No princípio tudo é perfeito. Acabado de nascer, o bebé vai aprender a conhecer o mundo através dos seus sentidos. Ainda sem falar já um grande comunicador, dizendo o que sente e o que quer, através de gestos e expressões.

Chora, mas também sorri bastante. É certamente feliz! Seguro de si mesmo, começa a desenvolver-se mais e mais, a cada dia que passa.

Arrisca sem ter medo de falhar e, quando aprende a dizer aquilo que quer, é de tal modo assertivo que os adultos ficam perplexos. Cedo aprende a dizer «Não» e não pára de o dizer. Depois cresce e, com a adolescência, vem o pessimismo e a falta de sentido de humor. Há que superar esta fase mas, no entanto, muitos chegam a adultos sem ter recuperado as suas melhores qualidades.

A situação perfeita para arruinarem a sua própria vida. Para que possamos conseguir voltar atrás no tempo, apresentamos-lhe María Jesús Álava Reyes, psicóloga, que recentemente lançou em Portugal a obra «A Arte de Arruinar a sua Própria Vida», editada por A Esfera dos Livros.


Nunca dizer não

Ser incapaz de dizer «não» é uma das melhores formas de arruinarmos a nossa própria vida. E a verdade é que existem muitas pessoas que são incapazes de negar seja o que for. «A principal consequência desta situação é que, ao dependermos do que os outros decidem por nós, acabamos por não viver a nossa própria vida», explica a psicóloga espanhola María Jesús Álava Reyes.

Solução Comece por dizer «não» em pequenas coisas, primeiro através de gestos, simplesmente abanando a cabeça, sem verbalizar. Pouco a pouco irá sentir-se mais segura e capaz de o dizer sem culpa. Sentir-se-á também mais tranquila por saber que, em qualquer momento, basta um simples «não» para que defenda os seus direitos, sem se deixar manipular.


Falta de assertividade

Sem assertividade vivemos em constante conflito interior, por não sermos capazes de dizer aquilo que sentimos e queremos. Geralmente estas pessoas só se conseguem afirmar nas piores alturas, como refere a psicóloga: «Há pessoas que só dizem aquilo que sentem quando estão zangadas e isto é uma tragédia, porque
no meio de uma discussão são impulsivas e acabam por magoar os outros sem que eles cheguem a perceber o seu ponto de vista».

Solução Comece por se conhecer a si própria. «Quando nos conhecemos a nós próprios somos capazes de acreditarmos em nós e de sermos as pessoas que queremos ser», explica a psicóloga. É também preciso treinar a sensibilidade e capacidade de observação. «Se formos bons observadores damo-nos conta de quando devemos falar ou quando mais vale calarmo-nos».


Não saber escutar

Saber ouvir os outros é fundamental para criar afinidades entre as pessoas. Quem apenas se interessa por expressar as suas próprias opiniões dificilmente conquistará a confiança e a simpatia dos outros e, consequentemente, dará um passo importante para arruinar a sua própria vida. Felizmente há solução.

Solução Existe algo que nunca deve esquecer: para qualquer pessoa, o mais importante não é o que lhe dizemos, mas que escutemos o que tem para nos dizer. Depois, para conquistar a confiança dos demais, é preciso mostrar que nunca os iremos atraiçoar ou julgar pelo que dizem. Não prometa algo que não consegue cumprir e jamais espalhe um segredo que alguém lhe confiou.


Veja na página seguinte: As soluções para a baixa auto-estima, a insatisfação e a falta de sentido de humor

Baixa auto-estima

É um dos principais pilares em que assenta uma vida infeliz. Quando a auto-estima é baixa, a nossa valorização pessoal fica dependente do que os outros pensam a nosso respeito. Haverá pessoas manipuladoras, muito críticas, que conseguirão facilmente massacrar uma auto-estima débil; outras tendem a
afastar-se e outras ainda poderão sentir pena de nós. Seja como for, nunca conseguiremos ser felizes.

Solução Comece por avaliar-se a si própria. «Haverá coisas que não irá gostar, mas é preciso ser condescendente consigo mesma. Estipule pequenos objectivos e valorize todos os esforços, mesmo que às vezes não tenha êxito», recomenda a psicóloga. Desta forma, conseguirá ser mais atractiva aos olhos dos outros. «As pessoas valorizam muito mais aqueles que revelam bons níveis de confiança, auto-estima e assertividade», comenta a especialista.


Pessimista inveterada

O pessimismo é uma das melhores formas de sofrer inutilmente e, portanto, arruinar a nossa vida. «Quando um pessimista pensa em acontecimentos trágicos o seu cérebro vive-os como se estivessem a ocorrer naquele preciso momento em que os está a recordar. Está provado que os pessimistas vivem menos anos e são mais vulneráveis à doença», revela a psicóloga.

Solução A melhor forma de evitar os pensamentos negativos é escrevê-los. «Anote num caderno o dia, a hora, o local e com quem está no momento em que pensou algo negativo. Anote também como se sente fisicamente. Ao escrever dar-se-á conta que, sempre que se sente mal, com dor de cabeça ou no peito, está a pensar em algo negativo ou muito pessimista. Ao fim de duas ou três semanas conseguirá pressentir o mal-estar logo e enfrentar os pensamentos para que sejam mais objectivos e positivos», conclui.


Falta de sentido de humor

Sem sentido de humor a vida é uma tragédia, por isso, vivemos infelizes. Somos incapazes de tratar bem de nós próprios, porque, nos massacramos a cada erro que cometemos, em vez de nos rirmos deles. Por outro lado, uma cara sisuda afasta os que estão por perto e pode mesmo arruinar a nossa vida.

Solução Tente procurar o aspecto mais humano e gracioso das coisas e ria. Como explica María Jesús Álava Reyes «Mesmo que a situação seja um pouco trágica, se nos conseguirmos rir dela, superamo-la mais facilmente e fomentamos o bom humor.»


Eterna insatisfeita

As pessoas infelizes vivem num clima de insatisfação permanente. Curiosamente isto acontece especialmente nas sociedades desenvolvidas, apesar do aparente bem-estar em que vivem. «É a grande tragédia do ser humano: quando tem quase tudo,
procura o impossível», comenta a especialista.

Solução A felicidade não é ter muitas coisas, mas sim desfrutar das que são autênticas. «As pessoas felizes desfrutam quando se levantam de manhã e se dão conta que vivem outro dia, que têm possibilidade de verem um novo amanhecer, que podem ver gente conhecida, caminhar e beber um café. Não se sentem felizes com pouco, mas com o que é realmente importante», conclui a psicóloga.

Texto: Vanda Oliveira com María Jesús Álava Reyes (psicóloga)

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