O olfato proporciona a aquisição de informação sobre o meio ambiente, funcionando como um sistema de alerta, tornando-nos atentos em relação a perigos, como uma fuga de gás, um incêndio ou comida estragada. Por outro lado, ajuda-nos a desfrutar da vida, quando, por exemplo, sentimos os aromas da nossa refeição preferida.

A disfunção do olfato (DO) é uma condição frequente, atingindo, de forma parcial (hiposmia) ou total (anosmia), cerca de 20% da população em geral

O seu impacto é tão revelante nas nossas vidas que, na maioria das circunstâncias em que nos referimos a perturbações do paladar, elas correspondem, na realidade, a alterações no olfato, uma vez que, o olfato está estreitamente relacionado com o sentido do gosto. Ora, verifica-se que, nas pessoas que sofrem deste problema, ocorre, por vezes, uma alteração dos hábitos alimentares. A título de exemplo, pode repercutir-se numa redução ou um aumento da ingestão de alimentos, com as consequentes variações de peso, ou, num aumento da ingestão de sal, o que aumenta o risco de hipertensão arterial e de doença renal.

Se hoje conhecemos bem uma das causas possíveis para a perturbação do olfato, isto é, a DO secundária a uma infeção vírica (como a que ocorre de forma frequentemente associada à infeção pelo vírus SARS-COV2 – COVID19), existem outras duas causas principais: doenças nasossinusais, e DO secundária a um traumatismo crânio-encefálico.

De entre as doenças nasossinusais que mais frequentemente conduzem a alterações do olfato contam-se, por exemplo, a rinossinusite crónica com ou sem pólipos nasais ou a rinite alérgica.

A rinossinusite crónica com pólipos nasais, é uma condição clínica que afeta cerca de 4% da população, cujas causas continuam a não estar bem esclarecidas, e que consiste na inflamação persistente da mucosa do nariz e dos seios perinasais. No entanto, estão já reconhecidos vários fatores que se associam de forma mais frequente a esta doença, tais como, a asma, a intolerância à aspirina ou outros anti-inflamatórios não esteroides, ou, a exposição a poluentes.

Esta condição apresenta-se, frequentemente, com obstrução/congestão nasal, dores de cabeça/faciais, secreções nasais espessas e hiposmia/anosmia. Esta doença crónica, apesar de benigna, tem um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes, assim como um marcado impacto económico na sociedade. Para o correto diagnóstico deve ser realizado um completo exame físico, recorrendo, nomeadamente, à utilização de técnicas de endoscopia (como a endoscopia nasal), podendo ou não ser complementado com exames de imagem como a tomografia computadorizada (TAC).

Os tratamentos disponíveis para esta patologia são diversos consistindo, essencialmente, no tratamento farmacológico e/ou no tratamento cirúrgico. São várias as opções farmacológicas que poderão ser consideradas, como os corticosteroides nasais e/ou orais ou, mais recentemente, os anticorpos monoclonais (medicamentos biológicos). O tratamento cirúrgico, por seu turno, tem como objetivos a remoção dos pólipos das cavidades nasais e a “abertura” dos orifícios de drenagem dos seios perinasais afetados, permitindo a remoção do tecido inflamatório. No entanto, o plano de tratamento deverá ser sempre realizado de forma personalizada, por um médico Otorrinolaringologista (ORL), para cada doente.

Estar atento à sintomatologia descrita, poderá permitir um diagnóstico precoce e um tratamento atempado das diversas patologias que provocam perda de olfato, pelo que, deverá recorrer ao seu médico ORL sempre que tais queixas se tornem persistentes ou incomodativas.

Um artigo do médico Tiago Soares Santos, especialista de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço, no Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga e no Hospital Lusíadas Porto, e investigador clínico no ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

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