No ano em que o SAPO foi criado, o mundo estava longe de ser o que é hoje. Em 25 anos, foram muitas as novidades tecnológicas que revolucionaram as nossas vidas. Ouvir música em cassetes, enviar faxes, ir a uma cabine telefónica para telefonar, enviar um bip ou escrever à máquina são hábitos que caíram completamente em desuso. Grande parte das gerações mais novas até os desconhece. Está na altura de viajar atrás no tempo e de (re)descobrir coisas que antes fazíamos e que hoje seriam impensáveis.

1. Alugar uma cassete VHS ou um DVD num videoclube

Foi, na década de 1980 com as cassetes VHS e na de 1990 com os DVD, uma atividade muito lucrativa, com marcas internacionais como a Blockbuster a serem franchisadas em Portugal. Mas a evolução tecnológica e a generalização dos downloads ilegais levaram à sua extinção. Nos dias que correm, foram substituídos por plataformas digitais como a Netflix, a HBO e a Disney Plus e pelos serviços de aluguer das operadoras de televisão por subscrição.

2. Enviar um telegrama, um fax ou um telex

À tecnologia de telecomunicações usada para a transferência remota de documentos através da rede telefónica deu-se o nome de fax, a abreviatura do termo latino facsimile e telefacsimil. O seu sucesso deveu-se, principalmente, à sua grande vantagem sobre os correios na comunicação a longa distância, uma vez que a transferência de documentos era quase instantânea. Foi destronado pelo e-mail, tal como também sucedeu com os telegramas e com os telexes.

3. Ir à biblioteca fazer as pesquisas para os trabalhos da escola

São raros os que hoje o fazem. Atualmente, para elaborar um trabalho escolar ou até académico, o recurso faz-se à pesquisa digital através de sites na internet e até nas redes sociais de investigadores e de estabelecimentos de ensino. No entanto, até esta tecnologia se democatrizar, as pesquisas eram efetuadas com recurso a obras literárias, académicas ou científicas, habitualmente em bibliotecas ou noutras instituições que facultassem esse tipo de registos.

4. Ouvir cassetes de áudio

As cassetes de áudio, com um padrão de fita magnética para gravação de música e/ou de registos de voz, foram lançadas oficialmente em 1963. A sua invenção foi da responsabilidade da empresa holandesa Philips e, à época, estiveram na origem de uma revolução, uma vez que permitiam reproduzir som.

25 coisas que fazia há 25 anos e que hoje seriam impensáveis

Os primeiros gravadores de cassetes da marca já eram portáteis mas, no final da década de 1970, a empresa japonesa Sony lançou o walkman, um reprodutor de cassetes muito compacto com formato de bolso e auscultadores para os ouvidos que funcionava a pilhas. Hoje, viria com uma bateria recarregável.

5. Enviar bips

O pager, também apelidado de bip, foi um dispositivo eletrónico muito usado para contactar pessoas através de uma rede de telecomunicações numa altura em que as mensagens escritas SMS e as conversas no Windows Messenger ou no Whatsapp estavam longe de ser uma realidade. Muito popular na década de 1990, precedeu a tecnologia dos telemóveis, utilizando as transmissões de rádio para interligar um centro de controle de chamadas e o destinatário mas, na verdade, nem sempre eram eficazes.

6. Escrever à máquina

Marcou um período importante na história da tecnologia e a sua evolução foi uma constante ao longo dos tempos. A primeira máquina de escrever surge em 1714 pelas mãos do engenheiro inglês Henry Mill. A partir de meados da década de 1990, este equipamento começou a ser suplantado pela supremacia do computador na era da informática e pela exigência crescente de um ritmo acelerado.

25 coisas que fazia há 25 anos e que hoje seriam impensáveis

Hoje, com mais de 200 anos, é praticamente desconhecida dos mais jovens. A máquina de escrever transformou-se, nos dias que correm, numa peça de antiquário e de museu, tendo acabado o seu reinado em abril de 2011. A cantora, compositora, atriz, produtora discográfica e atriz Madonna recuperou-a nas fotografias e nos vídeos promocionais que fez para promover o disco "Madame X", lançado em 2019.

7. Comer cigarros de chocolate

Na década de 1970, uma empresa lembrou-se, um dia, de lançar no mercado maços de cigarros de chocolate de leite, muito semelhantes aos verdadeiros, para que qualquer criança pudesse imitar os pais fumadores. Em vez de colocar um cigarro na boca, deliciava-se com um pedaço de chocolate e fingia que se fumava.

Eram os tempos do politicamente incorreto e algo que, nos dias de hoje, não seria visto com bons olhos porque, além de apelar ao tabagismo, também seria encarado como um estímulo à obesidade. Nalguns sites na internet, ainda há quem os encontre à venda. Para além dos cigarros, também há caixas de charutos de chocolate.

8. Andar com um leitor de música portátil que pesava quase meio quilo

O leitor de música portátil Walkman da Sony foi um dos objetos, senão o objeto, mais ambicionado da década de 1980. A maior parte dos adolescentes dessa época teve um. Numa época em que se gravavam as músicas favoritas da rádio para as cassetes de áudio, este aparelho que permitia ouvi-las, o que permitia uma mobilidade maior.

