Entre a estrada de Monserrate e a Serra de Sintra, Françoise Baudry transformou os terrenos da Quinta da Bemposta num jardim recheado de diferentes atmosferas que reflectem a sua cultura francesa e a paixão pela vida ao ar livre.

Este jardim de dois hectares perde-se de vista na imensidão da serra. De tal forma que ao primeiro olhar é difícil perceber onde termina o primeiro e começa a segunda.

É um autêntico apelo aos sentidos, o jardim desta restauradora de quadros vendedora de antiguidades. Planeado pela própria proprietária, há cerca de 20 anos quando adquiriu a quinta, reúne uma enorme colecção vegetal e goza de uma localização privilegiada e do clima da mística serra. Talvez por isso, Françoise Baudry afirma que se trata de um jardim «meio tropical meio mediterrânico» mas sem dúvidas para ela é «o paraíso», o «local ideal para retemperar forças». A dificuldade reside em escolher o cantinho certo para os momentos de ócio.

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Os dois hectares do jardim, que começa nas traseiras da casa, mais concretamente num terraço íntimo e acolhedor, estão recheados de autênticos labirintos que conduzem a uma infinidade de locais aprazíveis quer para passear, ler ou simplesmente contemplar as vistas que lá do alto permitem alcançar Colares e a Praia das Maçãs. A partir desse terraço, desenvolve-se por diversos caminhos e só mesmo os sentidos podem indicar a primeira direcção a percorrer.

Qualquer que seja a opção, no entanto, a cada passo revelam-se as surpresas. Caminhos sinuosos levam o visitante a querer sempre descobrir mais e mais. São necessárias algumas horas para percorrer todo o espaço. E quem o visita pela primeira vez, por vezes tem que voltar atrás e tornar as entrar nos trilhos da mata ou da serra.

Veja na página seguinte: Os animais que habitam este jardim

O melhor é seguir o som da água. Presente em praticamente todo o espaço, fruto de uma antiga mina que outrora irrigava os campos de cultivo, actualmente cumpre a função de alimentar as plantas com a ajuda dos canais construídos e dos enormes tanques espalhados pela propriedade.

Os sons da água que por lá se ouvem misturam-se com o chilrear das diversas espécies de aves que povoam o local.

Pássaros, mas também sapos, rãs, patos, pirilampos, cobras e até um casal de águias que do alto da serra dominam a fauna e fazem deste um local de características únicas. Daqueles que dão vontade de nunca abandonar!

Françoise Baudry manteve algumas das características desta antiga quinta rural do século XVIII. É o caso da horta, da qual tem «um orgulho especial», como confessa sem qualquer tipo de pudor.

Plantada de acordo com os métodos da agricultura biológica, onde os pesticidas não têm lugar, ali crescem legumes mediterrânicos, como curgetes, tomates, pepinos, funcho, beringelas, alcachofras e muitas variedades de feijão, entre outros alimentos para consumo próprio. Os pomares, é claro, não podiam faltar.

Laranjas, limões, clementinas, pêssegos, maçãs, pêras abacate e ameixas são alguns dos frutos cultivados que contribuem para a variedade de odores que se sentem à medida que se percorre o jardim. Entre a enorme variedade de árvores e plantas, é difícil para a proprietária confessar preferências.

Mas perante a insistência, lá vai dizendo que tem «um amor especial pelos fetos», porque os viu crescer a partir de estacas que vieram do rio e pela magnólia do perfumador, uma árvore com flor minúscula mas que exala um odor muito agradável. Um odor daqueles que despertam uma sensação de evasão e frescura, daquelas que apetecem nunca deixar partir.

«Gosto também muito da sombra e da atmosfera criada pelas plantas», esclarece ainda Françoise Baudry, que trata do jardim apenas com a ajuda de um jardineiro. Um único! Que se ocupa regularmente do jardim e da serra, onde os trabalhos de limpeza constituem uma tarefa árdua mas necessária para retirar as acácias e as silvas que teimam em crescer.

