Foi assistente de bordo toda a vida mas o prazer de escrever acompanhou-a sempre. Acaba de cumprir uma meta: editou o primeiro romance, “Água de Amor”, e tem a certeza que outros se seguirão. Eugénia Dobrões é uma mulher determinada: o que ela quer, ela consegue porque persegue tudo aquilo em que acredita.

 

Que história é que este livro “Água de Amor”, nos conta?

Que história é que este livro “Água de Amor”, nos conta?
É a história de um homem sofredor que somente no fim da vida percebe que tudo o que experienciou não faz qualquer sentido sem a companhia do grande e único amor que viveu.

Conta as histórias dos vários amores que teve na vida?
Ele conta a história do grande amor da sua vida, um amor irreversível, sem viabilidade de voltar atrás. É uma história vivida com alguém que viaja o tempo todo, portanto, feita de ausências e angústias.

É também um pouco autobiográfico já que a autora, enquanto assistente de bordo, viajou pelo mundo todo?
Só nesse prisma. Talvez seja o relatar das várias experiencias tidas e vividas em muitos locais do mundo.

Já perdeu a conta aos sítios que visitou?
Não. Visitei e conheci razoavelmente 70 países. Houve outros que quase só pisei. Por isso a pesquisa para o livro foi feita nessa base, tive o cuidado de ficcionar os locais onde estive.

As viagens são a sua maior riqueza?
Sem dúvida nenhuma. Elas serviram para que este livro fosse de viagens e emoções. Aliás, o retorno que tenho tido das pessoas que já o leram é que o fizeram emocionadas. Tece considerações acerca da vida, da existência, da pouca importância que damos ao amor, que normalmente só valorizamos quando o vamos perdendo.

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Qual foi a sua motivação para escrever este romance?
Sempre escrevi. Aliás, escrevo desde miúda. As Newsletters dos vários lugares por onde passo têm muitos artigos meus. Na Dinheiro SA fui a certa altura responsável pela página do lazer, para além de outras colaborações.

O gosto pela escrita tem a ver com a sua formação universitária?
Venho da Filologia Germânica e tenho uma certa facilidade em passar para o papel as emoções que guardo na alma. Trago sempre um livrinho onde escrevo frases soltas sobre qualquer coisa que me toca e uso-o quase todos os dias.

Escreve cartas de amor?
Não. Sou muito pragmática. Não as considero ridículas, mas é-me mais fácil escrever cartas de desamor. A primeira, escrevi-a num curso de escrita criativa. Deram-nos vários temas para desenvolver e um deles foi uma carta de amor. Como não as sei imaginar, acabei por transformá-la numa carta de desamor ao Ser Humano. E, segundo o professor, não me saí nada mal.

Depois deste livro ficou com vontade de escrever mais?
Tenho a certeza absoluta que outros se seguirão. Aliás, já tenho muitas páginas escritas a pensar no próximo romance.

Volta a ter o amor como tema central da história?
Claro que sim. A vida é feita de amor. Aliás, o título deste livro tem a ver com o que nos faz mais falta: a água e o amor, porque ninguém sobrevive sem nenhum deles.

Escreveu este livro à noite?
Obrigava-me a escrever todos os dias mesmo que poucas linhas. Talvez quando estou mais isolada e sem barulho, já que o ruído me incomoda, estou mais concentrada e aí escrevo mais. Não o faço no computador, escrevo primeiro à mão e só depois passo para o computador, onde as correcções são feitas.

Quem fez a revisão do livro?
Eu própria. Como já tinha feito a revisão de outras obras, após traduzir o Ice Man para a Verso da Kapa, achei que era capaz de fazer a revisão do meu livro, e assim foi.

Alguém leu o livro antes de ele ser publicado?
Não. Apesar de ter dedicado o livro à minha filha, não o leu. Quem primeiro o viu foi a minha editora. Não troquei impressões com ninguém. Foi uma obra solitária.

Como foi o seu percurso profissional?
Com 19 anos dei aulas de português no Liceu Nacional de Bragança. Foi conturbado mas aprendi imenso e talvez essa experiência me tenha ajudado a abrir asas e voar.

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Mas não quis lá ficar?
Era um espaço muito pequeno para mim. Saí de Trás-os-Montes e fui viver para Londres onde estudei na Swan School, em Oxford, durante oito meses. Depois fui para Paris, inscrevi-me na Aliance Française, para regressar a Londres e novamente a Lisboa. Quando voltei, um amigo desafiou-me a ser hospedeira da TAP, já que sabia tantas línguas, e pouco tempo depois estava a voar. Tinha 21 anos.

Quantos anos ficou na TAP?
Cerca de 25 anos. A seguir tive uma produtora de audiovisuais, a Mundo Repórter, com quatro jornalistas, uma aventura deveras interessante. Seguiu-se a Imohífen, na Epul Jovem, onde dei apoio a grupos. Fui directora comercial da Dinheiro SA, uma revista de finanças pessoais. Mais tarde, convidaram-me para dar formação numa empresa ligada à aviação e desde há quatro anos sou assessora e formadora na OATC, uma escola que forma assistentes e comissários de bordo.

Antes disso foi assistente de bordo do avião particular de João Pereira Coutinho.
É verdade. Trabalhei no Falcon 900 durante vários anos em part-time, daí ter tido tempo para me dedicar a outras atividades. Conheci boa parte do mundo naquele avião.

Casou-se com quantos anos?
Com 21 mas estou separada há muitos anos. Do casamento nasceu a minha única filha, agora com 30 anos.

Continua à procura do amor?
Não fechei o meu coração. Amor existe, só que há amores e amores e, com a idade, ficamos muito particulares em relação ao nosso bem-estar e à vida.

Viajar continua a ser um prazer imparável?
Sem dúvida. Se pudesse, passava todo o tempo a viajar. Quero muito voltar à China, ir à Manchúria, as grandes viagens serão sempre a grande paixão.

Quando viaja também leva o seu caderno?
Sempre. É aí que eu conto as histórias, registo o nome dos lugares, sento-me no chão com as pessoas e tiro notas. Adoro viajar sozinha e só não o faço mais vezes porque tenho medo de ficar doente.

Também lê muito?
Sou uma leitora compulsiva. Leio três ou quatro livros ao mesmo tempo. Não vivo sem livros.

Está preocupada com o rumo que o mundo está a tomar?
Preocupa-me porque me traz mal estar e algum desequilíbrio. Vão faltar bens essenciais e o ser humano quando lhe falta o básico torna-se selvagem.

Sonha muito?
Todos os dias. Sonho quando olho as casas e as árvores, sonho quando olho para gente bonita, por dentro e por fora, sonho que faço sonhar outras pessoas.

 

Texto: Palmira Correia

 

 

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