25 coisas que fazia há 25 anos e que hoje seriam impensáveis

Tornou-se, rapidamente, a companhia preferida de quem corria e de quem andava de transportes públicos. Ao contrário dos telemóveis de hoje, que vieram a substituir essa função, não era, no entanto, propriamente pequeno. O Discman, que lhe sucedeu, tinha espaço para inserir um CD e pesava cerca de 400 gramas, um peso inaceitável hoje.

9. Ir a uma cabine telefónica para fazer um telefonema

Já foram muito importantes na vida de uma cidade. Estavam um pouco por todo o lado e foram muito úteis e muito práticas. As primeiras a aparecer seguiam a estética das míticas cabines inglesas, pintadas de vermelho. Começaram, depois, a surgir algumas pintadas de branco e, mais tarde, as últimas, eram uma espécie de armário metálico, com ou sem porta. Eram munidas de um telefone e de uma lista telefónica. Ainda resistem algumas mas já são raros os que recorrem a elas.

10. Recorrer a uma lista telefónica

Até ao limiar do século XXI não havia casa que não tivesse listas telefónicas em papel. Era a elas que se recorria para descobrir números de telefone e moradas. Mas, mais uma vez, as novas tecnologias mataram praticamente o negócio em papel. Hoje, mantém-se aquele que foi o gigante das listas telefónicas.

25 coisas que fazia há 25 anos e que hoje seriam impensáveis

As Páginas Amarelas ainda resistem, mas apenas por encomenda, porque ainda há portugueses que não estão familiarizados com os meios digitais. A Lista Eletrónica da Altice é outra das ferramentas digitais que existem mas, na verdade, é aos motores de busca de internet que hoje mais recorre para pesquisar.

11. Jogar Game Boy

Lançada em 1989 nos Estados Unidos da América e no Japão e na Europa em 1990, foi a consola portátil mais popular de sempre e um dos objetos mais desejados pelos amantes dos jogos eletrónicos. O Game Boy, com o seu design compacto e ergonómico, tornou-se num sinónimo de diversão e numa das imagens de marca da Nintendo, que o foi adaptando ao longo dos tempos. Foi, com o passar do tempo, sofrendo reformulações sucessivas até ser substituído pela Nintendo DS.

12. Passar horas a encaixar blocos num ecrã minúsculo

Foi uma das maiores modas da década de 1990, época em que o mundo do entretenimento portátil era, ainda, muito incipiente. O Brick Game, um dispositivo de jogos a preto e branco, com um ecrã de dimensões reduzidas, viciou miúdos e graúdos.

25 coisas que fazia há 25 anos e que hoje seriam impensáveis

O seu primeiro modelo saiu nos últimos anos da década de 1980 nos Estados Unidos da América, chegando a Portugal no início da década seguinte. O jogo de encaixar blocos Tetris, ainda hoje disponível para telemóveis e tablets, era, na época, o mais popular.

13. Soprar num apito de água

Foi outra das modas da década de 1990. Quem é que ainda se lembra dos apitos de água que imitavam o chilrear dos pássaros? Das novas gerações deverão ser muito poucos! Colocava-se um pouco de água no interior do dispositivo, soprava-se e o brinquedo chilreava. Os mais comuns eram de plástico e fabricados em Portugal pela Ribeirinho, uma empresa que produziu uma enorme variedade de apitos coloridos para todos os gostos e feitios.

14. Barrar o corpo com mistelas caseiras para acelerar o bronzeado

Longe, muito longe, vão os tempos em que não havia buraco do ozono e nem a radiação ultravioleta atingia os níveis perigosos dos dias de hoje. De tal forma que a procura por protetores solares era muito residual e a palavra de ordem nas idas à praia era, mesmo, torrar. Havia quem fabricasse, até, o seu próprio bronzeador com recurso aos produtos que tinha em casa. Quem não se lembra da famosa mistura de Coca-Cola com óleo Johnson's ou dos bronzeadores com óleo de cenoura?

15. Pagar com escudos

Desde o dia 1 janeiro de 1999 que em Portugal, como noutros 10 países integrantes da União Europeia, se deixou de usar a moeda nacional para dar lugar ao euro, ainda que o período de dupla circulação das duas moedas se prolongasse até 31 de dezembro de 2001. A partir de 1 de janeiro de 2002, o euro substituiu, em definitivo, o escudo. Uma mudança que, à época, causou muita estranheza causou à maior parte dos portugueses mas que, hoje em dia, não passa de uma recordação.

16. Beber uma gasosa BB ou um refrigerante Rical de pêssego

Os anos das décadas de 1960 e 1970 foram profícuos na produção de refrigerantes no nosso país. As gasosas BB produzidas pela extinta Coporel em Linda-a-Velha, nos arredores de Lisboa, gozavam de grande popularidade, devido às emblemáticas garrafas, que não faltavam em nenhum lar português e, claro, ao seu sabor característico. O mesmo sucedia com o Rical de pêssego, um dos refrigerantes mais populares da década de 1980, vendido numa icónica garrafa verde.