A ideia que tem norteado a preservação deste espaço foi a de «manter o aspecto de um jardim antigo», afirma, ao referir-se ao desenho e às espécies escolhidas para habitar o local. «Certos locais do jardim são referências à pintura flamenca», explica, realçando a importância das cores das árvores. Ou não estivesse a sua vida profissional ligada desde sempre às artes, como faz questão de sublinhar.

Veja na página seguinte: Os elementos de decoração trazidos da Índia

Espaços para relaxar e aproveitar

As zonas de estar foram cuidadosamente pensadas para usufruir da vida ao ar livre. Num patamar superior, uma grande zona de lazer coberta por relva com uma pérgola em bambu e madeira e mobiliário de jardim, é uma autêntica varanda a céu aberto sobre a propriedade e a serra de Sintra.

Na continuidade da piscina, também numa zona desnivelada, extende-se outra grande zona de relvado guardada por dois imponentes ciprestes e dois vistosos vasos de Queluz do surpreendente século XIX.

No jardim de da Quinta da Bemposta repousam réplicas de antigos bustos romanos, envelhecidos pelo clima de Sintra e alguns escondidos pela vegetação. Uma fonte trazida da Índia refresca uma das zonas de estar e faz lembrar que a água é um elemento presente em todo o jardim, quer correndo pelos canais de irrigação, quer nos lagos e tanques espalhados pela propriedade.

Apaixonada por artefactos antigos, Françoise Baudry colocou gigantescos potes de barro envelhecido, sobretudo junto à piscina, que conferem ao espaço o aspecto rústico de um jardim antigo, de um jardim de campo. Uma aprazível zona de refeições junto do pequeno e acolhedor terraço permite desfrutar do bom tempo debaixo da sombra dos chapéus chineses em bambu e tecido encerado. Mas só quem lá vive pode beneficiar deste cenário idílico.

Ainda assim, apesar de não de encontrar aberto ao público, o jardim da Quinta da Bemposta há muito ultrapassou as fronteiras do país e é objecto de visitas de membros da prestigiada RHS (Royal Horticultural Society), da Sociedade dos Jardins Mediterrânicos, de organizações ligadas à jardinagem e horticultura da África do Sul, entre outros países e já suscitou também a curiosidade de estações de televisão estrangeiras que lhe dedicaram reportagens.

Quinta da Bemposta
Estrada de Monserrate
Colares – Sintra
Telefones: 219 290 065 / 917 572 644
Internet: www.francoisebaudry.pt
E-mail: francoisebaudry@sapo.pt

Showroom de antiguidades e decoração aberto ao público todas as tardes, incluindo sábado e domingo

Quem é Françoise Baudry

Reside em Portugal há cerca de 20 anos e optou por Sintra para viver e trabalhar. Françoise Baudry é natural do Norte da Europa e após uma carreira na área do restauro de quadros, em Portugal dedica-se ao comércio de antiguidades e à decoração.

Veja na página seguinte: Quem ajuda Françoise Baudry

Na sua quinta tem um showroom aberto ao público, com a Serra de Sintra como pano de fundo. Define-se a si própria como uma «criadora de atmosferas» e faz frequentemente viagens pela Europa e pelo Oriente em busca de peças decorativas raras e de inegável valor estético.

Os mesmos valores que a fizeram transformar a zona rural da Bemposta num jardim que se perde nas entranhas da serra e que tem atraído especialistas internacionais. Apenas com a ajuda de um jardineiro e muito trabalho que começa bem cedo, Françoise Baudry mantém um espaço onde coexistem múltiplas atmosferas recheadas de odores, sons e cores que não deixam ninguém indiferente.

As principais espécies que por existem:

Fetos (Cyathea arborea)

Ciprestes (Cupressus sempervirens)

Esterlícias gigantes (Strelitzia reginae)

Jaracandás (Jaracanda)

Brincos-de-princesa (Fuchsia)

Palmeiras (Phoenix)

Camélias (Camellia japonica)

Papiros (Cyperus papyrus)

Hortênsias (Hydrangea japonica)

Texto e fotos: Luís Melo

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