Garanto-vos que consigo imaginar  as gargalhadas de quem me conhece, ao ler esta primeira frase. Para quem nunca sabe se os jogos são para a Taça, para a Liga ou para o Campeonato do Mundo,  esta pretensão de escrita pode revelar-se arriscada.  Mas como acredito firmemente que uma das coisas que dá grande sabor à vida é aceitar correr riscos, não vou voltar as costas a este.

Então vamos lá, sócios… mas não riam muito alto que estou  concentradíssima.

Demorei um pouco entre a última linha e esta porque tive que ir consultar o senhor Fernando, aqui do café, que me explicou que os jogadores são onze ( é o que eu pensava! ) e que o guarda-redes normalmente não entra na contagem dos esquemas do  4-4-2  ;   4-3-3  ; 5-4-1  ;  4-1-4-1, etc.  Não é preciso ser muito entendida para perceber de imediato que quanto maior for o número inicial (o que está logo depois do guarda-redes) mais o jogo é defensivo e vice-versa.  E é neste momento que começo a voltar à minha zona de conforto e a escrever sobre a vida. 

Afinal como é que eu jogo? Qual é a minha tática? Será que uso,  sequer, o  guarda-redes e alguns defesas? Ou entro com tudo ao ataque? É neste ponto que se torna claro o porquê de existirem vários campeonatos e taças. Vamos supor que o campeonato nacional é a nossa tática familiar; que a liga dos campeões se refere às nossas conquistas pessoais e o campeonato do Mundo é a nossa vida em geral.

Quais são as minhas táticas? Quais são as vossas táticas? Estaremos a usar a melhor? E qual é o nosso prémio de jogo? Jogamos para atingir o quê? Fama? Glória? Riqueza? Felicidade? Sabedoria? Realização?

Não preciso de pensar muito para perceber que  jogo para evoluir! Jogo para tentar descobrir tudo o que o meu ser encerra! Jogo para me emocionar e para fazer nascer emoções… E percebo  agora, ao refletir sobre o assunto,  que a tática que uso é quase sempre a mesma…. 11! Tudo ao ataque, guarda-redes incluído! Não digo que seja a mais certa, nem vos aconselho que a sigam pois, como diz a sabedoria popular, cada um sabe de si.

É verdade que a baliza me fica desprotegida e que, volta e meia, sofro golos mas,  com onze ao ataque, tenho tido muitas vitórias nos vários campeonatos!  Por isso, e como em equipa vencedora não se deve mexer, vou seguir com esta tática insana… Se começar a perder logo aceito as novas fórmulas do meu treinador interior!

Ana Amorim Dias