O pâncreas é uma glândula, anatomicamente dividida em cabeça, corpo e cauda e funcionalmente em glândula endócrina e exócrina. A função endócrina do Pâncreas é desempenhada por aglomerados de células denominados Ilhéus de Langerhans, que se encontram distribuídas irregularmente pelo parênquima exócrino. Os ilhéus de Langerhans são compostos por células alfa e beta. As células alfa sintetizam e secretam glucagon e as células beta são responsáveis pela síntese de insulina e peptídeo C.

Por outro lado, mais de 95% da massa pancreática corresponde a células exócrinas que sintetizam enzimas digestivas responsáveis pela digestão quando são libertadas no intestino delgado. Os principais exemplos das enzimas são a amilase pancreática (para a digestão dos hidratos de carbono), a lipase pancreática (para a digestão das gorduras), tripsinogénio e quimiotripsinogénio (para a digestão das proteínas). 

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que ocorre quando as enzimas pancreáticas, geralmente utilizadas na digestão dos alimentos, são libertadas no interior do pâncreas, originando um processo de digestão do próprio órgão. As lesões causadas neste processo podem permitir a saída das enzimas e a sua entrada na corrente sanguínea ou na cavidade abdominal, onde provocam irritação e inflamação de outros órgãos.

A pancreatite pode ser classificada como aguda, de duração relativamente curta ou crónica, quando a inflamação persiste durante anos.

A Pancreatite Aguda, tal como o nome sugere, é uma resposta inflamatória aguda à lesão pancreática, não constituindo uma doença progressiva. O doente apresenta uma dor abdominal intensa, podendo existir edema e hemorragia do pâncreas. A causa mais comum é a obstrução do ducto pancreático, que resulta num refluxo da secreção pancreática e lesão permanente, em poucas horas. A destruição do tecido pancreático também promove a liberação de algumas enzimas produzidas pelo órgão, tais como a amilase e a lipase, que ficam intensamente elevadas nos exames laboratoriais.

A pancreatite crónica decorre da lesão progressiva e da fibrose dos tecidos pancreáticos e é resultado da repetição de episódios de pancreatite aguda. Os doentes com pancreatite crónica, apresentam geralmente uma dor abdominal persistente. A mais forte evidência da ligação entre episódios recorrentes e a pancreatite crónica, é a pancreatite hereditária, caracterizada por ataques recorrentes de pancreatite aguda com evolução para pancreatite crónica em cerca de 50% dos casos clínicos.

A pancreatite hereditária é uma doença de transmissão autossómica dominante, de início precoce, frequentemente sintomática antes dos 20 anos e está associada a um risco aumentado de adenocarcinoma do pâncreas. Nestes casos clínicos, os pacientes apresentam mutações no gene tripsinogénio catiónico (PRSS1).

Um artigo do médico Germano de Sousa, especialista em Patologia Clínica.

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