«Imagine que um aparelho de biofeedback é uma janela para dentro do seu corpo, permitindo avaliar uma ou mais das várias reações corporais, como a temperatura, a humidade da pele, a tensão muscular, os batimentos cardíacos e sua regularidade, entre outros», afirma. É desta forma que Madalena Lobo, psicóloga clínica e diretora da Oficina de Psicologia em Lisboa, começa a descrever uma sessão desta técnica, muito procurada em países como os Estados Unidos da América.

Por outras palavras, a associação de psicofisiologia aplicada e biofeedback norte-americana descreve esta técnica como um processo que nos dá a capacidade de aprender a modificar a atividade psicológica para melhorar a saúde e o desempenho. Um conjunto de ferramentas que permite que quem esteja a ser submetido a esta terapia tenha um feedback do que se está a passar com o seu corpo e mente.

Equilíbrio e bem-estar

Esta técnica começou a ser desenvolvida nos anos 60 e 70 do século passado e tem sido impulsionada por vários anos de investigação científica que demonstra que a mente e o corpo estão ligados e interferem um no outro. O biofeedback «utiliza-se para mostrar como o organismo está a reagir num dado momento, permitindo intervir com técnicas capazes de produzir o efeito oposto, bem como voltar a medir para avaliar a eficácia do que se fez (normalmente medem-se reações de stresse e ansiedade e intervém-se com relaxamento)», explica a psicóloga.

Aparelhos e resultados

«Alguns instrumentos de biofeedback, os mais inteligentes ou sofisticados, vêm com a capacidade de interagir com a pessoa, através de indicadores e jogos que lhe permitem atingir os resultados pretendidos de uma forma tão interessante quanto possível», acrescenta a especialista. No entanto, na atividade de biofeedback, mais importante que os mecanismos utilizados para esta avaliação são os resultados e o que se faz com eles de forma a modificar o estado interno para proporcionar equilíbrio e bem-estar.

Problemas de ansiedade

O biofeedback, como afirma Madalena Lobo, é usado para problemas direta ou indirectamente relacionados com ansiedade e o stresse, tais como a regulação emocional (sentir-se mais calmo), dores de cabeça, dores musculares decorrentes de tensão, problemas gastrointestinais originados pelo stresse e insónias. E, em muito menor escala, problemas de humor (depressão e semelhantes).

Para a psicóloga, os benefícios desta técnica são «sobretudo habituar-se a discriminar os seus estados emocionais de ativação (ansiedade, zanga e stresse, por exemplo), o que, curiosamente, a maior parte de nós não consegue sem uma ajudinha... O objetivo, naturalmente, é sempre a retoma do bem-estar e equilíbrio», sublinha. Qualquer pessoa pode ser submetida a esta terapia mas, como realça Madalena Lobo, existem «alguns instrumentos e intervenções desaconselhados em grávidas, portadores de pacemakers e uma ou outra situação mais complicada».

Veja na página: O que acontece numa sessão de biofeedback

Dar autonomia

As sessões de biofeedback têm sempre a mesma sequência. «Avaliação-intervenção-avaliação», explica Madalena Lobo. Contudo, isso não significa que sejam sempre iguais. Impossível também é dizer quanto tempo pode demorar um tratamento com biofeedback, «dada a diversidade dos aparelhos e das intervenções», como sublinha a especialista. «No entanto», continua, «há uma máxima no que diz respeito ao bem-estar», enfatiza.

«É a prática diária que nos permite mantê-lo. O objectivo do biofeedback é tornar as pessoas autónomas na gestão de alguns dos seus estados emocionais, por isso, para cada caso, são definidas tantas sessões quantas as necessárias a uma aprendizagem», acrescenta. Normalmente, o processo é muito rápido, assegura.

«Em consultório, raramente tenho de explicar e treinar um mecanismo em mais do que uma sessão, desde que o paciente tenha com ele o aparelho de biofeedback», realç. Depois dessa aprendizagem, aconselha-se que a prática seja diária. O preço médio ronda os 30 € por sessão.

Texto: Rita Caetano com Madalena Lobo (psicóloga clínica e diretora da Oficina de Psicologia em Lisboa)