Tem 25 anos e tornou-se um dos rostos principais do programa 'Esta Manhã', o primeiro morning show na televisão nacional, que estreou na TVI em 1 de fevereiro. Ao lado de Nuno Eiró, Sara Sousa Pinto está a viver um desafiante capítulo profissional e não esconde o orgulho em fazer parte da equipa que trouxe para Portugal o célebre formato norte-americano.

Como surgiu o convite? Como está a lidar com os holofotes apontados a si? Ainda no rescaldo da estreia, em conversa com o Notícias Ao Minuto, a jovem jornalista falou-nos das primeiras semanas à frente do programa na estação generalista e do sonho de exercer "jornalismo puro e duro".

Quando é que despertou a paixão pelo jornalismo?

Despertou já quando estava na licenciatura de Relações Internacionais. Inicialmente queria seguir diplomacia, ir para uma embaixada, por exemplo, mas depois percebi que num curto prazo não ia conseguir esse sonho. Porque, na melhor das hipóteses, só consegues a partir dos 30 e poucos anos. Decidi tirar a pós-graduação em jornalismo para fazer jornalismo internacional de investigação. Gostava muito de estar no terreno à procura de histórias e de as investigar.

Quando fala em estar no terreno, refere-se a jornalismo de guerra?

Na altura, fui mal-entendida. Nunca disse que queria ser correspondente, o que pressupõe que esteja sempre lá. O que disse é que um dos meus sonhos era não morrer sem fazer a cobertura de uma guerra, estar no local, seja na Síria, no Iraque ou no Afeganistão. Não quero estar estar lá a tempo inteiro, mas gostava de ter essa experiência porque conseguia aliar as duas coisas de que mais gosto: as relações internacionais e o jornalismo.

A vida trocou-lhe as voltas ou esse é um objetivo a cumprir a longo prazo?

A vida trocou-me as voltas, não estava à espera de ficar num programa de infotainment, muito menos de estrear esse formato em Portugal. Mas também acho que era um projeto que não podia recusar de todo. Sairmos da nossa zona de conforto também é positivo e eu estou agora no início, tinha de me lançar neste desafio de braços abertos. Nós nunca sabemos o dia de amanhã. Não estou a pôr o jornalismo puro e duro de parte, e, por isso, a longo prazo será um dos meus objetivos.

O programa ‘Esta Manhã’ surgiu como na sua vida?

Surgiu na apresentação da grelha da TVI - surgiu para mim como surgiu para toda a gente. Foi uma surpresa porque achava que estava lá só a marcar ponto e o convite surgiu aí.

O que pensou naquele momento?

‘Tirem-me daqui’. Fiquei muito contente, como é óbvio, porque disseram-me que ia ter um programa meu com outra pessoa, que depois descobri que era o Nuno Eiró. Mas é uma surpresa daquelas em que se fica sem palavras. Acompanhava o formato lá fora e já sabia como funcionava. Há muito tempo, acho que é uma opinião consensual, que se achava que faltava um formato desses cá. Escolherem-me a mim para introduzir esse formato em Portugal, é de ficar muito feliz.

Do que imaginou sobre a profissão, o que é que não está a corresponder às expectativas?

Se calhar, a parte internacional. Como não era da área, quando decidi ir tirar jornalismo achava que havia mais oportunidades de trabalhar no estrangeiro. No jornalismo em que eu me baseava, naquele mais antigo, de há uns 15 anos, víamos muitas reportagens de exterior com muitos correspondentes, e hoje em dia já não é assim. Como temos acesso à informação, por exemplo, com as agências da Reuters ou da AP [Associated Press], já não há tanta necessidade de enviarem um jornalista para fora, só mesmo quando é um acontecimento muito grande que justifique - como as eleições brasileiras ou nos Estados Unidos. Fora isso, não há muita margem para nós trabalharmos lá fora. Foi aí que comecei a desprender um bocadinho do jornalismo internacional e, no estágio, quando me deram a opção de escolher onde queria ficar, preferi retratar assuntos de sociedade porque aí tinha oportunidade de ser repórter, que era o que queria fazer. Não conseguia ser repórter lá fora como, com utopia ou até deslumbramento, achei que fosse fácil.

Um mês depois da estreia, como descreve estas primeiras semanas sob as luzes da ribalta?

Estamos muito contentes. Aqui não vou falar só por mim, mas pela equipa, porque estamos muito alinhados no que estamos a fazer. Uma coisa boa é que toda a equipa se dá muito bem e estamos todos para o mesmo. Ao fim de uma semana a nossa relação já era muito coesa e isso tem-se repercutido no decorrer do projeto, é por isso que está a correr tão bem. Essa dinâmica, num projeto como este, é mesmo necessária e ela não é de todo forçada, fora do programa somos também assim.

É óbvio que não é fácil destroçar umas audiências como as da RTP, que é líder neste horário há uns 20 anos. Nós também não estamos tristes com isso porque estamos a conseguir bons números, mas nunca fomos iludidos ao ponto de achar que íamos estrear este formato e que rapidamente íamos ficar em primeiro lugar. Honestamente, também não é isso que nos move. É óbvio que temos de olhar para isso porque faz parte, mas nenhum de nós se deixa ir abaixo quando há um dia que corre mal até porque estamos em confinamento. Quando todos ‘desconfirnarmos’, é quase como começar do zero. Acho que esta não é a altura de olharmos tanto para isso, mas também de perceber que foi um desafio gigante estrearmos um programa e termos a coragem de o fazer numa altura destas.

