The Sartorialist, por que é conhecido, é o o rosto por trás dos rostos. Falamos de Scott Schuman. Após 15 anos de carreira na indústria da moda, em vendas e marketing,
Scott Schuman decidiu abandonar o showroom onde trabalhava para tomar conta da filha.

Foi então que teve a ideia de pegar na
máquina e ir para as ruas nova-iorquinas fotografar pessoas com estilo.

«Cool people», como lhes chama. Depois
vieram as ruas de Londres, Paris, Milão e por aí diante. Vieram as primeiras filas, os editoriais de moda, as publicidades. Vieram os 70.000 visitantes
por dia. E veio um destino inevitável, o sucesso. A partir daí tudo aconteceu e o cliché (na positiva) de que sucesso gera
livros
confirmou-se. Em 2009, editou «The Sartorialist», uma compilação das
melhores fotografias de street style do mundo e, cerca de três anos depois, «The
Sartorialist: Closer».

«Closer» [mais perto] porque quis captar mais de perto a essência
das pessoas, a seu ver, o objetivo principal das suas fotos, muito mais que
fotografar estilo. «Closer» porque se sente, finalmente, mais perto das
personagens que sonhava fotografar quando criou o blogue. Assim, nesta obra
iremos encontrar cowboys, nómadas, fashionistas, fotógrafos, pintores e
empregados de bar, entre muitos outros. A propósito do lançamento do segundo livro, falámos com o autor e perguntámos-lhe o que sempre quisemos saber.

Como surgiu a ideia de ir para a rua fotografar pessoas com estilo?  Lembra-se da primeira fotografia que tirou?

O street style [moda de rua] já tem uma longa tradição na fotografia e fotografia de moda.
Apenas achei que usar a tecnologia digital seria uma forma de lhe dar uma perspetiva nova e moderna.

Já disse várias vezes que não fotografa apenas pessoas bem vestidas. O que é preciso te para captar a sua atenção?

O mais importante, e por vezes mais difícil de atingir, é uma certa dose
de graciosidade, no feminino ou no masculino. A forma como alguém
comunica através da linguagem corporal pode ser de extrema eficácia numa
fotografia.

Existe alguém que o tenha marcado por alguma razão?

Para ser honesto, é raro chegar a conhecer bem as pessoas que fotografo. É
geralmente a minha imaginação que traça uma personalidade àquela pessoa.
Portanto, não há ninguém que me tenha marcado particularmente, é mais o
conceito que crio à volta das pessoas que me intriga.

Que fotografia jamais publicaria no blogue The Sartorialist? Algum tipo de
pessoa ou estilo que se recusaria fotografar?

Auto-retratos de nudez.

O The Sartorialist mudou a forma como olhamos para as tendências.
Considera que a rua é a verdadeira passerelle?

Não, aquilo que faço é um complemento às já estabelecidas revistas de moda.
Acho que as revistas oferecem algo que o street style não tem e vice-versa.
Na minha opinião, o melhor balanço é a combinação perfeita dos dois
elementos.

Não segue blogues e acha que as revistas estão no fim da sua era. O que ou quem o inspira então, para além da rua?

Arte e fotografia. Sou um grande fã da história da fotografia. Pessoas como
Edward Weston, Lartigue e August Sander. Compreender a forma como
captavam os momentos naqueles tempos é uma grande inspiração para mim e
também uma forma de entender como posso captar os tempos em que vivo.

Veja na página seguinte: A cidade onde as pessoas se vestem melhor

Qual a cidade do mundo mais bem vestida?

Eu diria que Milão é, provavelmente, a cidade com mais gente mais bem vestida per capita.

Uma
cidade relativamente pequena mas que é o centro de importantes comunidades de design, quer seja design de moda ou design de interiores. Milão parece-me
ser, de facto, a mais bem vestida cidade do mundo.

Depois do sucesso do seu primeiro livro, resolve voltar à carga e lançar um segundo, «The Sartorialist:
Closer». O que podemos encontrar de novo nesta segunda compilação de
fotografias?

Neste segundo livro, encontrará uma maior diversidade de temas e de sítios
onde estive a fotografar, seja Nova Iorque, Paris, Milão ou Dublin, Marrocos ou Savannah, na Georgia.

Em pequeno quis ser designer. Acha que, com a dimensão que deu ao seu
nome, esse será um sonho a realizar-se agora?

Cheguei à conclusão de que o meu talento não está no design. Adoro e aprecio
quem o faz, mas faz-me feliz ir para a rua e apenas fotografar! Por mim será
suficiente para o resto da minha vida...

Há alguma possibilidade de vir a ser fotografada pelo The Sartorialist, num
futuro próximo, nos arredores de Lisboa?

Claro. Porque não?

Quais são para si as regras básicas para ter estilo?

Relativamente ao estilo, tenho apenas uma regra de ouro, que é escolher roupas
que assentem bem no corpo. Se ficarem bem, é meio caminho andado para
sucesso no estilo.

Texto: Pureza Fleming

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