A frase do chefe de cozinha catalão Ferran Adriá que, em 2013 afirmou, “a maior rede social do mundo é a comida”, inspira um ciclo de conferência no Centro Cultural de Belém em torno do fenómeno alimentar. Como anfitrião dos encontros “O Gosto dos Outros”, estará o crítico gastronómico Fortunato da Câmara que, em quatro conversas informais (10, 17, 24 e 31 de maio), convida especialistas em diferentes áreas, das sementes, aos vinhos, do cacau e chocolate à doçaria e a sua relação com os Descobrimentos.

“Alimentarmo-nos é elementar, não é preciso ser um detetive brilhante, mas é uma saborosa investigação que nos demora uma vida inteira. Não haverá porventura nenhuma conclusão a tirar, mas pelo caminho irão surgir muitas idiossincrasias apetecíveis de descobrir”, lemos na apresentação às conferências que decorrerão na sala Ribeiro da Fonte, sempre às 18h30. O ingresso orça os 6,00 euros por sessão e pode ser adquirido aqui.

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A 10 de maio, Dulce Freire, Coordenadora Projeto ReSeed leva ao palco o tema “As sementes e as plantas viajantes”. Lemos na sinopse de apresentação do encontro:porque será que a laranja é epónimo da palavra Portugal em vários países e idiomas ou qual a razão para a pimenta se chamar pimenta-do-reino no Brasil? As plantas e as sementes também viajaram no passado, é um facto, mas algumas ficaram esquecidas, na Península Ibérica. Portugal teve um papel fulcral que pode vir a ser muito útil no futuro da alimentação se conhecermos o que se passou agricultura entre os séculos XVI e XX”.

Uma semana mais tarde, a 17 de maio, João Paulo Martins, crítico de vinhos e jornalista abordará o tema “Os vinhos que se moldaram no tempo”. “Temo-los como valores seguros e bebidas lendárias universais. Champanhe, Madeira, Porto são alguns dos vinhos icónicos que conhecemos, mas o perfil vínico que adquiriram ao longo de séculos nem sempre foi assim. O corpus gustativo de cada um e os seus percursos foram sendo ajustados aos mercados que os procuravam. É que os apaixonados por Porto e champanhe estão muito longe de serem portugueses e franceses”, relata a apresentação que é feita ao encontro.

Um mundo às avessas. Onde nasceram os alimentos de que gostamos?
créditos: Lifestyle

A 24 de maio, Fátima Moura, gastrónoma, autora do livro “Do cacau ao chocolate”, detém-se no tema “O cacau: de líquido amargo a doce sólido”. A debate o percurso que levou “uma pequena fava de aroma simples que deu origem a uma bebida ancestral, amarga e temperada com malaguetas, uma experiência metafísica e inebriante no seu perfume incomum. O Homem transformou essa fava num alimento doce e prodigioso com múltiplos descritores de aromas e sabores. O cacau fez-se chocolate, líquido ou sólido, com salinhas e códigos sociais para ser tomado e venerado, e que hoje, tal como o vinho, tem lotes de grand crus e os seus terroirs para ser devidamente apreciado. Vamos sentir um pouco dessa saborosa história”.

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Finalmente, a 31 de maio, “A doçaria portuguesa: influenciadora social”, leva ao debate a historiadora Isabel Drumond Braga.

“Fala-se dos Descobrimentos e da expansão portuguesa, mas, dentro desse período, houve uma peculiar ‘era do açúcar’ onde a preponderância deste valioso ingrediente foi uma empresa lucrativa, e ao mesmo tempo criativa para a doçaria nacional. Entre casas senhoriais e conventos, entre a frugalidade e a opulência, há uma marca que persiste até hoje e nos distingue no receituário doceiro, que teve ramificações internacionais até lugares insuspeitos”.

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