Durante a gravidez a silhueta sofre várias alterações. O corpo prepara-se para acolher o bebé durante nove meses e, para tal, tem de se redimensionar. O desafio que o aguarda a seguir ao parto não é, contudo, menor... Ficar em forma! Uma recuperação que está, antes de mais, relacionada com a prevenção do excesso de peso ainda durante a gravidez e com as características do organismo, variando, portanto, caso a caso.

Por exemplo, se o corpo é mais pequeno, a barriga é obrigada a distender-se mais para que o bebé conquiste espaço, o que tornará posteriormente a recuperação mais lenta após o parto. Mas, se a mulher for cuidadosa e persistente e adoptar alguns cuidados, gradualmente, alguns deles ainda durante a gravidez, conseguirá reconquistar a sua antiga silhueta mais facilmente e num menor período de tempo.

O fator amamentação

Segundo Teresa Branco, fisiologista do controlo de peso, "as pessoas pensam que, durante o período de amamentação, se perde muito peso, o que não é verdade", assegura. "Dar de mamar ajuda a mulher a voltar a estar em forma, ao restabelecer a zona abdominal [que nesta fase ainda está distendida e flácida], mas sem que isso signifique que está a perder gordura e peso", adverte ainda a especialista.

Tal acontece porque o organismo faz retenção de líquidos e acumula grandes reservas de energia para produzir leite. Paralelamente, essa produção será benéfica para queimar calorias e preparar o corpo para ficar em forma depois da amamentação. "A perda de peso acontece mais facilmente quando a mulher deixa de dar de mamar e volta a ter menstruação", elucida a ainda especialista.

As regras alimentares a adotar

Durante a amamentação, a alimentação deve ser "bem fraccionada", devendo ocorrer "de três em três horas". Teresa Branco salienta que "é importante ingerir uma quantidade de alimentos razoável para o que se gasta, o que também depende das dimensões da mãe. Se reduzir o número de calorias que ingere, começa a produzir pouco leite mas, se comer calorias a mais, o corpo vai acumulá-las sob a forma de gordura", diz.

Caso a mulher não amamente, não irá necessitar de tantas calorias. Deve, assim, seguir um plano alimentar mais restritivo, definido em função do objetivo de perda de peso e respeitando as quantidades de nutrientes necessários à saúde, mas sem entrar em dietas extremas. "Para tal, é importante procurar o aconselhamento de um nutricionista ou fisiologista do controlo de peso", aconselha Teresa Branco.

"A alimentação deve ser rica em vitaminas e em minerais, presentes nos frutos e nos legumes. A massa, o arroz, o grão, as ervilhas ou o pão são também boas fontes de glicose, [uma fonte de energia] que é importante também para o bebé", sublinha ainda a diretora do Instituto Prof. Teresa Branco. Já as proteínas das carnes brancas, ovos, peixe e leguminosas contribuem para o desenvolvimento da criança.

Nos primeiros meses de vida das crianças, há também alimentos que deve privilegiar para conseguir reduzir mais facilmente a gordura abdominal, como os que pode ver na galeria de imagens que se segue. "Proibidos estão os alimentos mais açucarados que estimulam a produção de insulina, os muito salgados, que contribuem para a retenção de líquidos, e as gorduras saturadas [das carnes vermelhas]", sublinha Teresa Branco.

O que fazer para estimular o organismo

A par de uma alimentação equilibrada, o exercício físico, que caso seja iniciado antes do parto tende a acelerar o processo de recuperação, tem um papel fundamental, após o nascimento da criança. Segundo Duarte Galvão, treinador pessoal, "depois de um parto normal, é aconselhado um repouso de 15 dias e depois vai-se introduzindo gradualmente a ginástica", começa por alertar o especialista em atividade física.

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"Numa cesariana, convém esperar cerca de um mês. É preciso permitir que o corpo recupere da experiência que teve a nível ósseo e muscular", adverte ainda. A partir daí, recomendam-se sessões de 60 minutos duas a três vezes por semana. Nesta fase, há, contudo, atividades que estão contraindicadas.

"Não deve ser feita corrida logo depois do parto, em especial se se tratou de uma cesariana", refere o desportista. "São de evitar atividades com muito impacto, como o step ou aulas com saltos amplos e dinâmicos", diz.

