Para perceber o fenómeno do abandono escolar, um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) realizou um estudo que incidiu sobre os alunos de licenciatura e mestrado integrado matriculados em 2013/14.

Dos cerca de 7.500 estudantes da instituição, foram identificados 1.117 em situação de incumprimento no pagamento de propinas, o que impede a realização de atos académicos, e 86 em situação de anulação de matrícula.

O coordenador da investigação, Fernando Bessa, apontou como fator decisivo no abandono as questões económicas, que se juntam a vários outros motivos como o desapontamento com o curso ou a inadaptação à vida académica.

Para travar a saída de estudantes e até ajudar alguns a regressar, o estudo recomenda algumas medidas de combate a esta problemática que afeta todas as universidades portuguesas.

O reitor António Fontainhas Fernandes disse à agência Lusa que algumas das recomendações, que não têm qualquer tipo de implicação financeira, podem ser implementadas de imediato.

Nomeadamente a introdução de mecanismos de sinalização, aconselhamento e apoio aos alunos em risco de abandono, num trabalho que deve feito em articulação com os Serviços Académicos e os Serviços de Apoio Social e tendo em especial atenção os caloiros, já que mais de 80% dos casos ocorrem entre os alunos que iniciam a sua vida académica.

Para este trabalho são ainda chamadas as direções de curso e a Associação Académica da UTAD, com quem deve ser articulada a monitorização e a intervenção.

Será também elaborado um manual de procedimentos que facilitará a intervenção e a monitorização do problema pelos diferentes intervenientes.

A UTAD vai ainda criar um balcão único de atendimento aos estudantes, permitindo a triagem dos casos sociais sinalizados.

Depois, o estudo recomenda o apoio financeiro aos alunos que, embora estejam acima do limiar mínimo para beneficiar de bolsa, têm um rendimento familiar que impede o prosseguimento de estudos, e a ajuda no acesso a empréstimos bancários, o que deverá ser feito em articulação com instituições financeiras.

Aconselha também o reforço dos trabalhos na universidade para os estudantes em dificuldades, uma medida que já está em curso na academia e possibilita a realização de trabalhos na biblioteca, refeitórios ou eventos.

No entanto, o reitor considerou que para contrariar “este fenómeno” é preciso que o Governo fique também sensível e ajude a nível financeiro, nomeadamente a desenhar programas de ação contra o abandono escolar no Ensino Superior, em especial nas instituições mais periférica, como é o caso da UTAD.

Por isso mesmo, Fontainhas Fernandes referiu que o estudo vai ser enviado à tutela, bem como a eventuais mecenas, que possam contribuir para o reforço do Fundo de Apoio Social (FAS), introduzido no anterior ao letivo e que ajuda financeiramente os alunos mais carenciados.

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