A prepara-se para ser pai pela segunda vez, do primeiro filho em comum com a atual companheira, Inês de Góis, José Carlos Pereira esteve à conversa com Júlia Pinheiro.

Uma entrevista que começou precisamente com a grande novidade da vida do ator e médico, a gravidez da namorada, que "foi uma surpresa" e "não estava planeada". "Já tínhamos falado acerca do assunto, mas foi uma boa surpresa. Na altura estranha-se, mas depois entranha-se", acrescentou.

"Foi um bocadinho agridoce. Todos temos noção de que é um ano um bocadinho atípico, e espero sinceramente que isto passe. Tenho constatado nesta última semana que as coisas não vão melhorar assim tão cedo. Tenho perfeita noção da realidade, as coisas estão a agravar-se, principalmente ontem [domingo], estive de urgência e foi o dia mais complicado", destacou de seguida, referindo-se à pandemia, uma vez que se encontra neste momento a trabalhar nas urgências do Hospital de Abrantes.

José Carlos Pereira continuou o seu testemunho, realçando que esta segunda vaga tem sido pior do que a primeira, especialmente pelo maior número de casos positivos. "E vão continuar a aumentar. Portanto, acho que a população, todos nós temos o dever cívico de conseguir controlar de alguma maneira esta propagação. Cada um de nós tem de fazer a sua parte, é uma responsabilidade muito importante. Cada um tem de olhar para si e saber exatamente aquilo que deve ou não deve fazer", acrescentou.

"O primeiro confinamento já foi muito difícil e esta segunda vez, porque já sabemos ao que vamos, será talvez ainda mais difícil. A nível psicológico as pessoas estão a fraquejar muito e é normal. É difícil para todos nós ficarmos muito tempo fechados, não socializarmos, não abraçarmos", continuou.

Sobre a época festiva que se aproxima, o Natal, José Carlos Pereira frisou a importância de se fazer "reajustes", citando as palavras de António Costa.

"Olha, acabei de dizer o nome da criança... Inês, desculpa"

Sobre a gravidez, inicialmente, o casal pensava que estava à espera de uma menina, mas afinal vão ser pais de um menino. E ao recordar o verão, o ator acabou por revelar o nome do bebé, sem querer, e pediu depois desculpa à companheira pelo lapso.

"Aqui já está o Tomás", disse ao ver uma fotografia em que aparece ao lado da namorada, com quem está junto há cerca de um ano e meio, e do filho mais velho, Salvador, fruto da relação anterior com Liliana Aguiar. "Olha, acabei de dizer o nome da criança... Inês, desculpa. [risos] A Inês aqui já estava grávida e nós não sabíamos, soubemos passado pouco tempo", acrescentou.

O ator e médico recordou depois o início da relação com Inês. "Aconteceu, o amor acontece. Começou com uma relação de amizade. Conhecemo-nos num jantar em Évora, fomos falando, as coisas foram fluindo, estivemos juntos [mais algumas vezes] e fomos ficando", lembrou.

A conversa seguiu-se com Inês de Góis a juntar-se através de uma chamada, revelando o que a fez apaixonar-se pelo companheiro. "Não foi só pelos olhos azuis, até costumo dizer que nem gosto muito dos olhos azuis. Acho que foi uma coisa muito natural. Começou por uma amizade", recordou.

Sobre a gravidez em tempos de pandemia, Inês destacou: "Agora estou em casa. Além de ser a primeira vez, às vezes, à noite estou a sonhar com isto de ter um bebé numa pandemia, aflitíssima".

José Carlos Pereira explicou ainda que na primeira fase da pandemia "ficou a viver num hotel durante dois meses" e só vinha a casa dois dias por semana.

Estando na frente de combate à pandemia, o ator e médico revelou os cuidados que tem tido, especialmente agora por causa da gravidez da namorada, e relata que "sempre que chega a casa toma banho". "Mesmo no hospital somos obrigados a tomar banho, e agora os turnos vão ser cada vez mais intensos, mas obviamente que é uma situação de risco", destacou.

Por sua vez, Inês não deixou de admitir que esta situação "a deixa com mais receio". "Mas também, além de confiar nele, confio nos profissionais de saúde e sei que ele tem muitos cuidados, mesmo a trabalhar", acrescentou.

"Foi uma altura muito complicada para todos nós"

José Carlos Pereira voltou depois a falar dos dias difíceis que viveu na primeira fase da pandemia, lembrando que esteve longe do filho mais velho e da restante família. "Foi uma altura muito complicada para todos nós".

