De acordo com a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 10% das pessoas em todo o mundo apresentam alguma limitação ou incapacidade, na sua maioria devida a uma doença crónica.
Em muitas circunstâncias, como é o caso de algumas doenças oncológicas, o diagnóstico de uma doença crónica surge de forma inesperada, na ausência de sintomas, devido ao carácter “silencioso” da mesma; noutras, como, por exemplo, em algumas doenças reumatológicas, é o resultado da confirmação de um conjunto de manifestações clínicas, após algum tempo em estudo, durante o qual imperam expectativas, ansiedade e incerteza face ao futuro.
Independentemente da doença crónica, é esperado que um diagnóstico deste tipo origine mal-estar emocional e alterações no funcionamento, dadas as implicações, em muitos casos profundas, que a doença acarreta, e as suas consequências para o bem-estar e para a qualidade de vida (pelas limitações funcionais que podem estar envolvidas, pelas suas consequências na capacidade para desempenhar as actividades habituais, pela incerteza do prognóstico, a evolução dos tratamentos e a reabilitação, possíveis efeitos secundários, por todo o stress psicossocial associado e pelo impacto na família e grupo social, bem como pelas eventuais perdas associadas).
Após este primeiro período, que comporta reacções emocionais de curta duração que são esperadas numa fase precoce do processo de adaptação (por exemplo, antes e após o processo de comunicação do diagnóstico), a maior parte das pessoas adapta-se de forma normativa à sua nova condição. 
Contudo, um número significativo de pessoas apresenta dificuldades excessivas ao longo deste processo: em muitos casos, as estratégias habitualmente utilizadas pela pessoa para lidar com situações difíceis deixam de ser eficazes, resultando na necessidade de um período mais prolongado de adaptação ou, mesmo, na incapacidade de adaptação à doença. 
Como resultado da ineficácia destas estratégias, as reacções emocionais que, nas circunstâncias iniciais tinham uma função adaptativa, de reorganização para a nova condição, tornam-se descontextualizadas face à fonte de stress que as originou, perdurando no tempo e contribuindo para a manutenção do mal-estar emocional e das dificuldades de adaptação à doença.

Assim, existem diferenças individuais na forma como os indivíduos se adaptam à nova condição, as quais dependem, também, da doença em si e das (alterações nas) suas trajectórias.
Vários estudos têm procurado analisar os factores de risco que podem contribuir para a compreensão destas diferenças individuais. O tipo de tratamentos, o isolamento social, a existência de conflitos interpessoais, as expectativas de consequências negativas e as estratégias de evitamento (a nível comportamental e, principalmente, emocional), têm sido identificados como os principais factores de risco relacionados com a adaptação psicológica à doença crónica.
Mas, mais recentemente, a maior parte dos autores começou a tentar compreender os factores que, de forma isolada e em interacção, podem facilitar o processo de adaptação. De entre esses factores, destacam-se a existência de relações emocionais significativas, a utilização de estratégias de resolução racional de problemas, a expressão e compreensão emocional e a reavaliação dos aspectos positivos da situação, os quais têm demonstrado proteger a pessoa, facilitando o ajustamento emocional e, em consequência, a adaptação à doença e uma melhor qualidade de vida, apesar das circunstâncias adversas.
Assim, o modo como a pessoa lida com a doença, nas suas diversas etapas e diferentes evoluções, pode contribuir para diminuir, aumentar ou amortecer o impacto da mesma.
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