A imposição de fecho das escolas e a necessidade de isolamento social coloca limitações ao processo educativo tradicional.

A nova realidade tornou-se um processo catalítico para a escola na busca de soluções num curto espaço de tempo e, como resultado, os professores deparam-se, de forma abrupta e imprevista, com o desafio de ensinar por outras vias.

Há pouco mais de uma semana, com o início do terceiro período, a mudança tornou-se imperativa. As alterações que trouxe poderão dar-nos um vislumbre do compromisso de como a educação tem de mudar agora, “para o bem e para o mal”, “na saúde e na doença”.

Por mais que tal possa parecer uma tarefa impossível, existem alguns recursos tecnológicos disponíveis com novas soluções para a educação e que poderão trazer a inovação que se impõe.

A expectativa é que num cenário futuro não muito distante, a bem da célere adaptação, o ensino dito tradicional deixe de o ser e seja complementado com novas modalidades de ensino.

Então como pode um professor ser promotor da mudança educativa no trabalho com os seus alunos?

O primeiro passo será o de estabelecer canais de comunicação claros e diretos com alunos e famílias que, após o levantamento dos recursos tecnológicos da família, possibilitem o ajuste de expetativas.

De modo associado, importa identificar a autonomia da criança ou jovem com a tecnologia e, caso esta seja diminuta, o apoio que os pais podem disponibilizar aos seus filhos. Para os alunos mais novos, é recomendável que a partilha de atividades de aprendizagem passe pelos adultos próximos, fornecendo-lhes ferramentas para auxiliarem as crianças.

Independentemente do grau de apoio dos pais, é imperativo escolher uma plataforma de aprendizagem que seja acessível, atrativa e intuitiva para os utilizadores, pais e filhos, mas também, para os próprios professores.

Estes estão “a braços” com o trabalho de estruturar e de transformar os conteúdos curriculares em conteúdos multimédia interativos para o ensino online.

É igualmente importante reter que, tal como ocorre em ambiente escolar, o aluno tem as suas características, as suas fragilidades, as suas potencialidades. A alteração de contexto poderá exacerbar carências e incrementar uma maior dificuldade (ou não). Cada aluno tem diferentes necessidades e os recursos utilizados deverão ter isso em linha de conta.

Neste cenário que se impõe, os períodos de instrução podem ser ou não desfasados no tempo dos alunos, o mesmo é dizer que, o ensino poderá decorrer “em direto” ou unicamente “em diferido”, ou ainda complementar o ensino síncrono com o assíncrono.

Polémica à parte, algumas famílias não têm acesso a dispositivos digitais ou a uma conexão à internet. Para estes é importante pensar em soluções offline. A ausência ou a diminuição da simultaneidade outrora garantida pelo ensino presencial coloca a questão não só no modo de transmissão da instrução do professor, como também, na aprendizagem do aluno, na monotorização do seu trabalho, na avaliação da sua compreensão e no feedback que o professor lhe fornece.

Talvez uma das maiores preocupações dos professores é como motivar os alunos para a aprendizagem

Se captar a atenção dos alunos em sala de aula é uma tarefa árdua, garanti-lo online não se torna mais fácil. Este novo contexto tende a ter oportunidades de aprendizagem mais curtas no tempo.

Por este motivo, a instrução (direta ou indireta) deve ser fornecida e a prática deve ser solicitada ao aluno em pequenas porções. Trabalhos ou exposições de grande extensão deixam de constituir um desafio e descambam facilmente num fardo!

Se a estes somarmos solicitações de outras áreas disciplinares e multiplicarmos pelas dificuldades que os alunos apresentam, o fardo adquirirá certamente um peso incomportável. Uma apresentação realista dos conteúdos, com objetivos definidos, beneficiará a linearidade da aprendizagem pela exibição clara do trilho a percorrer e da meta a alcançar.

A motivação poderá ser incrementada se no ensino forem integradas diferentes abordagens de representação, nomeadamente, recorrendo a tópicos, vídeos, figuras, desenhos, tabelas, gráficos, áudios, músicas, visitas virtuais, jogos, cartoons, ...

Existem ainda recursos, alguns deles gratuitos, que oferecem atividades interativas ou a possibilidade de criar tarefas específicas para crianças de diferentes idades, onde a criatividade é o limite.

A possibilidade de feedback do professor constitui outro aspeto que beneficia a motivação. Se os sucessos de um aluno forem celebrados, certamente, que procurará obter nova gratificação.

A criação de um gráfico de recompensas, o envio de mensagens com imagens ou animações, a atribuição de medalhas personalizadas ou a partilha dos sucessos com os pais poderão constituir motores para a motivação.

Importa, contudo, ter presente que a recompensa unicamente centrada nos conhecimentos, privará muitos alunos de a obter. Por exemplo, é essencial incluir um reforço positivo que premeie a capacidade de comunicação online do aluno ou o esforço desenvolvido para completar tarefas. Só deste modo, se evitará que o aluno se perca no “lado errado” do ecrã.

A atual pandemia deverá ser entendida como uma oportunidade para nos recordarmos das competências que os estudantes do presente e profissionais do amanhã precisarão de dominar num mundo que, agora percebemos, se apresenta como imprevisível.

Para assegurar competências futuras aos alunos, como o pensamento crítico, a resolução de problemas, a criatividade, a comunicação ou a colaboração, é essencial identificar estas mesmas competências no processo de ensino atual.

A tecnologia poderá deter um papel preponderante ao auxiliar os professores neste processo e ao permitir que as salas de aula se tornem mais próximas do ambiente real do futuro.

Os professores, hoje, mais do que nunca, juntam-se aos alunos na necessidade de aprender as competências imprescindíveis do amanhã!

Autor: Carla de Menezes Cohen/Psicóloga Educacional & Técnica Superior De Educação Especial e Reabilitação

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