Vários autocarros, com passageiros sul-coreanos, partiram para a Coreia do Norte, onde se encontraram pela primeira vez com familiares dos quais foram separados desde a Guerra da Coreia (1950-53).

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"Espero poder abraçar o meu filho adulto", dizia à BBC Lee Keum-seom, que não via o filho há 67 anos, desde que ele tinha dois anos de idade.

Os 14 autocarros, com 89 passageiros idosos, partiram sob escolta policial da cidade portuária de Sokcho (nordeste) em direção à fronteira com a Coreia do Norte. Os 89 participantes vão estar, até quarta-feira, cerca de 11 horas com familiares da Coreia do Norte, na estância de esqui do monte Kumgang, sob a supervisão de agentes norte-coreanos.

Esta nova série de encontros de famílias separadas pela guerra, decorre no quadro da reaproximação entre Seul e Pyongyang, iniciada no princípio do ano. "A primeira coisa que vou dizer ao meu irmão é ‘obrigado por estares vivo’", comenta Lee Su-nam, de 76 anos, ao jornal The Guardian. Lee Su-nam não vê Jong-seong há 68 anos.

Esta é a primeira reunião deste género desde 2015, um tipo de encontro que durante anos foi sendo aprovado e suspenso ao sabor da temperatura das relações diplomáticas entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.

11 horas para matar 65 anos de saudades

Até quarta-feira, os participantes vão estar cerca de 11 horas com familiares do Norte, na estância de esqui do monte Kumgang, sob a supervisão de agentes norte-coreanos, antes de se separarem, talvez para sempre.

Milhões de pessoas foram separadas pela Guerra da Coreia, que selou a divisão hermética da península.

Lee Keum-seom, de 92 anos, disse esperar rever o filho. Ao fugir, durante a guerra, separou-se do marido e do filho de 4 anos. Só com a filha, apanhou um 'ferry' para o Sul. "Não sei o que sinto. Não sei se é real ou se estou a sonhar", disse.

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Norte e Sul continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito terminou com um armistício e sem a assinatura de um tratado de paz. As comunicações civis estão proibidas entre os dois lados.

Desde 2000, Seul e Pyongyang organizaram 20 séries de encontros de famílias divididas, sempre que se verificava uma melhoria das relações bilaterais. No entanto, 65 anos depois do armistício, o tempo é curto para os sobreviventes.

Inicialmente, 130 mil sul-coreanos eram candidatos a participar nos encontros. Uma imensa maioria já morreu e grande parte dos sobreviventes tem mais de 80 anos. Este ano, o mais velho tem 101 anos.

Alguns dos selecionados, num processo aleatório, para o encontro deste ano desistiram ao saber que os familiares do outro lado da fronteira já tinha morrido.

Alguns participantes em encontros anteriores lamentaram as divergências ideológicas que os separam dos familiares.

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