Teresinha Dias, 33 anos, consultora de marketing na Fullsix, faz kickboxing e quando não está a dar pontapés vai rodando entre o zumba e o basquetebol. Sempre com amigas porque «tudo o que é bom tem de ser partilhado», considera. «Comecei por fazer zumba e fiquei viciada. Fazia quatro ou cinco vezes por semana. Depois, veio o basquetebol, que vou intercalando com o zumba e, agora, kickboxing. Um desporto que, além da parte física, tem uma parte divertida que é a de dar pontapés e murros à vontade. Na verdade, os meus dias são a correria total!», considera.

«Vivo na Chinatown de Portugal, ou seja, nos Anjos, em Lisboa. Trabalho em Oeiras e, de manhã, chego sempre atrasada. Acho que já faz parte do meu ADN. É algo que encaro de forma divertida porque, para quem não me conhece, estou sempre com um sorriso na cara. Como a minha profissão é intensa em horários, nos primeiros anos acabei por não conseguir ter espaço para fazer outras coisas. Mas, à medida que fui aprendendo a gerir o dia a dia, comecei a incluir o desporto nas minhas rotinas diárias e a fazer o que gosto», explica.

«Não pode ser algo visto como uma obrigação ou para emagrecer. Os treinos de kickboxing são combinados com o meu treinador Pedro Kol, mais conhecido por Kolmachine. Às vezes, as aulas são ao final do dia quando são outdoor, outras vezes logo às 08h00 no ginásio The Studio. Começar o dia a dar pontapés faz maravilhas! Com o basquetebol é mais tranquilo porque treino perto de casa, vou a pé. As aulas são entre as 21h00 e as 23h00. Chego a casa toda partida porque normalmente é depois de uma aula de zumba, que faço agora apenas uma vez por semana», refere.

«Faço tudo com a minha irmã Mariana, quatro anos mais nova que eu. Sozinha, nada tem piada. É importantíssimo estar rodeada de pessoas que adoro e que me adorem. As coisas têm muito mais graça quando partilhadas com alguém. Como quero sempre fazer tudo e estar com toda a gente, os meus dias são sempre uma correria, mas uma correria feliz! É raro dizer que não a um programa, seja ele jantar, almoço, ao dia de semana ou ao fim de semana. E gostava de ter mais tempo para poder fazer ainda mais coisas», afirma ainda.

«Acho que sou mesmo uma pessoa 100% feliz, fora e no trabalho. Procuro fazer aquilo que me faz feliz… Estar com o meu marido, o meu cão, a minha família e os amigos e, acima de tudo, fazer sempre tudo a rir. Melhor do que isto só mesmo se o Gu, o meu leão da Rodésia, andasse comigo para todo o lado, aí seria perfeito! Tenho de passar a levá-lo aos treinos!», graceja mesmo Teresinha Dias.

Há vida além do trabalho

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Planear a festa dos outros

Ana Coelho Duarte, de 44 anos, é assistente operacional de administração na Portugal Telecom mas o prazer por uma mesa bem-posta lançou-a numa redescoberta sobre si própria. Duas horas por dia planeia e organiza festas e eventos, com bolo incluído. «Tudo começou com um bolo. Um bolo que fiz para o aniversário da minha filha. Chamei-lhe bolo luxúria. Fez um sucesso tão grande que família e amigos incentivaram- me a fazer bolos por encomenda. Acabei por fazer este mesmo bolo a pedido de uma colega da Portugal Telecom (PT) onde trabalho e, depois, fiz outro e depois outro ainda... Quando dei por mim tinha uma lista de encomendas assinalável», refere.

«Sempre gostei de receber bem os amigos em casa. Pensava na decoração da mesa e no ambiente em cada jantar. Foram os elogios que ia recebendo que me fizeram perceber que poderia fazê-lo para os outros. E foi assim que dei por mim dedicada a uma nova etapa da minha vida. Trabalho oito horas na PT e, desde há dois anos para cá, dedico duas horas do meu dia a fazer aquilo que me dá um prazer tremendo. Enfiada na cozinha, posso transformar-me numa expert em cake design», desabafa.

«Sou eu que faço os bolos de aniversário e outras sobremesas. E, no escritório, sou a gestora deste hobby que virou micro-negócio. Sou eu que faço o planeamento. Envio propostas, atualizo as minhas páginas do Facebook (Save the Date e ibake4u) e faço a gestão de novos contactos e compras aos fornecedores», elucida. «Como é que um hobby/negócio encaixa no resto da minha vida? É partilhado com a família. Nas alturas de maiores picos, todos ajudam. Já não tenho que dar banhos! Os meus filhos já são crescidos», diz Ana Coelho Duarte.

