Adriano Ribeiro, que faz aquela feira há 21 anos, apregoava as máscaras que tinha à venda, dizendo que são “certificadas”, reutilizáveis e aguentam “à vontadinha” mais de 20 lavagens.

“São duas máscaras, três euros”, refere.

Neste regresso da feira semanal de Braga, após um interregno provocado pela pandemia de COVID-19, Adriano decidiu apostar na venda de máscaras para ver se consegue “salvar” o negócio.

Hoje, pelas 10:00, apenas tinha feito nove euros, precisamente com a venda de três pares de máscaras.

“Os clientes são muito poucos, ainda há muito medo, não ganhamos para o lugar. Isto [COVID-19] veio parar o mundo, nem com a peste negra se chegou a este ponto”, atira.

À entrada de feira, um placard mostrava uma espécie de código de conduta: máscara obrigatória para todos, dispensador de desinfetante em cada posto de venda, higienização das mãos e proibição de tocar nas bancas.

Regras que, de uma forma geral, foram sendo cumpridas por comerciantes e clientes, embora, como disse a responsável por uma tenda de roupa, seja “praticamente impossível evitar” que o cliente toque na banca e no produto.

“Quem compra, é claro que gosta de tocar”, referiu.

As oportunidades de negócio decorrentes da pandemia de COVID-19 também estavam à vista na tenda de roupa de António Lucas, que à entrada tinha um dispensador de desinfetante acionável com o pé.

“Se quiser um aparelho destes, também arranjo”, referiu, confessando que é o filho quem está a comercializar aquele produto e que, no fundo, a feira funciona como uma “montra”.

Para António Lucas, que opera na feira de Braga há mais de 35 anos, o tempo é “de começar de novo”.

“Na verdade, já tem havido feiras com menos gente do que hoje, mas ainda vai havendo algum medo e o dinheiro também não é muito. Se hoje der para as despesas, já não será mau”, afirma.

De resto, a feira decorreu com aparente normalidade, com distanciamento entre tendas e com pouca gente no recinto.

“O vírus deu cabo de tudo, mas melhores dias hão de vir”, vaticina Eduarda Martins, que se dedica à venda de roupa para criança, essencialmente para cerimónias.

Entretanto, e como tristezas não pagam dívidas, João Paulo Pereira, veterano em feiras e vendedor de roupa interior, animava o recinto com os seus pregões brejeiros, aproveitando também a viseira que envergava para publicitar o preço das cuecas.

“A feira? Está o costume, está o costume”, ia dizendo, adiantando que nunca foi muito “de dar mau tempo”.

Portugal regista hoje 1.247 mortes relacionadas com a COVID-19, mais 16 do que na segunda-feira, e 29.432 infetados, mais 223, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção Geral da Saúde.

O país entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à COVID-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.