Mais de 30% das crianças portuguesas entre os sete aos nove anos têm excesso de peso. Dessas, pelo menos 11,3% são obesas. Nos últimos anos, a obesidade infantil tem vindo a aumentar de forma alarmante. Basta andar na rua e olhar, pra comprová-lo. Com consequências na saúde das crianças e jovens, e fazendo temer que a obesidade nos adultos venha a aumentar, é já considerada uma epidemia do nosso século. Alimentação incorreta e ingestão excessiva de alimentos, sedentarismo e falta de atividade física são apontados como os grandes impulsionadores da obesidade infantil.

O problema das crianças com peso a mais, não só prejudica a saúde, como a autoestima dos mais novos. As crianças obesas podem desenvolver vários problemas de saúde que se vão agravando ao longo dos anos, entre eles a diabetes tipo 2, síndrome metabólica, tensão arterial elevada, asma e outros problemas respiratórios, alterações no sono, perturbações na puberdade ou menarca (primeira menstruação), doenças do comportamento alimentar e infeções.

As crianças precisam de mais nutrientes (em termos relativos) do que os adultos Só assim podem crescer e desenvolver-se corretamente. Segundo explica António José Guerra, pediatra e membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria, «se ingerirem as calorias necessárias para fazerem face às suas atividades diárias, ao seu crescimento e ao seu metabolismo, então a sua massa corporal evolui num canal de percentil (curva de crescimento) adequado e a uma velocidade normal».

Em contrapartida, «se ingerirem mais calorias do as que precisam e gastam, acumulam tecido adiposo e adquirem mais peso do que é desejável, aumentando assim o risco de obesidade», acrescenta ainda o especialista. Em Portugal, segundo a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI), «uma em cada três crianças tem este problema de saúde», refere a organização com base um estudo com 18.374 crianças, uma das maiores amostras neste tipo de investigação, referente a 2013/2014.

Quais as causas?

A causa mais frequente para a obesidade infantil é a ingestão alimentar excessiva e a falta de exercício físico. No entanto, os fatores hereditários e genéticos também podem estar na origem do ganho de peso desmedido.

Quais os fatores de risco?

São vários os fatores que, normalmente em conjunto, contribuem para aumentar o risco das crianças terem excesso de peso ou tornarem-se obesas:

- Alimentação (ingestão regular de alimentos calóricos, com muita gordura, bebidas ricas em açúcar e doces)

- Sedentarismo (a falta de exercício, bem como as atividades de lazer sedentárias, como ver televisão ou jogar computador, contribuem para este agravamento)

- Genética (de acordo com um estudo, a genética pode contribuir para 77% da obesidade. Os investigadores, da University College London, seguiram 5.092 pares de gémeos e evidenciaram uma forte influência genética na adiposidade infantil)

- Fatores psicológicos (existem crianças que comem demasiado como forma de superar problemas ou mesmo para lidar com as emoções, como o stress ou a tristeza)

Veja na página seguinte: O que fazer para travar o fenómeno

Como prevenir?

Como em tudo, a prevenção é o melhor remédio. Nesta perspetiva, «a atitude mais correta é manter sempre hábitos alimentares saudáveis ao longo da vida e, assim, contribuir para a prevenção da obesidade» refere António José Guerra, pediatra e membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria. «A prevenção é sempre melhor e mais eficaz que o tratamento, particularmente no ciclo de vida pediátrico», sublinha, ainda, o especialista.

Como se diagnostica?

Para saber se o peso da criança indica algum problema relativamente ao estado de nutrição e de saúde, o pediatra, o médico de família, ou outro profissional de saúde que lida com crianças e adolescentes, avalia a história individual e familiar, bem como os seus hábitos diários. Esta apreciação, segundo António José Guerra, «consiste na avaliação do peso e do comprimento/estatura da criança, no cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), e na sua interpretação em função das curvas de crescimento (percentis)».

Estes indicadores revelam se a criança tem demasiado peso para a sua idade, sexo e estatura. Cabe à família, quando se apercebe que uma criança está em risco de se tornar obesa, tomar uma série de medidas para inverter esta tendência. Dar o exemplo é a palavra de ordem. Fazer escolhas alimentares saudáveis, organizar atividades em família e incentivar a criança a participar nelas, são alguns dos passos a seguir.

Como se trata?

Antes de mais, as crianças precisam de seguir uma alimentação saudável e aumentar a sua atividade física diária, um hábito que deve ser estimulado desde a mais tenra idade. Aqui, a ajuda dos pais é imprescindível, pois são eles quem tem de aprender a fazer as melhores escolhas. Para além disso, crianças e jovens com um IMC acima do normal devem iniciar um programa de controlo do peso, seguindo a orientação do seu médico ou nutricionista.

Texto: Madalena Alçada Baptista com revisão científica de António José Guerra (pediatra e membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria)

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