Alguns cabos ainda estão pendurados no teto e os painéis de separação ainda não foram instalados, mas os soldados alemães trabalham para que esta estrutura hospitalar de emergência instalada no centro de Berlim possa absorver a segunda onda de pacientes do novo coronavírus.

Os hospitais estão a preparar-se para um novo aumento das infeções pelo fim do confinamento. Trata-se de um medo real destacado pela chanceler Angela Merkel, que denunciou a "orgia" de discussões sobre o retorno à normalidade e a falta de disciplina da população.

Existe um "perigo" de que as infeções retomem "se todas as medidas restritivas forem retiradas prematuramente", disse na terça-feira Lars Schaade, vice-diretor do Instituto Robert Koch, a agência responsável pelo controlo de doenças.

No Hospital Universitário de Aachen, que recebeu os primeiros casos graves de COVID-19 na Alemanha, ainda existem dezenas de camas vazias. "Estamos prontos para reagir com rapidez", disse o diretor do Serviço de Cuidados Intensivos, Gernot Marx.

País preparado

"Nunca tivemos que escolher" até agora ao classificar pacientes, afirmou Anne Brücken, médica desde hospital. "Espero que continue assim", acrescentou.

Atualmente, quase 13.000 camas de cuidados intensivos dos 32.000 na Alemanha estão desocupadas, disponíveis para receber novos pacientes. "A Alemanha está pronta para uma possível segunda onda", garantiu o presidente da companhia hospitalar DKG, Gerald Gass.

Com 33,9 camas de cuidados intensivos por 100.000 habitantes (contra 8,6 em Itália, 16,3 em França e 4,2 em Portugal), a Alemanha estava bem preparada para a pandemia. Mas ainda assim decidiu aumentar a sua capacidade. Atualmente, o país tem uma taxa de mortalidade superior a 3%, abaixo da maioria dos outros países e semelhante à portuguesa.

Desde a sua aparição na China, em dezembro, a pandemia já matou mais de 200 mil pessoas em todo mundo, incluindo 5.321 na Alemanha, que contabiliza oficialmente 150.000 casos.

"Nos próximos meses, pretendemos manter disponíveis 20% das nossas camas com assistência respiratória e também apontamos a possibilidade de mobilizar outros 20% em 72 horas, se uma segunda onda surgir, e as infeções reiniciarem", disse Gass à AFP.

Este responsável também defende uma retomada gradual do trabalho normal no hospital, já que operações não essenciais foram canceladas para diminuir o congestionamento. "No geral, os nossos hospitais estão menos ocupados agora do que o habitual nesta temporada", explicou. "Se não levarmos a sério", o começo do desconfinamento "trará uma segunda onda mais dura que a primeira", opinou a virologista Melanie Brinkmann em entrevista à revista "Der Spiegel".

A segunda onda pode ter "uma virulência completamente diferente" da primeira, alertou na quinta-feira o virologista Christian Drosten, do hospital Charity de Berlim, em declarações ao canal de televisão público NDR.

"O vírus continuará a espalhar-se na Alemanha pelas próximas semanas, ou meses, e neste verão", disse o especialista, que alertou para a ocorrência simultânea de casos "em todos os lugares ao mesmo tempo".

Berlim implementa um retorno gradual à normalidade, acompanhado por centenas de milhares de testes por semana, enquanto o uso da máscara está a tornar-se obrigatório no transporte público e, em certas regiões, nos comércios.

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