A investigação científica liderada pela Fiocruz, com participação de especialistas da Universidade de Aveiro e Universidade de Coimbra, apontou que a grande diversidade animal e vegetal do Brasil, e os aumentos recentes nas vulnerabilidades sociais e ecológicas do país, associados aos cenários políticos e económicos, podem "atuar como incubadora de possível pandemia provocada por zoonoses (doenças infecciosas de circulação animal que podem ser transmitidas para os seres humanos)".

“A partir de um modelo de avaliação que identifica diferentes interações entre os elementos que investigamos, conseguimos observar mais amplamente os processos que moldam o surgimento de zoonoses em cada estado brasileiro”, apontou, citada num comunicado, Gisele Winck, autora do artigo e investigadora do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do Instituto Oswaldo Cruz.

Segundo o trabalho publicado, três principais componentes de risco estão em foco na avaliação: vulnerabilidade, exposição e capacidade de enfrentamento.

“Dentro dos grupos principais, são observadas variáveis mais específicas como a quantidade de espécies de mamíferos silvestres, perda de vegetação natural, mudanças nos padrões de uso da terra, bem-estar social, conectividade geográfica de cidades e aspetos económicos”, referiu a Fiocruz.

“Os resultados colocam em evidência o desflorestamento e a caça de animais silvestres como fatores de grande relevância para o aparecimento de novas e antigas infeções. O estudo aponta, ainda, que todo o território brasileiro está suscetível a emergências ocasionadas por zoonoses, com uma maior probabilidade em áreas sob influência da floresta amazónica”, acrescentou.

Foram identificados 63 mamíferos que interagem com 173 parasitas propícios a causar pelo menos 76 diferentes doenças.

Todavia, o estudo ressaltou que para uma zoonose se tornar epidémica é necessário o alinhamento de diferentes fatores ecológicos, epidemiológicos e comportamentais, incluindo a mobilidade humana como um fator de importância.

“O fluxo humano é crucial no espalhamento de zoonoses, principalmente em infeções cuja transmissão ocorre de pessoa para pessoa após o salto de espécies, como é o caso da covid-19. A partir do momento em que esses patógenos alcançam cidades super espalhadoras, como São Paulo e Manaus, a transmissão é amplificada e exportada para diversas outras regiões”, explicou Cecília Siliansky de Andreazzi, também, pesquisadora do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios.

As investigação da Fiocruz apontou, ainda, a carne de caça como via crítica para o risco de “transbordamento” de doenças, quando patógenos exclusivos do meio animal passam a circular entre outras espécies.

Apenas oito estados brasileiros apresentam níveis baixos de risco de zoonoses: Pará, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe.

Participam do trabalho publicado na Science Advances investigadores de diferentes áreas da Fiocruz, especialistas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Faculdade Maurício de Nassau, União Internacional para a Conservação da Natureza, Universidade de Aveiro e Universidade de Coimbra.

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