Graças ao conhecimento científico atual, já é possível responder a 80% das perguntas clínicas em menos de 90 segundos, garante António Vaz Carneiro, pai da medicina baseada na evidência em Portugal e presidente do Conselho Científico do novo Instituto de Saúde Baseada na Evidência, em entrevista à edição de janeiro de 2020 da revista Prevenir, já nas bancas de todo o país. "Estamos à beira de uma revolução na medicina", assegura mesmo o especialista.

Num futuro próximo, muito irá mudar. "Estou convencido que, pela primeira vez na minha vida profissional, estamos à beira de uma revolução. A prática clínica vai-se alterar nos próximos cinco a dez anos, não tanto porque vai aparecer tecnologia nova, muita dela já existe, mas porque vamos ser capazes de tratar mais individualmente cada doente graças à medicina de precisão. Mas também porque os próprios cuidados se vão transformar", acredita o dirigente.

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"O médico assistente vai desaparecer porque os serviços vão-se organizar para poder responder, em equipa, 24 horas por dia, sete dias por semana. No fundo, teremos um sistema com um modelo semelhante ao das unidades de cuidados intensivos atuais", afirma António Vaz Carneiro, médico especialista em medicina interna, nefrologia e farmacologia clínica, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e também diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseados na Evidência (CEMBE), do Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública, do Instituto de Saúde Ambiental e do Instituto de Formação Avançada, autor do livro "Mitos e crenças na saúde", publicado recentemente pela editora Livros Horizonte.

A investigação, que continua a fazer, é outra das tarefas que o ocupam. "Na saúde e na doença, há uma grande incerteza sobre a maneira como as células funcionam porque os doentes não são máquinas e cada um tem as suas particularidades", refere o especialista. "Acreditávamos que a medicina preventiva ia ter um efeito extraordinário e, afinal, constatou-se ter um resultado mais modesto do que o esperado, pois muitas doenças nada têm a ver com prevenção", confidencia.

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