Com o objectivo de valorizar os produtos da agricultura local e incentivar o turismo gastronómico a IV Feira Gastronómica do Porco, que decorre nos dias 22, 23 e 24 de Fevereiro, deverá chamar a Boticas entre 30 a 35 mil visitantes e proporcionar um volume de negócios na ordem dos 300 mil Euros (60 mil contos).
A IV Feira Gastronómica do Porco conta, este ano, com a participação de 55 expositores de produtos alimentares (fumeiro e presuntos, entre outros) e 15 de artesanato regional, mantendo o número total de expositores, mas aumentando os “stands” de venda de fumeiro, dado terem sido, nas edições anteriores do certame, aqueles que foram mais procurados.
“A Feira Gastronómica do Porco é, como pudemos avaliar pelas edições anteriores, uma aposta ganha. Trata-se de um certame no qual vamos continuar a investir anualmente, na medida em que contribui para a valorização da nossa terra e dos nossos produtos regionais, ao mesmo tempo que se vem constituindo como uma iniciativa com algum peso na economia local”, afirma Fernando Campos, presidente da autarquia.
Uma vez mais, as afamadas tasquinhas — Casa do Pedro, Restaurante Rodrigues, Restaurante Marialva, albergaria Rio Beça e Tasquinha Barrosã — voltam a ocupar o seu lugar no centro da “ronda das tasquinhas”, responsável, em anos anteriores, por verdadeiras enchentes de visitantes no Pavilhão à hora das refeições.
Mas também outros restaurantes da região, devidamente recomendados pelos Serviços Informativos da Feira, voltam a associar-se à iniciativa. Assim, mesmo sem estarem representados no recinto, estes restaurantes vão disponibilizar a mesma ementa servida nas tasquinhas, durante os três dias do certame.
As ementas apostam forte na qualidade dos pratos regionais. Assim, os visitantes vão poder provar saborosas especialidades gastronómicas locais, como Arroz de Costelas e Chouriça, Cozido à Barrosã, Caldo Barrosão, Rojões no Pote, Sarrabulho e Costelas de Vinho e Alho, e produtos fumados como salpicão, chouriça, alheira, sanguinheira e farinhota, além do presunto de Barroso, da orelheira, da bola centeia de carne e dos vinhos regionais.
O programa da Feira será complementado por várias acções de animação, durante os três dias, entre as quais se contam as famosas “chegas de bois” do Barroso e as actuações dos grupos folclóricos do Concelho de Boticas, bem como de grupos de “cantadores ao desafio”, que evocam a Alma das gentes do Barroso.
Tendo em conta o grande fluxo de pessoas que a realização das anteriores edições da Feira provocaram em Boticas, a autarquia, presidida por Fernando Campos, delineou um reordenamento dos principais acessos, com o objectivo de permitir a melhoria geral do tráfego nas zonas circundantes do Pavilhão Desportivo.
Simultaneamente, a autarquia está a coordenar um esquema de rotas gastronómicas, com o objectivo de divulgar a excelente oferta regional, e a implementar circuitos turísticos pelas paisagens montanhosas que circundam a vila de Boticas.
“Em Louvor do Porco”
Desde tempos remotos e imemoriais que o porco faz parte do convívio e alimentação das gentes da Ibéria... Muitos historiadores entenderam até que o porco significava para as tribos e povos castrejos (como por exemplo os que habitaram o Castro velhinho de Sapiãos e os outros 24 existentes no Concelho de Boticas) um símbolo importante de fertilidade e abundância dada a grande variedade de produtos alimentícios de inigualável gosto e paladar que fornece à alimentação dos homens.
Testemunho histórico desse significado e simbologia, e da grande afeição e utilidade que este animal tem para os homens, são os muitos berrões de pedra que foram encontrados e perduram um pouco por toda a parte em vários lugares da Península, nomeadamente em Trás-os-Montes, como que um tributo de homenagem a este animal, cujas carnes constituem elemento fundamental da alimentação das gentes do País dos Montes e não só.
