Esta semana, Catarina Furtado foi entrevistada por Rádio Comercial, na qual confessou que também ela já tinha sido alvo de assédio, à semelhança de tantas outras mulheres nos últimos tempos. “Porque é que até então nunca o tinha dito? Porque de facto nunca calhou e porque de facto existe agora uma espécie de libertação e proteção sobre esta questão. Questão esta que tem variadíssimas variantes e que são essas variantes que me fazem escrever este post: O que eu vivi foram situações de assédio sexual por parte de pessoas que tinham funções hierárquicas acima da minha e eu ainda não era esta mulher forte e conhecedora do mundo real”, começa por referir.

Entretanto continua a descrever: “Era uma muito jovem rapariga, cheia de vontade de provar que gostava de trabalhar e que queria dar o meu melhor, agarrando os meus sonhos. Com mini-saia, de calças, de vestido decotado ou de fato de treino ou gola alta. Ora, tenho uma filha e uma enteada, a minha enteada tem 21 anos, e eu quero que hoje elas percebam que quando um homem mais velho utiliza o seu ‘poder’ para tentar algo mais, exercendo chantagem em relação às suas ambições, elas possam dizer ‘Não’ mas sem medo das represálias profissionais. Eu disse ‘Não’, com medo, e fingindo que não estava a perceber bem, arranjando desculpas e sorrindo para não nascerem conflitos irreparáveis. Consegui. Fiquei orgulhosa. Mas inconscientemente sabia que eram situações que não seria suposto contar a ninguém, nem aos meus pais”.

Entretanto, deixa a mais importante de todas as mensagens: “É disto que quero falar. Da oportunidade única que temos nos dias de hoje de falarmos uns com os outros, raparigas e rapazes, homens e mulheres para que juntos desconstruamos comportamentos sociais que até agora foram sempre aceites debaixo de um grande véu e de um silêncio muito desconfortável. É uma oportunidade para as mulheres pararem de ter de fazer jogos de cintura e poder de encaixe (as que fogem e as que cedem, aceitando jogar com as mesmas regras) e para os homens se questionarem eticamente sobre esses comportamentos e mudarem”.

Posteriormente, aborda a falta de respeito que existe em Portugal quanto a situações deste género: “No entanto é verdade que ainda não existe esse respeito em Portugal, quando, através das redes sociais (ou de um meio de comunicação social) alguma mulher vem a público fazer uma partilha difícil. Os comentários agressivos soltam-se numa espécie de auto defesa e defesa desnorteada de quem nunca verdadeiramente sentiu na pele este abuso de poder. Não pretendo atacar. Pretendo defender”.

“Enquanto Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA, há já 18 anos, e através da associação que fundei há 6 anos Corações com Coroa, trabalho todos os dias, em equipa, as questões da desigualdade com base no género e por isso não necessito de modas para falar em público. Infelizmente a nossa sociedade ainda precisa de um debate sério, sem ataques mútuos, sobre os nossos comportamentos cívicos. Um debate sobre educação para o respeito. Ainda precisa destas Modas para ver se agarramos a oportunidade! Tudo o resto, a sedução, os piropos, as insinuações sensuais ou sexuais, em pé de igualdade por parte das mulheres e dos homens, pertencem a outros capítulos que não me interessa abordar aqui e onde não existem só os santos e só os pecadores, e que nada têm a ver com o assunto que me fez falar publicamente”, termina.

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