Desde muito pequeno, Tomás sempre odiou livros. Mal lhe punham um nas mãos, reclamava logo.

«Livros, não! Livros, não!», berrava. A pouco e pouco, os primos foram-lhe oferecendo alguns, primeiro de pintar e depois de colagens.

 

Enquanto o faziam, foram aproveitando para brincar com ele e com os livros, de uma forma quase discreta, como se fossem parte integrante de um jogo. Hoje, os livros continuam longe de ser um dos brinquedos de eleição de Tomás, mas já não lhe causam a mesma repulsa. Antes pelo contrário. Até já perde (algum) tempo a explorá-los!

Ler, mesmo sem saber, é mesmo fundamental para o desenvolvimento da criança. Apresente-a aos livros e estimule-a a interagir mais com eles! Consoante as oportunidades que lhe são oferecidas, as crianças começam desde muito cedo a ter uma leitura do mundo, pessoal e exclusiva.

Primeiro, surge a vontade de rabiscar folhas de papel, a seguir chegam os desenhos mais ou menos perfeitos e, a par com a escrita, vem a leitura. Aliás, o primeiro contacto com os livros, nem que seja visualmente e através do toque, deve ocorrer muito antes de irem para a escola.

Quando atinge os sete meses, a criança já consegue apreciar os momentos que passa na companhia dos livros, que os pais podem fomentar através de obras específicas, adequadas a cada idade. Aquilo que, à primeira vista, pode ser interpretado como mais uma brincadeira, envolvendo objetos de cores vivas, transforma-se num meio de aprendizagem muito útil.

Uma vez desperta a atenção e o interesse tátil das crianças pelos livros, torna-se possível desenvolver várias áreas intelectuais, como é o caso da imaginação, criatividade, expressão de ideias, reflexão, a curiosidade e o prazer de adquirir novos conhecimentos.

Livros encantados

A leitura interage no processo de construção do pensamento e estimula a aprendizagem. O folhear de livros, desde cedo, para além de desenvolver a criatividade, permite que as crianças entrem em contacto com as personagens das histórias de uma forma lúdica.

As fábulas e os contos de fadas, príncipes e princesas facilitam o desenvolvimento do imaginário, ajudando à expressão de ideias. Desta forma, o objetivo da literatura infantil é o entretenimento, aprendizagem e, claro, criar futuros fiéis leitores.

A cada dia que passa, o envolvimento com aquilo que se lê é cada vez maior, proporcional à maturidade que vão ganhando. Quando a criança é muito pequena, o manuseio de folhas com histórias é feito com a ajuda de desenhos que, de forma explícita, apoiam o conteúdo escrito.

Esta chamada de atenção serve como um convite que lhe proporciona interesse e prazer. A tradição de ler uma história à criança antes dela adormecer, mais do que uma forma de colorir-lhe os sonhos, ajuda-a a visualizar outros cenários e realidades que não a sua.

Graças à imaginação, pouco depois, ela conseguirá repetir-lhe a história favorita, folheando o livro como se já percebesse as letras até passar à fase seguinte. Quando aqueles sinais pretos escritos nas páginas deixam de ser um mistério. Aí será ela a juntar as letras e a dar rumo à história.

O vício do livro

A aprendizagem do alfabeto e da leitura vai além da simples descodificação, uma vez que é feita uma interpretação, assimila-se a mensagem e o contexto em que se insere. Deve ser por isso um trajeto coletivo, sempre percorrido através de estímulos e motivações constantes, adequadas às preferências dos mais pequenos. A consciencialização dos sons constitui um passo importante para o reconhecimento das letras, palavras e o seu significado.

Nos primeiros dois anos de vida, a criança deverá manusear livros coloridos, de várias texturas e espessuras e cada vez há mais livros de formatos fora do comum e visualmente estimulantes. Sugerem-se as brincadeiras no banho, utilizando-se livros em versões impermeáveis. A esta fase pode chamar-se o «namoro» com a linguagem escrita.

Dos três aos cinco anos pode ser aplicado um vasto leque de jogos linguísticos recorrendo aos livros, que os próprios pais poderão criar e que contribuem para o aumento do vocabulário, para a consciencialização de fonemas (sons) e das letras (grafemas) que os representam.

Pais leitores

É nesta etapa que a criança tende a copiar os modelos adultos, por isso, o exemplo dos pais e familiares que a rodeiam é de extrema importância.

Por outro lado, agem em busca da atenção por parte do adulto, preocupando-se em agradar.  O acompanhamento é solicitado inconscientemente e deve ser dado, mesmo quando não parece ser preciso.

 

Folhear com ela as páginas, responder a todas as dúvidas, corrigir os erros à medida que surgem, promover a leitura em voz alta são também medidas a adotar. Aos seis anos já é notório o progresso geral do desenvolvimento linguístico, assim como a socialização.

 

A sua construção mental começa a desenvolver-se a um ritmo mais rápido. As crianças já são capazes de observar imagens, têm uma nova noção dos seus esforços, exploram e captam as suas próprias atividades. Depois dos sete anos as capacidades de representação atingem contornos mais significativos.

 

As operações mentais são concretas. A comunicação verbal é alargada. A partir daqui, é perfeitamente oportuno proporcionar-lhes uma leitura que estimule o seu pensamento crítico. A seguir, o acompanhamento deve permanecer... sempre! Com todo o prazer.

Texto: Filomena Nascimento com Luis Batista Gonçalves

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