Segundo a investigadora Sera Young, especialista em geofagia na Universidade de Cornell University, o Irão, a Argentina, a Namíbia, o Quénia ou os Camarões são alguns dos países onde comer terra não é considerado um tabu ou uma anormalidade. Aliás é muitas vezes um aspeto cultural que não é compreendido por outros povos.

Há quase 20 anos a estudar o assunto, Young refere que por exemplo no Quénia é possível comprar diversas especiarias no mercado local sem ter ninguém a olhar de lado. Mas o mesmo não se verifica por exemplo nos Estados Unidos ou Reino Unido. Neste caso pode-se adquirir terra através da internet ou em mercearias africanas.

“Estes desejos relacionados com produtos não-alimentares são bastante comuns e acontecem mesmo debaixo dos nossos narizes”, afirmou em entrevista à BBC. O consumo de terra é bastante comum entre grávidas e crianças.

Apesar de existir quem considere a geofagia uma doença, a verdade é que há quem defenda que este hábito também tem propriedades curativas e nutricionais, podendo aliviar dores de estômago, bloquear toxinas ou fornecer nutrientes extra ao nosso corpo.

Mas os especialistas pedem cautela uma vez que o hábito de comer terra pode causar adição, tal como acontece com o álcool ou as drogas. “Com a geofagia, a linguagem ligada ao abuso de substâncias é muito comum”, explica Sera Young que refere ser necessária uma investigação mais profunda para compreender melhor este fenómeno.

“Eu não estou a dizer que toda a gente deve comer três colheres de terra todos os dias. Mas certamente também não sabemos o suficiente para rejeitar este tipo de comportamento”, remata.

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