Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho: recordar é viver
créditos: Miguel Ribeiro Fernandes

Eunice e Ruy são dois animais de teatro que têm o talento para se transfigurarem em jovens aprendizes, apesar do posto que é a idade. Foram crianças para outro mestre, a quem hoje ainda chamam com reverência por mestre Ribeiro, que respondia também pelo petit non de Ribeirinho.​ Ribeirinho que nos fez rir tanto em filmes a preto e branco, como “O Pai Tirano” ou “O Pátio das Cantigas”. Eunice e Ruy recusam dizer «no meu tempo», mas falam de um tempo só seu. Ninguém imagina que Ruy era alvo preferido e discípulo mais amado de mestre Ribeiro e que este lhes repetia constantemente: «nem sabem sentar-se. É uma brutalidade, uma grosseria», revela Eunice.​

Tempo também de Alves da Cunha, professor de Eunice e lhes dizia: «olha meu filho, depois de estudares inteligentemente o teu papel, o que é preciso é convicção, estupidez natural e não deixar cair os finais.»  Para Eunice e Ruy é hora de recordar Raúl de Carvalho «que fazia composição extraordinariamente», um animal de teatro do tempo deles.​​​

Conta Ruy que, tal como Eunice, trabalhou muito anos no Teatro de Variedades onde havia um porteiro chamado Grilo. «Eu teria já uns 40 anos de profissão.  E um dia ele disse-me assim quando eu entrei: “o senhor Ruy é exactamente a mesma pessoa, tal e qual como no primeiro dia que entrou aqui”.» Mais do que dar o nome a uma rua isso é motivo de orgulho para Ruy. Sobretudo tratar as pessoas com respeito. Para Eunice não há questão: «somos todos iguais. O contrário disso é que é difícil perceber.»

Texto de Maria João Veloso

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