Assinala-se hoje, 11 de fevereiro, o Dia Mundial do Doente, uma data propícia a mais uma reflexão sobre a necessidade de colocar o doente no centro do sistema de saúde, uma das principais recomendações da Organização Mundial de Saúde. É imprescindível centrar a atenção nas suas necessidades concretas, devendo o doente ser capaz de se responsabilizar pela sua saúde.

No cuidado com o doente os medicamentos e o acesso equitativo a estes assumem um papel fundamental. Num olhar atento para a realidade nacional em que é notório o envelhecimento da população, este é claramente proporcional ao aumento do consumo de medicamentos. De acordo com dados dispersos obtidos, em média, as pessoas polimedicadas com quatro ou mais fármacos e com 65 ou mais anos de idade tomam 7,3 medicamentos por dia e um quarto desta população consome mesmo dez ou mais por dia. A importância dos medicamentos na promoção da saúde é inquestionável. No entanto, para garantir que esses benefícios não se transformam em riscos, é essencial focar não apenas na sua administração adequada, mas também na correta gestão dos resíduos associados.

Em Portugal a gestão destes resíduos tem uma história com quase já 25 anos, responsabilidade então confiada pelo Estado e que continua a ser realizada pela Valormed. A quantidade de resíduos recolhidos tem vindo a aumentar de ano para ano tendo atingido em 2023 as 1275 toneladas de embalagens vazias e medicamentos fora de uso e de prazo. Desses, 40% dos produtos recolhidos sob forma de papel, cartão, metal ou vidro foram encaminhados para reciclagem, os restantes 60%, referentes a medicação e outro tipo de resíduos foram incinerados com valorização energética. No entanto, estes valores são ainda reduzidos e estão longe das metas que necessitamos alcançar, especialmente se observarmos que apenas cerca de 20% dos resíduos dos medicamentos colocados no mercado foram devolvidos pelos portugueses para serem recolhidos e enviados para tratamento.

Este é, sem dúvida alguma, mais um grande desafio para a sociedade atual. Seja por desconhecimento, preguiça ou falta de hábito, a verdade é que ainda são muitas as pessoas que não entregam os resíduos e os medicamentos fora de uso ou de prazo nos 3.247 pontos de recolha disponíveis nas farmácias e parafarmácias de todo o país. E destaque-se, desde já, que a negligência neste aspeto pode ter impactos adversos tanto na saúde pública como no ambiente. Quando os medicamentos são colocados no lixo comum ou despejados nos esgotos domésticos há risco de poderem contaminar e permanecerem nos solos, nas águas e, consequentemente, “aparecerem” na nossa torneira. Além dos benefícios óbvios para o ambiente, a gestão adequada dos medicamentos fora de uso e prazo está também diretamente ligada a questão de segurança e saúde pública, uma vez que manter estes medicamentos em casa, quando não necessários, pode levar a situações de automedicação, consumo inadvertido fora de prazo e a potenciais (e evitáveis) acidentes, que atingem principalmente as crianças. Terminada a medicação é urgente criar o hábito de entregar os medicamentos nos pontos de recolha. 

Existindo esse reconhecimento de que ainda há desafios a enfrentar, consciencializar e sensibilizar a população para a importância desta ação é fundamental. Para tal são necessárias campanhas educacionais, aliadas à colaboração contínua entre farmácias, autoridades de saúde e a comunidade para que este procedimento se torne rotineiro o que trará certamente evidentes benefícios para a saúde global.

Ao celebrarmos o Dia Mundial do Doente recordemos, pois, que a saúde não é um conceito isolado, mas sim interligado com o bem-estar do planeta, onde todas as ações e comportamentos têm reflexo na preservação da vida. E se queremos um futuro feito de vida, temos de começar hoje a cuidar do ambiente.

Um artigo de opinião de Luís Figueiredo, Diretor-geral da VALORMED.

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