«O meu marido costuma fazer entregas e montagens. Tudo é possível quando gostamos e queremos fazer alguma coisa. Sou completamente viciada em viagens e felizmente consigo viajar muito. Essas alturas são perfeitas para me inspirar e também para comprar novos materiais, alguns surpreendentes para as festas que organizo. Quando vou aos Estados Unidos, venho sempre com malas carregadas, com muitos artigos de decoração de mesa», informa Ana Coelho Duarte.

«Confesso que não gosto de bonecos nos bolos. Prefiro as linhas clássicas e românticas. Inspiram-me as cores suaves e as linhas simples. Acredito que, numa dessert table ou num bolo, a máxima menos é mais vence sempre», esclarece ainda Ana Coelho Duarte.

Há vida para lá do trabalho

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Calçar os ténis ao nascer do sol

Aos 40 anos, Cristina Correia de Barros não consegue estar parada. A engenheira eletrotécnica da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), arranja sempre tempo para treinar. Corrida e bicicleta são as suas modalidades de eleição. Momentos que diz serem só seus. «São quase 07h00. Carrego no alarme que não chegou a tocar porque me levantei antes da hora. Sem fazer barulho, visto os calções, top, blusa de alças e pego nos meus sapatos preferidos, os free run da Nike», confidencia.

«Fecho a porta de casa devagar para não acordar os rapazes. São dois, o meu companheiro e o meu filho. Esta é a minha rotina três vezes por semana. Assim que o sol nasce, não consigo ficar parada. Cascais, aí vou eu para mais uma corrida matinal! Vou para a ciclovia do Guincho. Uma hora de corrida, até às 08h00, e com a minha passada certamente ainda passo junto ao campo de golfe dos Oitavos. Respiro fundo. Acho que todos precisam de um momento só para si, sobretudo se pensarmos que a vida passa num abrir e fechar olhos! Se nos sentirmos bem, acabam todos por beneficiar», refere.

Estes momentos de evasão são tranquilos. «Hoje, vim correr sozinha. Ontem, a Maria veio comigo, uma das cinco amigas e parceiras de corrida. Não corro todos os dias, por causa das luxações e lesões, como me diz o Duarte Rodrigues, o meu preparador físico... Tento convencer-me disso, apesar de no ano passado só não ter treinado 11 dias! Ainda me lembro do meu primeiro dia de trabalho. Foi a 1 de abril de 1999. Podia ser piada ao jeito do dia das mentiras, mas não», desabafa.

«Foi mesmo o primeiro dia em que comecei a ter uma rotina profissional e foi também quando percebi que tinha de encontrar tempo para mim. Urgentemente! Não fui feita para estar sentada oito horas por dia. Os treinos no ginásio do Belenenses, junto ao Restelo, onde trabalhava, acabaram por aliviar a tensão. Não percebo as pessoas que trabalham sentadas e que gozam a sua hora de almoço num restaurante, sentadas. Ainda hoje continuo a ir treinar à hora de almoço, quase todos os dias, mas num outro ginásio», refere.

«Faço 50 minutos de treino intensivo em bicicleta. Faço-o de olhos fechados e é um momento só meu. Sinto-me tão bem a seguir. De volta à corrida, estou no minuto 28. Os meus ténis nunca me desiludem. Não consigo correr sem eles. No ano passado, eu e a Maria participámos pela primeira vez na Maratona de Lisboa e todos me aconselharam a comprar novos ténis, porque este modelo não iria suportar a pressão dos 42 km. OK, comprei uns ténis novos, ditos mais apropriados, tentei treinar com eles, mas nada… Acabei por correr com os free run. Foi um grande desafio», recorda.

A paisagem envolvente acalma-a. «Faltam 15 minutos para o meu percurso terminar. Amanhã de manhã talvez deixe o carro em Carcavelos, faça o paredão até Paço de Arcos e volte a Carcavelos. Tomo um duche com champô mesmo ali a olhar para o mar e, como qualquer surfista, visto-me para o trabalho enrolada numa toalha. Depois é só seguir para a ERSE, onde sou engenheira eletrotécnica. Este gozo ninguém me tira. Foram 11 km, 57 minutos, passada 5,2 min/km e 630 calorias gastas», regozija-se.

Há vida para além do trabalho

Texto: Ana Cunha Almeida