O Burkina Faso enfrenta há cinco anos ataques de insurgentes ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico, um conflito que já matou milhares de pessoas e obrigou ao deslocamento de mais de um milhão.

Apesar disso, é também a casa de mais de 22 mil refugiados, na sua maioria malianos.

"A verdade é que não estamos a fazer metade do que deveríamos... para garantir que os refugiados podem regressar a casa ou para apoiar os países de acolhimento, como o Burkina Faso, há anos a gerir uma fração da ajuda humanitária que necessita para garantir apoio básico e proteção", disse Jolie.

Como Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Angelina Jolie assinalou o Dia Mundial do Refugiado, a 20 de junho, domingo, no campo de refugiados de Goudoubo, onde terminou uma visita de dois dias, tendo falado com os refugiados malianos ali colocados, assim como com os deslocados do Burkina Faso.

Os malianos iniciaram a fuga para o Burkina Faso em 2012 depois de verem a vida ameaçada por insurgentes islâmicos, que obrigou a uma intervenção internacional liderada pela França para recuperar o controlo de uma série de cidades.

O conflito alastrou até à fronteira com o Burkina Faso, criando uma crise de deslocados em rápido crescimento.

No mês passado o país registou o seu mais mortífero ataque em anos, quando homens armados mataram pelo menos 132 civis na aldeia de Solhan, na província de Yagha, levando à deslocação de milhares de pessoas.

O crescente número de ataques está a limitar a capacidade de resposta humanitária das Nações Unidas aos locais e aos refugiados que acolhe.

"Os níveis de financiamento para a ajuda humanitária estão criticamente baixos e com o crescente número de pessoas obrigadas a fugir... o fosso está a aumentar", disse à Associated Press (AP) o representante no Burkina Faso Abdouraouf Gnon-Konde.

Os ataques estão também a aumentar os problemas para os refugiados que procuraram segurança no Burkina Faso.

"Insistimos em ficar, mas ficamos com medo. Estamos demasiado assustados. Hoje não há um país onde não haja problemas. O problema do terrorismo afeta África inteira", disse Fadimata Mohamed Ali Wallet, uma refugiada maliana a viver no campo do Burkina Faso.

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