Foi um momento verdadeiramente fantástico!» É assim que Mariana Ferreira, 34 anos, descreve o parto do seu único filho, Benjamim, que nasceu em casa. Um parto tal e qual como Mariana tinha idealizado. Sem pressas, sem intervenções medicamentosas, com total liberdade de movimentos.
«Mudei de posição sempre que me apeteceu. Estive apoiada na bola, estive de gatas, estive em pé, balançando as ancas. Acho que só nunca estive deitada», lembra.
A ideia de ter um parto natural surgiu ainda antes de Mariana ter engravidado. «Os hospitais metem-me medo e o parto também me assustava». A associação era, por isso mesmo, impensável.
Nas aulas de yôga conheceu mães que tinham tido os seus bebés em casa. Já durante a gestação, Mariana fez formação com as doulas, que dão apoio emocional e físico durante a gravidez e o parto.
A pouco e pouco, os mitos foram caindo. E, depois de se assegurar que poderia ter um parto seguro no conforto da sua casa, o medo foi desaparecendo.
Na grande maioria dos hospitais portugueses, as mulheres continuam a ter filhos deitadas, embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomende «liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto» e «estímulo a posições não horizontais durante o trabalho de parto e no parto».
As posições verticais, tais como estar em pé, sentada, de joelhos ou de cócoras, facilitam o trabalho de parto por terem a gravidade a seu favor. Pelo contrário, estar deitada não tem qualquer tipo de vantagem para a futura mãe.
Estando a mulher deitada «a comodidade é só para quem faz o parto», esclarece Jorge Branco, presidente do Conselho de Administração da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa.
«Vários estudos comprovam que as posições verticais podem tornar o parto mais rápido e que deambular ou agachar-se ajuda a relaxar durante o trabalho de parto. Acho que já ninguém discute isso», assegura.
Vítor Varela, presidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras (APEO) e enfermeiro obstetra no Hospital S. Bernardo, em Setúbal, partilha da mesma opinião:
«Há realmente posições que favorecem a descida do feto pelo canal de parto: são todas excepto estar deitada. O problema é que a maior parte dos hospitais portugueses não tem condições para que os partos possam desenrolar-se noutras posições que não a deitada. Existe um problema de gestão e de planeamento de serviços. Estas alterações não podem surgir do ar, têm de ser faladas e pensadas». A caminhada parece estar agora no início.
É difícil perceber se a verticalidade contribui, de facto, para a diminuição da dor. Vítor Varela diz que não há estudos que associem o nível de dor com as posições de parto.
«O que acontece é que a descida do feto pelo canal vaginal torna-se mais fácil e, por isso, o parto é mais rápido».
Noutros países, como na Inglaterra, na Alemanha, na Holanda e na grande maioria dos países escandinavos, a mobilidade da mulher durante o parto é já uma prática habitual, mesmo nos hospitais públicos.
Texto de Patrícia Lamúrias
Revista Pais & Filhos
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