Um grupo de investigadores internacionais, liderado por Rita Guerreiro, identificou uma variante de um gene que aumenta o risco de doença de Alzheimer, o que pode ajudar ao futuro desenvolvimento de medicamentos.

"Encontramos este gene em particular, bastante interessante para a doença, uma variante que estava significativamente aumentada no grupo de doentes de Alzheimer em relação ao grupo de controlo", explicou à agência Lusa a cientista Rita Guerreiro.

O estudo, que abrangeu 1.092 doentes de Alzheimer e um grupo de controlo com 1.107 elementos saudáveis, foi desenvolvido por 80 cientistas liderados pela University College London, através do Instituto de Neurologia, em colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health), em Washington, nos EUA.

Os resultados são hoje divulgados na publicação especializada New England Journal of Medicine.
"A variante que está significativamente aumentada é a R47H que aparece em cerca de 2% dos doentes com Alzheimer e em cerca de 0,5% de pessoas sem a doença, [o que] é estatisticamente significativo", revelou a cientista do University College London.
Esta é uma variante "muito rara" e só aparece em 0,2% da população.

"Não é causadora da doença (...), é um fator de risco", fez questão de realçar Rita Guerreiro.
A investigadora explicou que os resultados foram replicados em outros grupos independentes e a associação confirmada.

"Identificamos genes que podem vir eventualmente no futuro a ser úteis para o desenvolvimento de fármacos e terapias que venham a ajudar a doença. Neste momento, praticamente não existem [medicamentos] para a doença de Alzehmer", frisou a especialista.

Atualmente, são utilizadas "drogas que influenciam o comportamento e nem sempre é claro que isso aconteça em todos os doentes".
Os investigadores tentam identificar o maior número de proteínas e de moléculas envolvidas na doença para a conhecer melhor, como variantes genéticas que influenciem o desenvolvimento ou modelem a patologia.

"Esta é uma das descobertas mais influentes dos últimos 20 anos porque é um gene novo que tem uma variante com um risco médio ou forte. Isto vai permitir estudar novos genes, novas proteínas, novas moléculas que vão interagir com este gene" e permitir saber mais sobre a doença, resumiu Rita Guerreiro.
O gene TREM2 controla uma proteína que está envolvida na regulação da resposta imunológica a doenças.

15 de novembro de 2012

@Lusa

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