A propósito dos números do Registo Oncológico Nacional (RON) de 2009, hoje divulgados, que apontam para um aumento do cancro do cólon na última década, Vitor Neves começou por lamentar que estes dados sejam apresentados sete anos depois.

O cancro do cólon “já é a primeira causa de morte de doença oncológica em Portugal”, afirmou, apresentando dados europeus de 2012, os quais apontam para 7.200 novos casos desta doença, nesse ano.

“São onze pessoas que morrem por dia em Portugal, devido a esta doença, e isso é dramático num país europeu, em 2016”, afirmou.

Falta de rastreios

Vitor Neves prosseguiu, lamentando que não exista ainda um rastreio desta doença, o qual permite reduzir a incidência do cancro do cólon e, sobretudo, os casos de doença avançada.

“A política preventiva deve substituir a curativa”, defendeu, recordando que, além de salvar vidas, os rastreios permitem “poupar dinheiro”.

O presidente da Europacolon disse estranhar que, até ao momento, o ministro da Saúde não se tenha pronunciado sobre a intenção de realizar um rastreio de base populacional, organizada pela tutela.

“Os casos pontuais [de rastreio] são bons, mas são atitudes. Precisamos de um rastreio de base populacional, tal como acontece com o cancro na mama”, defendeu.

De acordo com a diretora do ROR-Sul, Ana Miranda, na região sul, “o cancro do cólon tem vindo a subir nesta década”, aumentando de 32 novos casos, por 100 mil habitantes, em 2000, para 42 novos casos, em 2010.

“O cancro do cólon é uma preocupação, porque está muito associado aos hábitos alimentares. Mudámos da dieta mediterrânica – com frutas e legumes - para uma dieta com alimentos processados, refinados, com mais açúcares, hidratos de carbono menos consumos de frutas e legumes”, disse.

O cancro do cólon e do reto é o mais comum na Europa e o terceiro a nível mundial.

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