O 2º Congresso da Associação Psiquiátrica Alentejana (APA) começa hoje, em Serpa, para debater o tema “O suicídio no Alentejo”. O psiquiatra Daniel Serpa revela ao SAPO Saúde que o “stress, as dificuldades em encontrar respostas para resolver os seus problemas do dia a dia e a responsabilidade social ou familiar “ são algumas das causas que provocam este flagelo. A iniciativa da APA pretende analisar a taxa do suicídio na região e as causas que levam a este flagelo.

Durante três dias, a APA irá debater temas como “A psiquiatria, o futuro e as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação)” e a “A importância da psiquiatria na crise”, este último apresentado pelo psiquiatra Daniel Serpa, que pretende com a sua intervenção “suscitar uma reflexão “inter pares” sobre  as medidas que, no âmbito do Plano Nacional de Saúde Mental recentemente aprovado, possam orientar a ação dos intervenientes na prestação de cuidados à população que deles, agora, mais do que nunca, necessita.

Com uma taxa prevalência cada vez mais elevada, o suicídio é já a causa de morte de mais de 1000 portugueses por ano. António José Albuquerque, presidente da APA, confirma à agência Lusa que “o Alentejo é a região do mundo com a mais elevada taxa de suicídio”, acrescentando que "tem havido, há cerca de um ano e meio/dois anos, um aumento grande de toda a problemática psiquiátrica ligada à crise".

Apesar da taxa de suicídio visível na sociedade portuguesa, Daniel Seabra afirma que os portugueses estão a mudar o seu comportamento perante a procura de ajuda psiquiátrica: “Felizmente, os tempos são outros e o estigma da doença psiquiátrica e do “ir ao psiquiatra” está muito atenuado. Talvez seja prova disso o número de consultas de psiquiatria no Serviço Nacional de Saude e a dificuldade em, por vezes, encontrar resposta sem espera demasiado longa.”

Os tempos estão a mudar e a “evidência de crises anteriores leva a considerar que as políticas de  fomento de emprego e outras de nível social, são o meio mais eficaz para a melhoria do bem-estar e do estado emocional dos cidadãos”, afirma Daniel Seabra, para quem “as respostas políticas integradas devem incluir serviços de saúde acessíveis, de proximidade, com foco sobre a resposta dos cuidados de saúde primários.”

Para o psiquiatra, “os psicofármacos mostram-se pouco eficazes nas crises sociais com repercussão económica”  sendo “o apoio da família” “ um fator chave para que o paciente se sinta bem”.

A APA é uma associação sem fins lucrativos, sediada no concelho de Santiago do Cacém, com especial interesse nas diversas problemáticas de psiquiatria e saúde mental no Alentejo.

31 de maio de 2012

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