O artista foi ainda surpreendido com uma mensagem do pequeno Salvador. "É uma criança super afetiva e muito tranquila. É muito doce, às vezes sai da mesa, levanta-se só para me dar um beijinho. Adoro-o, amo-o", declarou o pai 'babado'.

O ator e médico ofereceu-se para ajudar no combate à pandemia logo ao início. "Achei que era essencial. Nem sequer se percebia bem a dimensão que isto ia tomar, era a primeira vaga, era tudo desconhecido quando me voluntariei".

Entretanto, soube que estavam a reforçar a equipa da urgência geral do Hospital de Abrantes, inscreveu-se e foi contratado. Nesta fase, tem feito turnos de 12 horas. "Às vezes de 24 horas, mas neste momento 24 horas já não consigo. Prefiro fazer vários turnos de 12 horas e que me permitam dormir pelo menos três a quatro horas por dia. Neste momento durmo três a quatro horas por dia, não durmo mais, talvez pela ansiedade, a gravidez... Acordo às 5h para ir treinar, tento fazer tudo um bocadinho, mas é isso que me preenche e me faz estar equilibrado a certo ponto", explicou.

Ainda sobre os casos positivos do novo coronavírus, José Carlos Pereira sublinhou que na primeira fase da pandemia, cada caso suspeito que tinha fazia o teste, "em dez pessoas tinha cerca de dois casos. Neste momento faço teste e em dez tenho cerca de sete casos positivos". "A média será cinco positivos em dez testes feitos".

Atualmente, "estamos mais preparados e mais cientes do que é o vírus, e de como é que ele funciona". "Poderei dizer que sou quase leigo na parte virológica, não sei como é que o vírus se replica, como é que vai evoluir, se será sazonal ou não. Isto é outra das grandes questões, mesmo que haja uma vacina, não será como a gripe", partilhou, referindo que "há uma série de questões que ainda não sabemos responder".

"Estou cansado, mas estou numa fase da minha vida em que estou a investir muito na minha formação profissional. Não é só na parte da urgência, mas também na medicina estética", salientou.

Júlia Pinheiro quis ainda saber se as pessoas ficam surpreendidas quando vêem o ator assim que chegam ao consultório. "Houve uma altura, inicial, que as pessoas confundiam, mas depois lembravam-se que agora sou médico. Neste momento já não sinto nada desse estigma ou de diferença. Principalmente na zona onde estou a trabalhar, já estou normalizado, sinto confiança, sinto agradecimento por parte dos doentes. Há um respeito, tenho uma equipa fabulosa em Abrantes, quer da medicina, da cirurgia ou da equipa hospitalar...", disse.

"Que 2021 seja o ano da recompensa. As pessoas não vão conseguir aguentar muito mais"

O ator continua a "amar representar" e sabe que mais tarde ou mais cedo vai acabar por fazer outro projeto. No entanto, neste momento está "focado" na medicina e vai "dedicar-se a 100%" a esta área. "No próximo ano vamos ver como é que as coisas evoluem. Espero sinceramente, para o bem de todos nós, que 2021 seja o ano da recompensa, que seja o ano da vacina, do alívio, porque temos passado por muito. Humanamente, acho que não vamos aguentar muito mais este tipo de situação que estamos a viver. As pessoas não vão conseguir aguentar muito mais", realçou.

Questionado por Júlia sobre se tem medo de ficar infetado com Covid-19, José Carlos Pereira respondeu: "Não penso nisso. Tenho cuidado, mas não penso nisso. Eu vejo casos positivos todos os dias, e os casos que estão mais agravados. Os muito graves sobem aos cuidados intensivos. E aí sim, requer vigilânica, requer cuidados intensivos. Há uns que melhoram e outros que, infelizmente, não", relatou.

Em relação a alguns comportamentos mais "irresponsáveis", como Júlia intitulou, José Carlos Pereira disse: "Acho que isto é uma tomada de consciência que devia ser coletiva. Podíamos ter feito uma campanha de muito maior sensibilização e ter tomado, algumas vezes, medidas mais drásticas. Não sou político, não faço parte do Governo e nem me cabe a mim tomar as medidas, mas acho que devia haver situações de punição mais gravosas no que diz respeito a alguns aglomerados e situações para que as pessoas aprendessem de uma outra maneira".

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