Pode-se dizer que depois do pão, o porco é o alimento principal das refeições do transmontano.
Todos apreciam o salpicão, o toucinho, os rojões, as chouriças, a grande variedade de enchidos, papas de sarrabulho, os presuntos cheios de pique e notável sabor que tão aprazível gosto possuem para o palato humano, tão ricos de calorias e de muitas outras boas propriedades nutritivas e culinárias, elementos e componentes importantes de um saudável comer.
O calor do lume que vem das lenhas e pedras dos lares das cozinhas montanhesas confere-lhes um chiste e sabor inconfundíveis.
E depois, nos pratos colocados nas mesas sobre as toalhas de linho são para os homens como que benção de uns petiscos, apaziguadores de redenção para os estômagos mais exigentes.
Por isso, desde Novembro e do Santo André, no começo do frio, que se sucedem as matanças do Porco, cerimónias plenas de rituais e costumes, para regalo e fartura do ser humano.
Como nas muitas aldeias do Concelho de Boticas, desde os cimos da Serra das Alturas passando por Covas do Barroso desaguando em Ardãos. Toda esta região do Barroso, atravessada pelos rios Terba e Beça, comunga desses ritos, saberes e sabores.
E depois, é nos recantos das lareiras, nos convívios, no cantinho das casas e fumeiros que se saboreia e aquece o corpo e o espírito com a delícia destes produtos e petiscos que só as carnes desse tão útil animal oferecem:
Sustância, Sustento, Conduto e Alimento.
Em louvor do Porco. E para agrado dos Homens
Sobre a história de Boticas
O concelho de Boticas situa-se no extremo norte do distrito de Vila Real, integrando-se no agrupamento de municípios do Alto Tâmega. Tem uma superfície de 320 Km2 e cerca de 10 mil habitantes, distribuídos por 16 freguesias e 52 povoações. Foi fundado a 6 de Novembro de 1836, no decurso da reorganização administrativa de Trás-os-Montes, data em que a região do Barroso de cindiu em dois concelhos: Boticas e Montalegre.
Esta região é demarcada desde os primórdios da 1ª. Dinastia, tendo sido doada por D. João I ao seu amigo e companheiro de armas D. Nuno Álvares Pereira, que nestas paragens casou com a viúva D. Leonor Alvim.
O concelho de Boticas possui uma gastronomia excelente, bem como diversos produtos de qualidade. Saboreiam-se em Boticas as melhores trutas do mundo recheadas com presunto. O cozido à moda do Barroso, acompanhado pelo famoso “vinho dos mortos” (cujo nome advém da tradição de enterrar as garrafas), constitui um manjar especial e único. Por sua vez o presunto, o fumeiro, o cabrito e a carne barrosã constituem os pratos típicos da região, sempre acompanhados pelo tradicional pão de centeio. Como digestivo, produz-se a aguardente de mel, obtida de uma forma artesanal, em cuja destilação se integra a cera do mel do Barroso. Este “Mel de Barroso” constitui, também, um produto com Denominação de Origem Protegida.
Quanto a outras riquezas endógenas sobressai, na agricultura, a produção de batata de semente e a pecuária. A floresta é igualmente um forte recurso económico com um potencial imenso.
No aspecto cultural, é de realçar que as duas estátuas dos “Guerreiros Calaicos”, símbolos da arqueologia nacional, foram encontradas no Castro de Lezenho, em Campos, Boticas. Além destes castros, existem 23 outros espalhados por todo o concelho. De salientar também os templos românicos de Sapiãos, Covas do Barroso e Beça. O artesanato, hoje em franca recuperação, oferece as tradicionais capas de burel, as riquíssimas toalhas de linho que cobrem a “mesinha de S. Sebastião” – manifestação cultural ímpar que se realiza anualmente no dia 20 de Janeiro – e, ainda, o vestuário barrosão como as coroças, meias de lã, socos de madeira e outros produtos.

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