“Definitivamente, é preciso repensar o tema do rácio de pessoas em lojas neste momento de saúde pública que estamos a viver. Nós temos em Portugal o índice mais baixo da Europa – cinco pessoas por 100 metros quadrados – sem paralelo com mais nenhum outro Estado membro neste momento. Mesmo países que estão com outro tipo de incidência da pandemia têm um rácio superior, normalmente no mínimo o dobro do que existe em Portugal”, afirmou o diretor-geral da AED durante a apresentação do barómetro anual da associação.

Para Gonçalo Lobo Xavier, esta situação não tem “razão absolutamente nenhuma” para continuar, já que, “por um lado, põe em causa a sustentabilidade dos negócios, sobretudo do retalho especializado, e, por outro, não tem adesão com a realidade e com as necessidades de cumprimento de legislação e de saúde pública”.

“Não é nos espaços comerciais que há transmissão de vírus. Pode haver transmissão de vírus é se insistirmos nesta teimosia de não olharmos para o facto de as lojas terem feito investimentos – avaliados em 2% a 3% do orçamento anual previsto para 2020, segundo a APED - e estarem estruturalmente preparadas para receber mais clientes, mas estarem quase vazias ou com um tráfego muito reduzido”, sustentou.

Segundo o dirigente associativo, o perigo pode sim estar, “em dias de muita afluência, em ter clientes à porta a fazer fila”, formando aglomerados de pessoas que os lojistas “não podem controlar”.

“Isto resolvia-se aumentando o rácio de consumidores em loja, mantendo nós a eficácia de proteção dos consumidores e dos nossos colaboradores”, defende Gonçalo Lobo Xavier, afirmando que a associação ficaria “muito contente” se o rácio duplicasse (para 10 pessoas por 100 metros quadrados), mas que “tudo o que fosse acima de sete [clientes por m2] já dava sinal muito interessante para o mercado”.

“Tudo o que seja entre sete e 10 já era suficiente para manter os níveis de equilíbrio e de saúde pública dentro dos espaços e já dava um outro débito para as lojas poderem ter mais tráfego com os processos todos controlados”, acrescentou.

Também reclamados pela APED são uma “maior clareza e planeamento” das medidas anunciadas, de forma a permitir aos operadores adaptarem-se às regras: “Anunciar medidas a uma quinta-feira e esperar por um decreto que sai no sábado à meia-noite, para as medidas entrarem em vigor na segunda, é muito complicado. É preciso que o Governo entenda que temos de planear a vida dos nossos colaboradores e os espaços das nossas lojas e isto cria uma pressão que não se justifica”, sustentou Gonçalo Lobo Xavier.

A associação critica ainda o facto de, “muitas vezes, os próprios despachos e decretos serem tão dúbios na sua redação que levantam dívidas operacionais gigantescas”.

“Precisamos de mais clareza, para depois não termos de estar a discutir com as autoridades as interpretações que se fazem da lei”, reclama.

Segundo os dados hoje divulgados pela APED, as vendas do retalho alimentar e especializado caíram 1,5% no ano passado face a 2019, para 22.653 milhões de euros, com o aumento de 8,1% da faturação no segmento alimentar (para 15.621 milhões de euros) a não conseguir compensar a queda de 17,7% do retalho especializado, para 7.032 milhões de euros.

Apesar do “forte impacto” das restrições impostas devido à pandemia de covid-19 nos diferentes mercados do retalho especializado, a APED considera que os números de 2020 mostram um “setor resiliente”.

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