Paixão, erotismo, devastação emocional, obsessão e frutos proibidos, são os ingredientes que compõem o drama Two Mothers – Paixões Proibidas protagonizado por duas atrizes de renome (Naomi Watts e Robin Wright) e duas revelações (Xavier Samuel e James Frecheville).

O filme conta a história de duas amigas que se apaixonam pelos filhos de uma e de outra e que decidem, durante anos, manter as duas relações em segredo, com receio de enfrentar a ira e o julgamento da comunidade. Quando a história de amor dos quatro é revelada, surge a ameaça: dividir as vidas e as famílias dos dois jovens, que eventualmente vão ter de optar entre um caminho seguro e os seus desejos mais íntimos.

Em entrevista ao SAPO Mulher, Anne Fontaine, natural do Luxemburgo, contou o que a atraiu na história, o que quis transmitir com o filme e como encara as paixões ditas proibidas.

O que a chamou à atenção na obra de Doris Lessing?

Quando eu descobri o livro, fiquei muito impressionada com esta história porque é completamente diferente. Primeiro porque nunca tinha visto uma história de amor com quatro personagens, com relações tão próximas e ambivalentes. Senti que havia algo de muito interessante e muito complexo que devia ser retratado num filme.

Depois encontrei a Doris Lessing em Londres, já está muito velhinha, e quando falei com ela senti que estavamos na mesma onda, tínhamos a mesma percepção desta história, onde não há ponto de vista moral, só sentimentos e densidade numa relação tão especial e única entre duas mulheres e os dois rapazes. Senti que era algo muito forte, muito imprevisível porque nunca sabemos como vai acabar.

A sensualidade sente-se no filme, é quase palpável. Era isso que queria transmitir?

Era muito importante transmitir essa sensualidade desde o início do filme, através do mar, da sensação de isolamento numa povoação australiana, dos corpos bronzeados, da indumentária informal através da roupa de praia...uma promiscuidade muito forte. E isto é muito importante para a história porque tudo isto começa antes mesmo da própria história. As duas mulheres, mesmo quando eram crianças, já estavam sempre no mar, no pontão, e faz parte do enredo.

Eu acho que este romance é interessante porque nos faz questionar sobre o que as pessoas fariam nesta situação. Mas a resposta não é nada simples. E o que é interessante é tentar perceber a parte mais complexa dos indivíduos.

A Doris Lessing escreveu esta história quando tinha 85 anos e ela é que me disse uma coisa engraçada: “ este filme devia fazer com que as pessoas desejassem estar ali com eles, naquela casa, naquela praia. Sentir a voluptuosidade”.

Esta história não tem um ponto de vista moral...

Não tem e para mim isso também não é importante. O que interessa é que estas mulheres têm coragem. Elas não fazem nada de proibido, não estão com os próprios filhos nem eles são menores, e isso muda tudo. É complicado, porque eles têm uma proximidade muito forte, mas não é errado do ponto de vista moral. É bom que as pessoas se choquem um pouco com esta história porque este não é um filme para nos fazer sentir bem. É uma espécie de “ménage à quatre”.

A Doris Lessing escreveu a história quando tinha 85 anos, como referiu. Acha que é uma mulher à frente do seu tempo?

Ela sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Sempre escreveu livros sobre mulheres muito audaciosas, independentes, sempre foi contra a família burguesa. Tem uma grande liberdade na sua escrita, principalmente quando escreve sobre mulheres, como o faz desde os 50 anos. E claro que é muito bom ver uma mulher como ela, inteligente, culta, a ter um fascínio por esta “ménage à quatre”. Quando falei com ela, ela estava fascinada por esta relação.

Como define este filme?

É uma história sexy que transmite a ideia de paraíso, de onde não queremos sair. E isso é transversal a todos, sejam homens ou mulheres. Quando criamos algo único, queremos ficar naquele momento para sempre. Este filme faz-nos sonhar, faz-nos querer estar no mar, estar com eles, e deixar os preconceitos de lado.

Veja o trailer: