Em certas situações o tubo digestivo não é capaz de absorver os nutrientes e os líquidos que o organismo necessita. Esta situação chama-se falência intestinal. A Síndrome do Intestino Curto é a causa mais frequente de falência intestinal crónica mas, mesmo assim, é uma doença rara. Estima-se que em Portugal hajam poucas dezenas de pessoas com Síndrome do Intestino Curto.

Em algumas cirurgias, é necessário retirar parte do intestino, devido à presença de uma inflamação, tumor ou outra causa. Após uma cirurgia, doentes com menos de 2 metros de intestino delgado estão em risco de evoluir para Síndrome do Intestino Curto, situação em que a função gastrointestinal é insuficiente para manter um bom estado de nutrição e hidratação.

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Na Síndrome do Intestino Curto, os doentes podem comer apenas pequenas quantidades de alimentos e líquidos. Os alimentos têm que ser especialmente preparados com refeições pequenas e os líquidos têm uma grande concentração de sal. A dieta tem de ser estabelecida por uma nutricionista experiente no acompanhamento desta doença.

Mesmo assim, a absorção da alimentação pelo intestino curto nunca é suficiente para as necessidades nutricionais. Como o intestino é muito curto, os alimentos ingeridos não são absorvidos, acabam por ser expulsos e sucedem-se episódios de diarreia, distensão do abdómen e cólicas.

Alimentação oral é insuficiente

Como a alimentação oral não chega, na Síndrome do Intestino Curto os nutrientes têm de ser administrados através de uma veia. Durante muitas horas, habitualmente durante a noite, uma bolsa com nutrientes especialmente preparada por farmacêuticos é administrada e introduzida por uma veia através de um cateter.

Este tratamento chama-se Nutrição Parentérica e permite alimentar os doentes e assim mantê-los vivos, mas, tem muitos inconvenientes. O doente passa grande parte do dia ligado a um sistema de alimentação sem poder deslocar-se.

Usada por períodos longos, a Nutrição Parentérica pode levar a doenças crónicas como a osteoporose ou doenças do fígado.

Por outro lado, a presença de um cateter permanente na veia pode levar a infeções graves e a internamentos repetidos. Para minimizar as dificuldades e adequar o tratamento, os doentes sob Nutrição Parentérica domiciliária são acompanhados por equipas especializadas com médicos, farmacêuticos, nutricionistas e enfermeiros. Com as condições adequadas podem estudar, trabalhar e conviver, mas com limitações, riscos e complicações.

A nova esperança

Para os doentes com Síndrome do Intestino Curto há agora uma nova esperança. O uso de teduglutido permite libertar os doentes da Nutrição Parentérica um ou mais dias da semana dando-lhes mais liberdade e qualidade de vida. E parte dos doentes ficam inteiramente libertos da Nutrição Parentérica Domiciliária passando a ser mantidos apenas com a alimentação oral.

O impacto na vida dos doentes é imenso. Mudam de uma vida dependente, em que grande parte do tempo é passado a receber nutrientes através de um sistema de infusão venosa, para uma vida independente, com alimentação exclusivamente oral ou com Nutrição Parentérica apenas algumas poucas horas por semana. Estamos, por isso, a assistir ao início de uma nova e promissora era no tratamento da Síndrome do Intestino Curto.

As explicações são do professor Jorge Fonseca, médico gastroenterologista no Hospital Garcia de Orta.

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