Galina Mindlin, Joseph Cardillo e Don Durousseau. Três investigadores juntaram-se com o intuito de dar a conhecer como a música de que mais gostamos pode ser usada para tratar insónias, atenuar o stresse e a ansiedade, melhorar o humor, aliviar a dor emocional ou ajudar as pessoas a lidarem com as mudanças que ocorrem nas suas vidas. O resultado desta parceria foi o livro «Your Playlist Can Change Your Life», publicado pela editora Sourcebooks nos EUA.

Para perceber exatamente qual é o poder da música e como devemos utilizá-lo, falámos com uma das autoras do livro, Galina Mindlin, fundadora da Brain Music Therapy (BMT) e professora assistente de psiquiatria na Universidade de Columbia. Como fundadora da Brain Music Therapy (BMT), Galina Mindlin teve oportunidade de ver este tratamento obter resultados muito positivos e começou a pensar como poderia tornar a BMT acessível a todos.

«Um dos coautores deste projeto é Don DuRousseau, neurocientista cognitivo que colabora comigo na área da Brain Music Therapy, e o outro é Joseph Cardillo, psicólogo e autor de vários bestsellers», explica. «O que nos juntou foi termos chegado à importante conclusão de que, com alguma orientação sobre o modo como a música pode ser utilizada para treinar o cérebro, as pessoas podiam usar as suas canções favoritas para otimizar a forma de pensar em situações específicas do dia a dia», diz.

As vantagens de tirar partido dos sons e das melodias não se ficam, contudo, por aqui. «Este livro oferece uma ferramenta poderosa, natural, sem efeitos secundários, de aliviar a ansiedade e a dor emocional, reforçar a memória, organizar a mente e melhorar o seu estado de alerta», acrescenta ainda a especialista da BMT, que aconselha as pessoas com problemas a ouvir mais música.

Música e cérebro

Galina Mindlin é perentória ao afirmar que «existem inúmeras evidências científicas que documentam os efeitos benéficos da música no bem-estar físico, psicológico e espiritual. A música afeta todas as partes do cérebro. Tem a capacidade de influenciar tudo, desde aquilo que pensamos e sentimos antes de adormecermos, até à forma como nos lembramos das coisas», refere ainda a especialista.

«Neste contexto, uma lista de músicas pode ser usada para modificar e reprogramar o modo como nos sentimos, estamos e atuamos. Devemos pensar como nos queremos sentir, estar e agir em determinado contexto. Por exemplo, numa reunião importante de trabalho. Imaginemos que, para si, o ideal seria estar mais tranquila. Deve selecionar uma sequência de músicas que a façam chegar a esse estado de espírito», recomenda.

«Ouça-as antes e após uma reunião. Ao fazer isso, vai enviar ao seu cérebro a mensagem de como se quer sentir em todos os cenários similares», assegura Galina Mindlin. «Em pouco tempo, conseguirá chamar essa tranquilidade para essas situações particulares sempre que desejar, com ou sem a música», explica a fundadora da BMT, que acrescenta que o nosso estado de espírito ótimo significa «sentirmo-nos relaxados e focados em simultâneo, resulta de um equilíbrio entre estarmos tranquilos e alerta», diz.

Veja na página seguinte: Como escolher a sua playlist

Posologia da música

Para que a sua playlist lhe permita obter os resultados desejados, tem de escolher criteriosamente as músicas, tendo em conta a meta a atingir e experimentar ouvi-las várias vezes para ver se o efeito é aquele que tinha em mente. Como alerta Galina Mindlin, «pode acontecer selecionarmos músicas que vão aumentar o stresse e a ansiedade quando o nosso objetivo era apenas aumentarmos o nosso estado de alerta durante uma apresentação que vamos fazer no emprego».

«Um estudante pode ouvir músicas com o intuito de ficar mais calmo antes de um exame e essas músicas inibirem o seu estado de alerta ou a memória», exemplifica ainda a especialista. Nos últimos anos, foram vários os estudos apresentados que elogiam os poderes terapêuticos desta arte. Algumas investigações asseguram mesmo que a música é um poderoso aliado na fase de tratamentos contra o cancro.

Como escolher a sua playlist

Estes são os passos que deve seguir:

1. Escolha músicas de que goste muito.

2. Preste atenção à maneira como se sente quando ouve determinadas músicas.

3. Procure músicas que o consigam acalmar em situações específicas.

4. Procure músicas que o energizem em situações específicas.

5. Tente perceber quando é que uma música funciona ou não para obter o efeito desejado.

6. Implante as músicas na sua memória ouvindo-as muitas vezes.

7. Faça playlists apropriadas e exclusivas para determinadas tarefas.

8. Ouça a playlist entre sete a dez minutos antes e após executar essas tarefas. Vai constatar efeitos positivos no decorrer de duas semanas e resultados totais no espaço de três meses. Passados esses três meses, a sua mente vai conseguir chegar ao estado desejado, mesmo sem a música.

Texto: Teresa D'Ornellas com Galina Mindlin (coautora do livro «Your Playlist Can Change Your Life»)

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