"E, principalmente, devem evitar-se exercícios que impliquem muita força para o peitoral, devido à acumulação de ácido lático [substância que influencia a qualidade do leite e provoca dores musculares]", justifica ainda Duarte Galvão. Em alternativa, sugere-se o body balance e o pilates, importantes para a musculatura da cintura pélvica e para a parede abdominal, "assim como os abdominais", acrescenta.

O stretching, o ioga e o tai-chi, atividades habitualmente mais relaxantes, também integram a lista das modalidades desportivas que as mulheres que foram mães há pouco tempo devem considerar para recuperar a silhueta. A natação e a hidroginástica são também boas opções "por serem feitas em piscinas de água aquecida, o que favorece o trabalho muscular e a circulação sanguínea", refere ainda Duarte Galvão.

Gestos que favorecem a recuperação cutânea

Para além da tonificação muscular, é importante cuidar da pele, alvo de celulite, a par das estrias e da flacidez, uma consequência direta da gravidez. Existem tratamentos eficazes, como a radiofrequência, a endermologia, a carboxiterapia ou a laserterapia. Segundo Miguel Trincheiras, dermatologista, tratam-se de "técnicas não invasivas que ajudam a melhorar a textura e a elasticidade da pele".

"A radiofrequência, um dos tratamentos a que pode recorrer, consiste na passagem de ondas de rádio no tecido celular subcutâneo que ajuda a diminuir o tecido gordo, a aumentar o fabrico de colagénio, de fibras elásticas e de moléculas de glicoproteínas da derme, responsáveis pela firmeza, elasticidade e hidratação da pele, melhorando a sua textura e luminosidade", esclarece o especialista.

Na gravidez, há também tendência para o desenvolvimento de novos vasos sanguíneos que causam as chamadas aranhas vasculares, os angiomas capilares, bem como pequenos derrames de origem venosa, dispersos pelo corpo, sobretudo nos membros inferiores. O tratamento vai depender da tonalidade e do calibre dos vasos, podendo ser feito com recurso a laser. Nos de maior calibre, pode implicar cirurgia.

O papel da cirurgia plástica

A distensão de tecidos, principalmente ao nível da região abdominal e da mama, leva muitas mulheres, que não gostam de se ver ao espelho, a recorrer à cirurgia plástica após o parto. A intervenção cirúrgica na região da mama deve ser feita após o período de amamentação, para que o corpo tenha tempo de estabilizar, nomeadamente ao nível do peso, e para que não haja interferências na produção do leite.

Se, por exemplo, conta Joaquim Seixas Martins, cirurgião plástico, "a mama se revelar vazia e com uma queda moderada, é possível através de um aumento mamário elevá-la, sem deixar cicatriz". No abdómen, acrescenta, "para se tratar a flacidez, recorre-se à abdominoplastia, é retirado o excesso de pele e gordura e reconstituída a parede muscular", acrescenta ainda o especialista em cirurgia estética.

"Se as estrias estão limitadas à parte de baixo do umbigo, também são retiradas", esclarece. Já a acumulação de gordura, sem flacidez associada, pode ser eliminada com uma lipoaspiração, em zonas como a parte de interior das coxas, ancas e a região dos culotes. Na face, no caso de quem emagrece muito com a gravidez, pode fazer-se um aumento do seu volume, com produtos sintéticos ou gordura.

Existem, para além desses procedimentos, outros tratamentos recomendados por especialistas nesta fase. A maioria deles deve ser feita apenas depois do período de amamentação. Descubra, de seguida, quais são aqueles em que mais deve investir:

- Drenagem linfática

Massagem manual que favorece o descongestionamento dos vasos linfáticos.

- Endermologia

Técnica que desencadeia o processo de drenagem e modelagem das camadas adiposas.

- Laser vascular

Tratamento de pequenas varizes, através de laser.

- Radiofrequência

Aplicação de uma onda de rádio que contrai os tecidos, refirma a pele e modela a gordura.

- Mesoterapia

Aplicação de microinjecções ou de ondas eletroacústicas para estimular a microcirculação e a drenagem linfática.

- Carboxiterapia

Infiltração de gás carbónico por via subcutânea para estimular o metabolismo dos tecidos e atuar nos fibroblastos e células de gordura.

Texto: Mariana Correia de Barros com Duarte Galvão (personal trainer), Joaquim Seixas Martins (cirurgião plástico), Miguel Trincheiras (dermatologista) e Teresa Branco (fisiologista do controlo de peso)

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