A doença alérgica tem tido um aumento exponencial nas últimas décadas nos países desenvolvidos. Acredita-se que este fenómeno esteja relacionado com o aumento da poluição atmosférica, a crescente utilização de antibióticos e a diminuição do contato dos seres humanos com a terra e com bactérias. Este é um dos “preços do progresso”.

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Além disto a base genética é de extrema importância. O risco de Rinite Alérgica aumenta 50% quando um dos pais é alérgico e ultrapassa os 80% quando ambos os progenitores o são.

As chamadas “alergias de primavera” caracterizam-se por espirros, comichão no nariz/olhos, obstrução nasal, pingar do nariz e olhos vermelhos. Tecnicamente estes sintomas traduzem uma doença chamada Rinite Alérgica. O nosso sistema imunitário assume como inimigas determinadas substâncias (pólenes) consideradas habitualmente banais e faz disparar um alerta interno que leva a uma cascata de reações que culminam nos sintomas de Rinoconjuntivite Alérgica.

As substâncias "inimigas"

Em Portugal os pólenes mais frequentemente implicados na doença alérgica são os das gramíneas, cuja polinização ocorre de março a junho. Outro pólen frequente é o da Oliveira que poliniza de maio a junho. A Parietária Judaica (alfavaca-de-cobra) é uma erva com dois picos de polinização anual, um primeiro em abril e maio e um segundo em setembro e outubro. As condições meteorológicas têm mudado muito nas últimas décadas o que gera alguma confusão nas estações do ano tornando-se difícil prever as épocas polínicas.

Este tipo de alergia de caráter sazonal, volta a aparecer na primavera seguinte. Existe uma inflamação crónica que é ativada todas as primaveras pelos aeroalergénios que andam no ar.

É muito habitual a desvalorização da doença alérgica e ser quase assumido como normal ter alergias na primavera. A habituação a estes sintomas primaveris leva a um decréscimo importante da qualidade de vida dos doentes. Os doentes tomam anti-histamínicos de forma pontual e irregular mascarando sintomas em vez de tratar a doença. A rinite alérgica deve ser tratada pois pode evoluir para asma alérgica com o passar dos anos.

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Se existem sintomas compatíveis com uma possível alergia, deve consultar um Imunoalergologista e fazer os exames necessários. Os sintomas de rinite podem ser aliviados com alguns sprays nasais e com anti-histamínicos. Muitas vezes é possível prescrever “vacinas das alergias” (Imunoterapia específica) de modo a controlar a evolução das doença, minimizar os sintomas, diminuir o uso de fármacos e inibir a evolução da rinite para a asma.

Embora não exista cura para as Alergias, existem maneiras de controlar os sintomas e ter qualidade de vida na época polínica.

Conselhos para a primavera

- Informe-se sobre os pólenes que circulam no ar. Consulte o boletim polínico disponível no Site da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (www.spaic.pt).

-Evite idas ao campo durante os períodos de grande concentração de pólenes

- Protega os olhos com óculos escuros durante o dia

- Abra as janelas de sua casa ou de manhã muito cedo ou apenas ao início da noite

- Ande de carro de janelas fechadas

- Ande de mota com capacetes fechados.

Um artigo da médica Sofia Luz, imunoalergologista no Hospital Lusíadas Lisboa e autora do projeto "Senhora Alergia".

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