Houve alguma reação que lhe tenha ficado particularmente na memória?

As pessoas dizem muito uma frase que acho que é o melhor elogio: Que o nosso programa é uma lufada de ar fresco. É sentirem que estreamos uma coisa que não existia e que faz as pessoas sentirem-se bem. Outras pessoas dizem que não viam televisão naquele horário e passaram a ver agora, ou que não gostavam de ver notícias e passaram a ver porque as damos de uma maneira diferente.

Já recebeu publicamente o elogio de Anselmo Crespo, diretor de informação da TVI, que disse que era uma “rising star”. Chegar aqui, aos 25 anos, é fruto de sacrifícios?

Muitos, pessoais e profissionais. Não olhar às horas de trabalho, saber que há dias em que vou trabalhar 12 horas ou mais, saber que há dias em que vou saltar refeições se for preciso. Olho para a vida como olhava quando estava na faculdade, os meus pais sempre me ensinaram que nada se tem sem esforço e que há tantas pessoas a querer o mesmo e que para nos distinguirmos temos de fazer bem e trabalharmos por isso. Continuo com esses ensinamentos na minha vida. É óbvio que tive um bocadinho de sorte por me terem escolhido, porque há outras pessoas da minha idade igualmente boas, mas também sei que se tive esse voto de confiança foi fruto de muito trabalho.

Sente-se uma inspiração para os jovens estudantes de comunicação?

Curiosamente, acho que sim porque tenho recebido algumas mensagens nesse sentido. Algumas pessoas que estão a começar agora ou que estavam no secundário e tinham pensado ir para outra coisa totalmente diferente e agora olham para o meu exemplo, e pedem-me dicas e conselhos. É bonito sabermos que somos uma inspiração para quem nos vê.

O que está a ser mais duro e mais entusiasmante ao estar à frente de um programa numa estação generalista?

Talvez a visibilidade que não tinha antes. Essa exposição traz-nos coisas boas e menos boas, como é normal. Quanto ao horário, não vou dizer que é duro porque era um horário que já fazia. Óbvio que é duro acordarmos às quatro da manhã, mas como já vinha do ‘Diário da Manhã’ já tinha esse hábito. Acho que os maiores desafios agora são mesmo aprender a lidar com essa exposição, aprender que há momentos do programa que se forem tirados do contexto, como já aconteceu, vão parecer grandes polémicas quando na verdade não são. Mas tudo isso faz parte.

Refere-se ao episódio com Nuno Eiró?

É desse que estou a falar, sim.

Como lida com esse lado mais polémico da fama?

Ri-me e até fui lá responder porque estavam a fazer-lhe acusações verdadeiramente graves, de machista e sexista, e eu fui lá em jeito de defesa: ‘Tenham calma, foi uma brincadeira’. Mesmo que não tivesse sido, seja em direto ou não, eu teria reagido. Se formos olhar para as três horas de programa, estamos sempre nessas picardias. Aquilo foi uma brincadeira e foi tirado do contexto, o que dividiu opiniões: entre as pessoas que acham que ele é um machista que devia ter sido expulso e as pessoas que acham que eu sou uma criança amuada que não teve resposta no momento. Que todos os males sejam esses.

Acha que essas reações podem estar relacionadas com o facto de as pessoas não estarem habituadas a essa descontração num programa de informação?

Sim, porque normalmente esse tipo de picardias acontecem nos programas puramente de entretenimento. Acho que se fosse o Cláuio [Ramos] e a Maria [Botelho Moniz], ninguém ligaria a essa situação. Aqui foi a jornalista e eu tenho o papel mais desafiante, sou a única pessoa que verdadeiramente tem de sair do registo. Tenho de continuar a ser jornalista mas ao mesmo tempo ser a jornalista engraçada. Sei que é uma exposição que estou a ter e que me vai trazer coisas boas e menos boas. Honestamente, não estou preocupada porque as pessoas vão sempre falar. Até tenho tido sorte porque a maioria das pessoas tem falado bem de mim.

Disse que estava a gostar de trabalhar com toda a equipa, mas não posso deixar de perguntar como está a ser dividir o ecrã com o Nuno Eiró. Ele dá-lhe dicas?

Ele é muito bom colega. Está nisto há mais tempo, tem mais 20 anos do que eu, e ele dá-me muitas dicas, tenta que eu pareça mais descontraída em certos assuntos. Ele diz que em alguns assuntos inevitavelmente tenho um tom mais sério e às vezes as coisas têm de ser mais conversadas e menos em entrevista. Nisso ele é muito bom e dá-me dicas, e ao contrário [também acontece]. Quando vão ministros ou secretários de Estado também me pede conselhos, cada um está na sua zona de conforto. Também temos o mesmo sentido de humor e o mesmo sarcasmo, enquanto dupla funciona bem.

Assustou-a a ideia de trabalhar com alguém com muito mais experiência em televisão?

Não, de todo. Isso nunca me assusta, aprendemos é com quem tem mais experiência. Se fossemos dois inexperientes aí é que tinha razões para estar assustada.

Ao conquistar um passo tão importante nesta fase, qual é o próximo objetivo?

Não gosto de traçar objetivos a longo prazo, mas não escondo que mantenho o meu objetivo de ir para fora e acompanhar um acontecimento internacional importante. Para já, estou focada no ‘Esta Manhã’, é um verdadeiro desafio já aos 25 anos. Este programa dá-me a oportunidade de fazer o que mais gosto que é juntar a informação e o lado mais descontraído que tenho e que antes não podia explorar.

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