Manuel Luís Goucha prepara-se para mais um desafio na sua carreira. No dia 4 de janeiro estreia o seu novo programa na TVI - 'Goucha'. O apresentador irá desta forma deixar as manhãs ao fim de quase três décadas, mudança para a qual olha com grande entusiasmo.

Não há cá saudosismos!

Questionado numa entrevista aos jornalistas sobre o que é que sentia por deixar as manhãs, o apresentador revelou-se pronto na resposta:

"Não sinto nada, são quase 30 anos. É um ciclo muito longo, mas não tenho saudades de nada. Parto do princípio que irei sentir o mesmo de quando saí da 'Praça da Alegria' e da RTP, ao fim de 10 anos, e passei na semana seguinte para a TVI. Não me agarro emocionalmente aos projetos que faço. Acabou, acabou. As manhãs não mais são minhas, passam a ser as tardes".

No mesmo sentido, dizer adeus ao 'Você na TV', projeto que fez durante 16 anos, também não é de modo algum complicado para o comunicador, pelo contrário. "Nunca é difícil. Digo adeus a um projeto para no dia seguinte iniciar outro. É muito mais aliciante começar uma coisa do zero, do que dizer adeus a uma coisa que tem 16 anos. Não sou um homem agarrado a essas coisas, sou muito prático".

Um programa chamado 'Goucha'... nome que Goucha não queria...

Sem 'papas a língua' e no auge da sua honestidade, confessa-nos igualmente que não gostou do nome escolhido para o programa... o seu. "Todos temos os egos muito insuflados, somos muito vaidosos, senão não fazíamos televisão. Achei que isso poderia ser um exercício de pouca humildade. Não sou humilde... mas porquê? Mas os argumentos eram fortes. Ao longo destes anos sempre ouvi dizer que 'eu vou ao Goucha'. Quando usaram esses argumentos percebi que fazia sentido", completa, resignando-se às evidências.

Um novo Goucha nas tardes da TVI? Nem tanto...

Este será um programa adaptado à personalidade do apresentador. Sendo no horário da tarde, será que o público irá ver um Goucha mais sério? O apresentador garante-nos que não, no entanto, nota que é sempre necessária uma adaptação.

"A boa-disposição está lá sempre. Mesmo que uma conversa seja densa e algo trágica tento sempre que as pessoas, por muito tristes que estejam, saiam da lágrima para o riso. O programa está a ser pensado, terá mais conversas com mais tempo, com vários segmentos muito interessantes. Talvez com menos palhaçada. A palhaçada é uma coisa que a manhã permite, sobretudo em dupla. Isso consegue-se com uma dupla com grande afinidade. No programa da tarde os ritmos são diferentes. Agora, a minha personalidade está lá sempre", justifica, relembrando os tempos áureos que partilhou ao lado de Cristina Ferreira, com quem fazia uma dupla imbatível.

Entretanto, sublinha: "Acho que a maior adaptação vai ser no conteúdo do programa. Ao fim ao cabo, as pessoas que gostam de mim mantêm-se comigo e já sabem como eu sou. Acredito nessa fidelização".

E depois do contrato acabar? Isso logo se vê!

"Nunca pensei no que é que vem a seguir. Sou um fazedor de televisão que é deslocado para os projetos onde a direção me ache mais eficaz. Claro que se for um projeto em que não acredite, que nada tenha a ver comigo, eu recuso. Tenho essa possibilidade. Nunca pensei no que iria fazer nos últimos dois anos deste atual contrato. Tenho uma posição muito tranquila em relação ao meu ofício", diz-nos, depois de perguntarmos se este era o projeto que queria.

Goucha agarra com 'unhas e dentes' os projetos em que acredita. Começa e termina. Venha o próximo. Está nos últimos dois anos de contrato com a TVI e não sabe se depois quer continuar a fazer televisão com o mesmo ritmo frenético. Na altura terá 68 anos. Espera aí conseguir ter tempo para aproveitar outras coisas, sobretudo o seu Alentejo.

"Quando acabar o contrato terei 68 anos. É natural que aos 68 anos não queira fazer programas todos os dias. Não me importo de fazer um semanal, ou não, é tranquilo para mim. Quando sair da televisão, saí. Tenho outras coisas para fazer da vida, nomeadamente gozar do tempo, do Alentejo, sem andarilho ainda. Para já, até dezembro de 2022, irei estar a fazer o programa da tarde, depois logo se verá", revela-nos.

"Aquilo que costumava dizer é que me apeteceria talvez abrandar o ritmo. Nem mesmo a pessoa que vive comigo há 21 anos [o marido Rui Oliveira] acredita que isto é possível. Quando digo isto é porque vão aparecendo outras coisas, o 'Conta-me'. Este programa de seis horas no sábado correu tão bem, que já vai haver outro. Epá, calma... é mais para ter tempo para gozar as minhas coisas. Agora, eu sei lá o que é que vai acontecer daqui a dois anos", acrescenta ainda, despreocupado quanto ao que o futuro lhe reserva.

Prova disto, foi esta justificação do apresentador: "Não tenho há muitos anos essa ansiedade do que vou e não vou fazer. A vida encarregou-se de me colocar um desafio novo a dois anos de eu terminar um contrato com a TVI. Imaginava lá que iria fazer um horário novo. Não estou nada preocupado com o meu futuro. Imagine-se que o programa é sucesso e dizem-me que terei de continuar... ok! Mas se disserem que acaba aqui, ok! Nada de saudosismos, detesto isso. Rei morto, rei posto. Programa morto, programa posto".

Goucha não precisa das audiências para saber que é bom naquilo que faz

As audiências - sempre presentes na realidade de quem trabalha num canal privado - já não importunam Manuel. Ao fim de tantos anos ganha-se calo em relação a isto e confiança na qualidade do próprio trabalho, e claro, talento.

"Já ganhei e já perdi. Não é isso que é importante, tenho é de me divertir e de ser feliz a fazer televisão. Estive ano e meio a perder e a levar tanta pancada das revistas, mas acho que faz parte do jogo. Não tenho nada a provar ninguém. Não é por perder que deixo de ser o profissional que sempre fui, sei que sou muito bom profissional. Tenho a consciência tranquila. Não me afeta minimamente, nem aquilo que tenham a dizer a meu respeito. Sei quem sou"

Leia Também: Já se sabe o nome do novo programa de Manuel Luís Goucha

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.