Vulgarmente chamada gravidez fora do lugar, a gravidez ectópica é aquela em que o feto se desenvolve fora do útero, podendo localizar-se na trompa de Falópio, no canal cervical ou na cavidade pélvica ou abdominal. Normalmente, a fecundação do óvulo ocorre na trompa de Falópio e o ovo daí resultante é, posteriormente, transportado até ao útero, onde ocorre a implantação. Qualquer alteração neste percurso natural pode levar a que a implantação ocorra noutro local, com destaque para a própria trompa.

Uma obstrução tubária decorrente de infeções pélvicas anteriores, cirurgias ou alterações da motilidade das trompas são as principais causas de gravidez ectópica. Clinicamente, a gravidez ectópica pode ser assintomática ou manifestar-se por pequenas perdas de sangue vaginais e dores abdominais em mulheres com um atraso menstrual. Como na gravidez ectópica o produto de conceção se implanta num local que não se encontra preparado para uma gravidez, uma de duas situações pode ocorrer:

- A gravidez não evolui e o revestimento uterino descama, provocando perdas hemáticas, perdas de sangue vaginais.

- A gravidez evolui e existe o risco de rutura e hemorragia, com maior morbilidade e mortalidade materna associada.

Como é feito o diagnóstico de uma gravidez ectópica

O diagnóstico de gravidez ectópica é, nos dias que correm, cada vez mais ecográfico, podendo ser feito mesmo antes do desenvolvimento de sintomas. Caracteristicamente, numa mulher com um teste de gravidez positivo, a ecografia revela um útero vazio e permite a identificação da gravidez em localização anómala. Raramente há necessidade de recorrer a outros exames de imagem, ao contrário do que ainda sucedia no século passado. Também aqui a evolução foi grande nas últimas décadas.

Os tratamentos que os especialistas mais recomendam

Relativamente aos tratamentos para a gravidez ectópica, podemos, segundo os especialistas, considerar três abordagens diferentes:

1. Uma atitude expectante, que consiste numa vigilância clínica e laboratorial.

2. Um tratamento médico com utilização de metotrexato intramuscular, um procedimento usado por muitos especialistas.

3. Um tratamento cirúrgico com remoção exclusiva do feto ou da trompa afetada, no caso de existirem lesões tubárias extensas.

A decisão quanto ao tratamento a adotar é feita ponderando caso a caso. Essa avaliação, rigorosa, é feita de acordo com critérios clínicos, ecográficos e analíticos.

Os riscos que estas grávidas correm

São fatores de alto risco os antecedentes de cirurgia ou de uma patologia tubária, uma gravidez ectópica anterior e uma exposição in útero ao dietilstilbestrol (DES) e/ou ao dispositivo intrauterino (DIU). As mulheres que fizeram tratamentos de infertilidade e que já tiveram infeções genitais e têm ou tiveram múltiplos parceiros correm um risco moderado. Os fatores de baixo risco são a cirurgia abdominal ou pélvica prévia, o tabagismo, o duche vaginal e a primeira relação sexual antes dos 18 anos.

Como prevenir a gravidez ectópica

É muito difícil de prevenir. Por um lado, apesar de identificados os principais fatores de risco, a maioria dos casos de gravidez ectópica detetados ocorre em mulheres sem fatores de risco conhecidos. Por outro, existem fatores de risco que não são preveníveis. Não obstante, podemos considerar como medidas redutoras de risco a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis responsáveis por episódios de doença inflamatória pélvica, a evicção tabágica e a utilização correta dos métodos contracetivos.

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