A Colangite Biliar Primária (CBP) é uma doença do fígado caracterizada pela destruição lenta e progressiva dos pequenos ductos biliares dentro do fígado. "É uma doença de natureza autoimune, uma vez que tem origem numa reação imunológica anormal em que o corpo ataca uma parte normal do seu próprio organismo, neste caso os ductos biliares, levando à sua destruição. Os ductos biliares são responsáveis por permitir o fluxo de bile do fígado. A sua destruição leva à má drenagem de ácidos biliares. Assim, os ácidos biliares extravasam os ductos biliares, resultando na lesão das células circundantes do fígado, o que causa inflamação, e pode levar, posteriormente, ao aparecimento de cicatrizes no fígado", explica a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) em comunicado.

Guilherme Macedo, presidente da SPG, esclarece que "o diagnóstico de CBP resulta, em grande parte dos casos, de uma avaliação de rotina (ALT, fosfatase alcalina e GGT). Esta suspeita é geralmente feita pelo Médico de Família, que posteriormente encaminha o doente para um especialista em doenças do fígado, o Gastrenterologista".

O especialista recomenda que "que por se tratar de uma doença silenciosa, todas as pessoas devem incluir estas na avaliação de rotina e não aguardar pelos sintomas pois quando a CBP é diagnosticada tarde a doença pode evoluir para cirrose, e até complicar-se com o aparecimento de cancro no fígado".

Rara e crónica

A CBP é uma doença rara, crónica que afeta primariamente o fígado e atinge cerca de mil doentes em Portugal. No Dia Internacional da Colangite Biliar Primária, a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia reforça a mensagem da importância do diagnóstico e tratamento precoce desta doença silenciosa. A realização de análises para a sua deteção precoce é essencial para evitar uma doença hepática crónica irreversível, como é o caso da cirrose e o cancro do fígado.

"Trata-se de uma doença rara. Em Portugal, estima-se que possam existir cerca de mil doentes com CBP, sendo que o seu diagnóstico tem aumentado ao longo das últimas décadas. Não se sabe, no entanto, se este aumento de diagnósticos está associado a um verdadeiro aumento da incidência da doença, ou pelo fato de os médicos estarem mais alertas para apresentação e diagnóstico", lê-se na nota da SPG.

Afeta sobretudo mulheres, numa proporção de 9 a 10 mulheres por cada homem afetado, geralmente entre os 40 e os 60 anos de idade. A maioria dos doentes não têm sintomas na fase inicial da doença. Quando estes se desenvolvem, os mais frequentes são a fadiga (cansaço) e o prurido (comichão).

Esta doença não tem cura. No entanto, o tratamento permite estabilizar a doença durante vários anos. Contudo, nem todos os doentes respondem a este tratamento, pelo que nestes a doença pode continuar a progredir. Nos últimos anos surgiram novas terapêuticas (como o ácido obeticólico e os fibratos) que podem ser úteis neste grupo de doentes.

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