17. Exibir um símbolo de limite de velocidade no carro

Até ao início da década de 1990, quem tivesse acabado de tirar a carta de condução tinha que, durante um ano, circular com um dístico amarelo com o número 90 na traseira do seu automóvel. Esse círculo indicava a velocidade máxima a que esse condutor poderia circular, avisando os restantes condutores que estavam perante alguém (alegadamente) menos experiente. Algo que atormentava os recém-encartados e que foi eliminado ainda antes do final do século XX.

18. Usar fraldas de pano

Nos dias de hoje, há uma minoria que volta a fazê-lo por motivações ecológicas, por forma a substituir as fraldas descartáveis, extremamente poluentes para o planeta. Mas a fralda de pano foi, até muito tarde, a mais utilizada no nosso país muito embora as descartáveis fossem mais práticas e cómodas.

25 coisas que fazia há 25 anos e que hoje seriam impensáveis

No entanto, apesar de serem bastante mais dispendiosas e de pesarem brutalmente no orçamento familiar, tal como continua a suceder hoje, foram muitos os que adotaram as industriais e, já nos finais da década de 1990, graças à democratização deste produto, as fraldas de pano perderam a importância que tinham.

19. Jogar na Game Gear

A Game Gear foi a aposta da multinacional japonesa de jogos de vídeo Sega para combater o sucesso internacional do Game Boy. Lançada no Japão em 1990, esta consola portátil de jogos eletrónicos foi comercializada na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália nos anos seguintes, procurando destronar o líder do segmento das consolas portáteis, o Game Boy.

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Este tinha, todavia, uma vantagem competitiva que viria a ser determinante. Enquanto que o Game Gear necessitava de seis pilhas AA e tinha uma autonomia que oscilava entre as três e as cinco horas, o dispositivo lúdico da Nintendo só precisava de quatro e garantia uma autonomia de funcionamento que chegava a atingir as 30 horas, uma diferença considerável.

20. Usar alfinetes de ama

Com o uso frequente das fraldas de pano, utilizava-se também o alfinete de ama, que muitos apelidam erradamente de alfinete de dama e que é nada mais nada menos do que um alfinete metálico que tem uma ponta que se encaixa numa cavidade, para não se desprender nem picar. Foram muitas as mães, as avós e as amas que picaram as barrigas dos bebés com eles no fase final do processo de muda da fralda. Com a generalização das descartáveis, foram suplantados pelos adesivos laterais.

21. Comer Tulicreme de caramelo

Surgiu em 1985, em substituição do Tulicreme de avelã, mas o seu reinado foi curto, ainda que tenha deixado (muitas) saudades. O creme para barrar Tulicreme de caramelo foi retirado do mercado pouco depois e o Tulicreme de avelã foi recuperado, mas também ele viria a ter a sua época.

Os mais saudosistas continuam, todavia, a poder comprar a versão de cacau, o original, que na realidade sempre foi o preferido dos apreciadores deste tipo de alimentos. Hoje em dia, o mais apreciado e consumido em todo o mundo é, no entanto, a Nutella, um creme para barrar de cacau e avelã.

22. Mascar pastilhas elásticas Piratas

De fabrico nacional, as pastilhas elásticas Piratas eram produzidas pela Fábrica Diana, em Évora. Esta marca alentejana lançava vários artigos promocionais, incluindo coleções de cromos e cadernetas. Chegou, também, a editar, em 1965, uma revista juvenil de grande sucesso, que foi publicada durante 14 anos. Teve ainda um clube de sócios, que usufruíam de várias vantagens. Há 25 anos, também eram famosas as pastilhas Gorila, que continuam a ser produzidas.

23. Brincar ao quarto escuro

Na década de 1980, as festas de aniversário eram quase sempre em casa do aniversariante e uma das brincadeiras mais aguardadas era a do quarto escuro. Os participantes escondiam-se numa divisão às escuras, habitualmente o quarto do amigo que fazia anos. Depois tinham de descobrir, pelo tato, quem eram as pessoas que iam encontrando.

24. Usar um credifone

Numa época em que os telemóveis não passavam de pura ficção científica, as cabines telefónicas eram autênticos salva-vidas, quer fosse para alguma emergência quer fosse para não encarecer a conta do telefone de casa dos pais e até para garantir alguma privacidade nas conversas. Não fosse acontecer não ter trocos por perto, os credifones, cartões pré-pagos com imagens coloridas que permitiam usar os telefones das cabines, resolviam o problema. Hoje, há quem os colecione e/ou transacione na internet.

25. Fazer compras nas lojas Porfírios

Eram a meca da moda em Portugal e estavam sempre cheias. Havia quem fizesse centenas de quilómetros até Lisboa ou ao Porto para fazer compras nas míticas e vanguardistas lojas de pronto-a-vestir juvenil Porfírios. Eram verdadeiras romarias as que levavam, principalmente os mais novos, a procurar roupa totalmente inovadora para a época num Portugal ainda cinzento. Para tristeza de muitos, estas lojas acabaram por fechar. A de Lisboa no final do século XX e a do Porto já no início do século XXI.

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