O ritual repete-se todos os dias. Assim que Joana acaba de mamar, a mãe, Sylvia, levanta-se e leva-a à casa de banho. Sobre o lavatório, desaperta-lhe o babygrow, senta-a ao colo virada para a frente e diz a senha: «chichi, chichi, chichi».

Em poucos segundos, Joana começa mesmo a fazer chichi. «Boa bebé!», elogia a mãe, enquanto o pai, ao lado, bate palmas. Joana parece orgulhosa da sua proeza e ri-se mostrando as gengivas ainda sem dentes.

Com apenas três meses, Joana só usa fralda durante a noite e quando sai de casa durante períodos longos. No restante tempo, os pais reconhecem os sinais emitidos pela filha e levam-na à casa de banho sempre que ela mostra vontade.

O método tem vários nomes em inglês: “elimination comunication”, “diaper free”, “infant potty training”, “potty whispering”. As poucas traduções para português, utilizam a expressão «higiene natural do bebé».

A Diaper Free, uma associação sem fins lucrativos que promove o método por todo o mundo, descreve-o desta forma: «Assim como os pais aprendem a ler os sinais de fome e de sono dos seus bebés, podem também aprender ler os sinais de eliminação».

Muitos dos pais que praticam este método seguem o “attachment parenting”, uma pedagogia que tem como objectivo «criar laços mais fortes e emocionalmente saudáveis entre pais e filhos».

O “attachment parenting” baseia-se em oito princípios, entre os quais amamentar o bebé durante o máximo tempo possível, deixar o bebé dormir na cama dos pais ou pegar-lhe ao colo sempre que ele chora.

As primeiras vozes sobre as vantagens de não usar fralda logo a partir do nascimento terão surgido em 2001. A canadiana Ingrid Bauer é considerada a precursora do movimento e o seu livro

«Diaper free: the gentle wisdom of natural infant hygiene» (Sem fraldas: a sabedoria da higiene natural do bebé) é o mais famoso sobre o tema, tendo sido já traduzido em várias línguas. Os adeptos do “diaper free” lembram que já houve tempos em que não existiam fraldas e que, nessa altura, os pais controlariam as necessidades dos filhos quase por instinto.

Em algumas culturas, ainda é assim que funciona. Mas é algo tão natural, que nem tem um nome. No seu livro «A criança e a higiene», o pediatra norte-americano Berry Brazelton dá como exemplo as mães de etnia zinanteco, no sul do México. Estas mães, conta Brazelton, carregam os filhos às costas durante todo o dia e quando sentem que o corpo do bebé dá sinais de querer urinar ou defecar, respondem, levando-o a um local apropriado. Mais tarde, quando a criança começa a andar, já está condicionada a fazer chichi e cocó no sítio certo e é capaz de organizar-se sozinha. Apesar de ter conhecido estas mães, o pediatra considera que «na nossa cultura dominantemente higiénica, temos de encontrar outras formas de respeitar o papel da criança no treino da higiene». No mesmo livro, Brazelton é peremptório: «Antes dos dois anos a criança não está preparada para aprender a usar a casa de banho.»

Texto de Patrícia Lamúrias

Revista Pais & Filhos

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