Apesar de ter passado muitos anos a conhecer o trabalho
feito em países como o Brasil ou os EUA, foi em Portugal que plantou raízes e que abriu a sua clínica de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva.

O fascínio pela Medicina levou-o a seguir o caminho dada cirurgia cardíaca mas, passados dois anos de especialização, e depois de perceber que ainda tinha muitos anos pela frente para, finalmente, fazer o que queria, operar, decidiu rumar ao Brasil e conhecer o trabalho que aí se fazia.

Permaneceu vários anos em terras de Vera Cruz, onde se especializou em Cirurgia Plástica e, uns tempos mais tarde, voou para os Estados Unidos da América, onde acompanhou o trabalho de grandes profissionais da área. Mas foi em Portugal que abriu a sua primeira clínica (CCPR–Clínica Cirúrgica Plástica Reconstrutiva), onde é procurado por todo o tipo de pacientes.

As suas cirurgias de eleição são o lifting e a abdominoplastia, e não faz cirurgias com as quais não concorde. «As pessoas têm que compreender que as clínicas não são lojas, que não vendemos produtos, e que nós, acima de tudo, somos médicos».

Apesar de acreditar que existem muito bons especialistas em Portugal, José Mendia é da opinião que a Cirurgia Plástica, no nosso país, ainda está longe de ser uma cirurgia de qualidade. Sobretudo, por causa da falta de investigação.

Segundo conta, «quando estive no Brasil, fazíamos uma reunião semanal onde discutíamos tanto os sucessos como os insucessos de cada um. Só não tem insucesso quem não opera. Em Portugal, todos os cirurgiões escondem os seus insucessos e, portanto, não crescem».

«Cheguei a ir a Nova Iorque a uma reunião onde os grandes mestres da Cirurgia Plástica estavam a discutir os seus insucessos em intervenções às pálpebras inferiores. É preciso perceber a evolução da Cirurgia Plástica, que já não é o mesmo que era há alguns anos, altura em que só se esticava
a pele deixando uma máscara facial. Só assim é possível crescer e aprender», sublinha.

Talvez por isso pense que o país mais avançado no campo da Cirurgia Plástica seja os Estados
Unidos da América. «Eles associam a técnica à maquinaria. No Brasil, por exemplo, há muita técnica e boa, mas a parte da maquinaria ainda está muito atrasada, também por ser um país mais pobre».

Por que se especializou em Cirurgia Plástica?

Por que se especializou em Cirurgia Plástica?

Nunca foi minha ideia especializar-me em Cirurgia Plástica. A partir do terceiro ano da faculdade fui para o Hospital de Santa Cruz, com o intuito de me especializar em cirurgia cardíaca e gostei muito.

Só que percebi, entretanto,
que só se começava a operar por volta dos 50, 55 anos, e o que eu queria era operar. Foi então que decidi conhecer o Brasil, onde se operava
muito mais.

Na Santa Casa da Misericórdia de São Paulo, havia filas de 20 a 30.000 doentes, dos quais eram seleccionados cerca de 4.000, e quem operava éramos nós, alunos do segundo, terceiro ano. Foi a partir daqui que o meu interesse despertou e que se deu a grande mudança da minha carreira profissional.

O que mais gosta no seu trabalho?

O que mais gosta no seu trabalho?

Gosto que o trabalho fique bem feito, de ir ao encontro das expectativas da paciente e que ela fique contente e feliz. Isso dá-me uma grande satisfação.

Veja na página seguinte: O
que mais o atrai no corpo humano

O
que mais o atrai no corpo humano?

O
que mais o atrai no corpo humano?

O peito fascina-me muito, acho o peito uma zona erógena de eleição
no corpo da mulher. Essa foi uma das razões pelas quais alterei bastante
as minhas técnicas em relação à mamoplastia de aumento.

Acho que o aumento deve ser discreto, se possível imperceptível. Também gosto muito
do contorno do corpo, do contorno abdominal, porque uma vez
operado,
o paciente passa a ter uma melhor qualidade de vida.

Já se submeteu a alguma cirurgia plástica?

Já se submeteu a alguma cirurgia plástica?

Já. Fiz uma lipoaspiração do abdómen em que me tiraram sete
litros de gordura e, quando estava no Brasil, fiz uma operação às orelhas
de abano.

Aconselharia alguém próximo a fazê-lo?

Aconselharia alguém próximo a fazê-lo?

Já operei a minha mãe, que ficou lindíssima. Também operei as minhas cunhadas, mas hoje já não sei se as operava! Talvez passasse a família
para um colega, os familiares são mais chatos.

Já algum paciente o comoveu de forma especial?

Já algum paciente o comoveu de forma especial?

O momento em que conheci a minha mulher. Veio de Londres para se submeter a uma intervenção e acabámos por casar.

Qual o hábito de vida que considera mais saudável?

Qual o hábito de vida que considera mais saudável?

Ter muita atenção à alimentação, fazer exercício físico, evacuar todos os dias (quem evacua uma vez ao dia é saudável, quem evacua duas vezes
é saudável ao quadrado!), beber muita água e evitar ingerir álcool.

O
que faz nos tempos livres?

O
que faz nos tempos livres?

Faço muita jardinagem, ginástica, leio bastante e estou com os meus amigos.

O
que seria se não fosse cirurgião plástico?

O
que seria se não fosse cirurgião plástico?

Desde os sete anos de idade que dizia à família que queria ser médico, nunca pensei em ter outra profissão senão a de médico. Mas se não fosse cirurgião plástico gostava muito de ser internista e de saber um pouco de tudo. E gostava de ligar a medicina interna à medicina alternativa.

Perfil

Perfil

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa e pós-graduado em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro-Serviço do Professor Ivo Pitanguy, operou em vários hospitais portugueses, entre eles a Clínica de S. Gabriel e o Hospital da Cuf, em Lisboa.

É director clínico da CCPR – Clínica Cirúrgica
Plástica Reconstrutiva, sedeada em Lisboa, desde 1996. É especializado em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva. Dentro desta área, dedica-se especialmente
ao lifting cervico-facial.

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