Toda a gente já se deparou com dias em que tem a barriga mais inchada, contudo, nem sempre este sinal é tão inofensivo quanto parece e pode dar pistas sobre o desenvolvimento de condições graves. Um dos exemplos é a Ascite, mais conhecida por barriga d'água, que se denuncia sobretudo pelo inchaço abdominal.

Esta condição, onde existe a acumulação de líquidos dentro do abdómen, está associada, maioritariamente, à fase de descompensação da doença hepática crónica (cirrose), manifestando-se também através de outros sintomas além do inchaço, como a dor e pressão na região abdominal, perda de apetite, náuseas, vómitos, oscilação de peso sem explicação e falta de ar. Menos frequentemente, a ascite pode também ser sinal de problema cardíaco ou de doença oncológica, entre outras causas.

A forma como o corpo reage depende da quantidade de líquido que o doente apresenta, sendo essencial proceder-se ao seu diagnóstico o mais rapidamente possível, em casos de sintomatologia evidente, através de exames como a ecografia abdominal ou a tomografia computadorizada abdómino-pélvica.

Quando se identifica a Ascite, deve controlar-se esta condição e passar para a fase de tratamento. Aqui poderá ser necessário recorrer a uma drenagem do líquido, através de um procedimento denominado de paracentese, onde é realizada uma punção na parede abdominal, de forma a extrair o líquido em excesso.

No entanto, é de sublinhar que para prevenir a Ascite deve cumprir rigorosamente o tratamento e medicação associados à cirrose hepática, se for portador, de forma a impedir ou controlar as complicações que podem surgir nesta patologia.

Se não é doente hepático, pode precaver-se através da mudança de comportamentos, que é igualmente recomendada aos que já são doentes. Primeiramente, é crucial eliminar ou evitar o consumo de álcool, adotar uma dieta equilibrada, praticar exercício físico e controlar o seu peso, de modo a evitar problemas como a esteatose hepática (fígado gordo). É importante não partilhar objetos relacionados com o consumo de drogas, como seringas, e ter práticas sexuais seguras, visto que algumas hepatites virais, que podem desencadear a falência do fígado, são sexualmente transmissíveis. Garanta ainda que está vacinado contra a hepatite B.

Em Portugal, as doenças hepáticas e as suas consequências são uma realidade que necessita de extrema atenção e consciencialização do público.

Um artigo de Arsénio Santos, Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF).

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