desesperança em relação à Humanidade e está ligada à extinção do planeta, que está a acontecer neste momento", explicou a diretora.

O debate sobre ecoansiedade contará com a participação dos psicólogos clínicos Nuno Colaço e Sérgio Viana e a psiquiatra Beatriz Lourenço, e será moderado pela jornalista Cristina Esteves, seguindo-se o filme "No coração da escuridão", de Paul Schrader.

No Festival Mental será ainda apresentado o livro "Isto não é uma invenção - Ecoansiedade e o futuro do planeta", de Paulo Vieira de Castro.

Sobre quem sofre de ecoansiedade, Ana Pinto Coelho descreve que "é gente muito preocupada com as coisas, muito pouco egoísta. É uma geração muito, muito altruísta e que se preocupa verdadeiramente com o que está a acontecer com o planeta. (...) O que passam é o mesmo de uma ansiedade normal, mas não têm esperança nenhuma de resolver isto. Ao passo que uma ansiedade normal pode resolver-se".

O Festival Mental voltará a falar de depressão, com um debate conduzido pela radialista Vanessa Augusto, com as psicólogas Alexandra Antunes e Inês Amaro e com o psiquiatra Ricardo Gusmão. O filme temático será "Manchester by the Sea", de Kenneth Lonergan.

Este ano, é a primeira vez que o Festival Mental não terá um painel de debate sobre dependências ou comportamentos aditivos.

"Desta vez optámos pelas somatizações e tem a ver com a conjuntura que estamos a viver. Pessoas com um quadro mais ansioso ou depressivo que somatizam isso no corpo. São as dores de alma, as dores do que as pessoas não viveram no confinamento, de tudo isso que passam para o corpo", concretizou.

Associado ao debate sobre somatização, moderado pelo jornalista João Almeida e com Miguel Ricou, Maria João Barros e Sílvia Ouakini, todos ligados à Psicologia e Psiquiatria, será exibido o filme "Inadaptado", de Spike Jonze.

Da restante programação, destaque para um debate direcionado para pais e filhos, com André Maravilha, enfermeiro especializado em saúde mental, e para a apresentação da peça de teatro "As sereias vivem no espaço", uma encenação do Grupo de Teatro Terapêutico ligado à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O Festival Mental é uma iniciativa da Safe Space Portugal, uma associação sem fins lucrativos, de promoção da literacia em saúde mental, em coprodução com o Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde.

Depois de Lisboa, o Festival Mental terá uma extensão em junho no Funchal e, em setembro, em Castelo de Vide (Portalegre) e em Ponta Delgada, nos Açores.

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