A planta - que com facilidade atapeta quintais e campos de cultivo, de norte a sul do país, e até se consegue encontrar em calçadas de avenidas de Coimbra -, em tempos de crise, como o actual, segundo os dinamizadores, deve ser recuperada nos seus usos tradicionais quase perdidos, alimentares e medicinais.

A ESAC desafiou alunos, docentes e funcionários a saborearem os pratos criados pelo seu chefe de cozinha António Neves, no âmbito de um projecto pedagógico multidisciplinar levado a cabo no início do mês, e a adesão foi tal que rapidamente se esgotaram no refeitório.

Agora, a escola quer fazer chegar a mensagem à sociedade e realçar que para a “alta cozinha”, ou “cozinha gourmet”, sempre ávida de novos produtos e sabores, este é um caminho a explorar.

E parece ser essa já uma via que a própria ESAC quer protagonizar, ao querer brindar em breve uma delegação de uma universidade estrangeira com um cardápio de iguarias de beldroegas recriadas pelo “Chefe” António.

No entanto, a intenção é que a sociedade tenha um outro olhar sobre essa “praga”, essa planta infestante que quer ver longe dos quintais e dos campos de cultivo. Ela está ali à mão e nada custa.

Na gastronomia tradicional portuguesa, de Norte a Sul de Portugal, em especial no Alentejo, a beldroega ainda vai figurando nos menus, particularmente em sopas e saladas, mas a utilização fica muito aquém do seu valor intrínseco.

“Neste momento de crise é preciso inovar. Um dos aspectos interessantes é que nasce espontaneamente e é injustamente tratada como uma erva daninha”, afirma a docente Leila Rodrigues, que dinamizou o programa multidisciplinar sobre a beldroega no âmbito da escrita académica no módulo curricular de língua inglesa e comunicação.

Filipe Melo, igualmente docente na ESAC, realça que essa planta tem um elevado valor medicinal e nutricional, “porque é riquíssima em sais minerais e vitaminas”, especialmente a A, B e C. “É rica em mucilagens, em ácido ómega-3”, e entre as suas virtualidades destaca a ajuda à redução dos níveis de colesterol.

Fátima Mendes, estudante de Engenharia Alimentar, declara-se já rendida à beldroega, e confessa que ela se revelou uma grande surpresa, em termos gustativos e pelo valor nutricional, “muito maior do que os produtos que se adquirem congelados nos supermercados”.

“Em engenharia alimentar nós estamos habituados a estudar processos de produtos que já existem cultivados. Não pensaria que poderia utilizar uma planta infestante e torná-la comestível”, sublinha.

Se os tempos de crise aconselham a aproveitar uma planta que a natureza generosamente oferece a quem a quiser colher, nos baús da história conservam-se testemunhos que os tempos modernos teimam em fazer esquecer, como os dos descobridores e marinheiros que combatiam o escorbuto com a vitamina C contida nas beldroegas.

Francisco Fontes

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