A ideia de menopausa tem tido, desde há muito, conotações negativas na nossa sociedade, principalmente relacionadas com estigmas de envelhecimento, mas a transição para a menopausa pode ser um tempo de reflexão e de inspiração; é uma fase normal e natural da vida da mulher e um período de vida que pode ser tão bem vivido como os das idades mais jovens.

O que é afinal a menopausa?

A menopausa é um acontecimento fisiológico, natural na vida das mulheres, podendo ser um período crítico para algumas, ou uma satisfação para outras.

Define-se como uma data, a data da última menstruação na vida de uma mulher.

A idade de estabelecimento da menopausa é, em média, de 51 anos nos países europeus, podendo variar entre os 45 e os 55 anos. Quando acontece entre os 40 e os 45 anos denomina-se menopausa precoce, e depois dos 55, menopausa tardia. Não há um início ou um fim linear e igual para todas as mulheres. O tour é único para cada uma.

Como saber se chegou lá?

Antes de mais a menopausa é um diagnóstico clínico, feito retrospetivamente: uma mulher sabe que está na menopausa quando passaram 12 meses consecutivos sem ocorrer menstruação natural e espontânea, desde que não haja causa patológica ou induzida para essa ausência; só um ano depois da última perda de sangue, de forma natural, pode uma mulher reconhecer que está na menopausa.

Em caso de dúvida, ausência de útero (cirurgia prévia), uso de contracepção hormonal que mascare a existência de uma menstruação natural e espontânea, o diagnóstico deve ser feito com recurso a análises hormonais, devendo estas ser realizadas sem a mulher estar sob influência de toma hormonal.

Até lá, o corpo pode dar algumas pistas (irregularidades menstruais e a existência de outros sintomas como afrontamentos, alterações do sono, humor ou líbido, secura vaginal), como consequência de um declínio da função ovárica e da baixa de estrogénios, denominando-se todo este período, até ao diagnóstico, como perimenopausa.  É imprevisível e pode demorar anos até ao último período menstrual, pelo que na perimenopausa ainda há possibilidade de gravidez. E muitas mulheres não relatam alterações físicas ou queixas durante este período.

Durante esta fase, as análises hormonais não têm utilidade porque os níveis hormonais podem mudar ao longo do ciclo menstrual. E para algumas mulheres pode fazer sentido investigar outras causas de sintomas que podem imitar a perimenopausa, tais como a disfunção tiroideia.

O que se pode sentir?

A privação de estrogénios pode trazer, numa primeira fase, sintomas vasomotores como afrontamentos (ondas de calor intenso, súbitas, acompanhadas por sudorese e taquicardia) e suores nocturnos, alterações do sono (insónias) e perturbações emocionais (irritabilidade, ansiedade, tristeza).

A médio prazo podem surgir a síndrome génito-urinária com atrofia urogenital (alteração da mucosa e secura), dispareunia, disfunção sexual.

Mais tarde, destacam-se as complicações cardiovasculares, a osteoporose e as doenças neurocognitivas, como a Doença de Alzheimer.

O que se pode fazer?

Quando uma mulher suspeita que está na perimenopausa/menopausa deve consultar o seu médico: é o momento ideal para fazer um exame médico completo e uma avaliação por um profissional de saúde qualificado.

Entrar na menopausa pode ser desafiante, mas também uma oportunidade para o crescimento pessoal e para o auto-cuidado. Aqui ficam algumas dicas para atravessar esta nova fase da vida.

  1. Manter-se fisicamente activa: o exercício regular pode ajudar a aliviar alguns sintomas de menopausa e melhorar a saúde;
  2. Priorizar a alimentação: uma dieta equilibrada rica em fruta, vegetais, cereais integrais, pode ajudar a suportar o bem-estar na menopausa;
  3. Procurar ajuda: partilhar as experiências com amigas, família, grupos de referência para se sentir mais acompanhada;
  4. Ponderar a terapêutica hormonal: algumas mulheres encontram alívio dos sintomas graves na terapêutica hormonal de substituição, mas esta opção deve ser sempre discutida com o médico;
  5. Considerar práticas como a meditação e o yoga, que podem ajudar a lidar com o stress e promover o equilíbrio emocional;
  6. Fazer check-ups regularmente: é essencial monitorizar a saúde incluindo a densidade óssea e a saúde cardiovascular.

Procure uma atitude receptiva à mudança e procure estar informada. Esclareça, junto do seu médico, preocupações e prepare-se para esta nova fase.

Um artigo da médica Vera Pereira da Cunha, especialista em Ginecologia-Obstetrícia nos hospitais CUF Descobertas e CUF Tejo.

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