Não é apenas a partir dos hábitos alimentares ou da rotina de exercício físico que se consegue determinar a longevidade.

Existem muitos outros sinais, sobretudo fisiológicos, que podem denunciar o nosso estado de saúde.

Uns deles podem ser indicadores como a frequência cardíaca ou a qualidade do sono, aos quais deve estar atento.

Veja o que dizem os especialistas sobre a relação que existe entre estes sinais e o grau de longevidade:

O ritmo cardíaco

O cardiologista Manuel Carrageta, Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, afirma que «existe uma relação entre a frequência cardíaca e a esperança média de vida e que uma frequência cardíaca de base muito elevada é, desde logo, um fator de risco». A justificação é muito clara. «O nosso coração está preparado para bater um determinado número de biliões de pulsações e quanto mais depressa bater, mais rápido se vai esgotar», explica o especialista.

A prática de exercício ao longo da vida a par de uma alimentação saudável é o pilar de um coração são. «Uma atividade física regular ajuda por si só a manter os níveis da frequência cardíaca baixos e constantes, enquanto que um tipo de alimentação adequado vai ajudar a manter um peso saudável e a evitar problemas como a hipertensão arterial e o colesterol elevado, importantes fatores de risco para doenças cardíacas», explica o especialista.

Um batimento cardíaco saudável situa-se, num adulto saudável, entre os 60/70 bpm (batidas por minuto).

Para manter este ritmo, o especialista deixa-lhe alguns conselhos. Procure segui-los diariamente, de modo a potenciar a sua saúde e o seu bem-estar.

- Aprenda a controlar o stress
Existem algumas técnicas de relaxamento como a meditação, o
yoga ou a visualização (técnica que consiste em fechar os olhos,
respirar fundo e imaginar um cenário agradável à nossa volta).

- Tome diariamente um bom pequeno-almoço
De acordo com o especialista, esta que é a refeição mais importante do
dia deve ser composta por laticínios (leite ou iogurte magros)
acompanhados de cereais integrais ou pão integral/ou de mistura, uma
peça de fruta ou um copo de sumo de fruta natural e alguns frutos secos, nomeadamente nozes, amêndoas, pinhões e/ou avelãs.

- Evite o excesso de sal nas refeições
O sal está longe de ser um amigo do coração.

- Ingira cerca de dois copos de vinho tinto por dia.

«Aproveite o sabor mediterrânico do vinho tinto, rico em propriedades
antioxidantes, é muito benéfico para a saúde, quando consumido com
moderação», recomenda o especialista.

- Não fume
O tabaco faz mesmo mal à saúde. Há muito que isso foi comprovado.

A qualidade do sono

Se tem um sono tranquilo e não ressona, esse pode ser um bom sinal.
Ressonar é o principal sinal de alarme da síndrome da apneia obstrutiva
do sono, um  problema respiratório que causa aumento de peso,
hipertensão arterial, diabetes e alterações neurológicas como problemas
de memória e depressão.

De acordo com o otorrinolaringologista
Anselmo Pinto, especialista em sono, «cerca de 85% dos indivíduos que
ressonam têm síndrome de apneia obstrutiva do sono».

O especialista
adianta ainda que «as pessoas que ressonam têm 10 vezes mais
probabilidade de ter um enfarte de miocárdio ou uma trombose cerebral».

Recomendações a ter em conta:

- Esteja atento aos sinais de alarme. Se ressonar ou se revelar outros
sinais de  alarme importantes da síndrome da apneia obstrutiva do sono,
como o cansaço e a sensação de falta de ar durante o sono, deve procurar
aconselhamento médico.

- Se sofre de apneia obstrutiva do sono é
essencial que recorra a tratamento médico. «Pode ser necessário a
utilização de aparelhos específicos para dormir, medicação adequada ou,
até mesmo, intervenção cirúrgica», alerta o especialista.

- Para prevenir este distúrbio respiratório, deve seguir uma alimentação saudável e promover uma boa qualidade do sono.

O especialista recomenda alguns cuidados básicos:

- Escolha uma almofada e um colchão confortáveis que favoreçam uma postura correta.

- A última refeição do dia (jantar ou ceia) deve ser leve e ser feita, pelo menos, duas horas antes de ir para a cama.

- Não beba muitos líquidos ao fim do dia.

- Evite fazer exercício físico nas três horas que antecedem o sono.

Texto: Sofia Cardoso
com Anselmo Pinto (otorrinolaringologista e especialista em sono) e
Manuel Carrageta (cardiologista e Presidente da Fundação Portuguesa de
Cardiologia)

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